Netanyahu se recusa a pedir desculpas à Turquia

O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, assegurou neste domingo que seu país “nunca quis que as relações com a Turquia se deteriorassem nem está agora interessado em que se deteriorem” ainda mais.

Jim Hollander/Efe
Premiê israelense, Binyamin Netanyahu, preside reunião do conselho de ministros para debater protestos sociais no país
Premiê israelense, Binyamin Netanyahu, preside reunião do conselho de ministros para debater protestos sociais no país

Trata-se de sua primeira reação pública desde que Ancara anunciou na sexta-feira a redução ao mínimo de suas relações diplomáticas com Israel, o que implica a retirada de seu embaixador em Tel Aviv e a suspensão das relações militares.

“Esperamos encontrar um caminho para superar as diferenças”, assinalou Netanyahu ao início do conselho semanal de ministros.

O chefe de governo israelense, no entanto, reiterou sua rejeição absoluta a se desculpar a Ancara pela morte de nove ativistas turcos no ataque por soldados de elite israelenses à pequena Frota da Liberdade em maio de 2010.

“Não precisamos nos desculpar porque os soldados se defenderam do ataque de ativistas violentos.”

O Mavi Marmara fazia parte de uma flotilha ativista que levava ajuda humanitária a Gaza quando foi abordado por fuzileiros navais israelenses em alto mar, no Mediterrâneo, em 31 de maio de 2010. Os marines mataram a tiros nove turcos, incluindo um cidadão turco-americano, durante um combate a bordo.

ONU

A publicação na quinta-feira do conteúdo do relatório da ONU sobre o incidente, que considera legal o bloqueio marítimo à Gaza que motivou a expedição solidária, embora acuse Israel de uso excessivo de força, motivou a decisão turca.

Desde o ataque, as relações entre ambos os países permaneciam congeladas, embora nos últimos meses tenham acontecido contatos em segredo para tentar pôr fim à tensão.

A análise da ONU exorta Israel a emitir “uma declaração adequada de pesar” pelo ataque e estabelece o pagamento de uma indenização às famílias dos oito turcos e do americano de origem turca que morreram na operação, assim como aos feridos.

O relatório, no entanto, também diz que o bloqueio marítimo de Israel à região da faixa de Gaza está dentro das normas do direito internacional, o que preocupa o governo turco, que defende a total liberdade de navegação no Mediterrâneo.

A Turquia julga o relatório “nulo e sem valor”, segundo o presidente do país, Abdulá Gül. O Hamas –movimento islâmico que governa a faixa de Gaza desde 2007– considerou que o documento foi “injusto e desequilibrado”, declarou na quinta-feira um porta-voz do movimento palestino em Gaza.

Além de discordarem da análise da ONU, que em sua opinião deveria ter culpado de maneira mais rígida o governo israelense, os turcos resolveram diminuir as relações diplomáticas com Israel em função do pedido de desculpas formais exigido ainda no ano passado, que nunca foi atendido pelo Estado hebreu.

“Israel reconhece a importância dos laços históricos no passado e presente entre os povos turco e judeu”, disse um comunicado oficial israelense na tarde desta sexta-feira.

  Adem Altan/France Presse  
Chanceler turco, Ahmet Davutoglu, fala em entrevista coletiva; a Turquia expulsou o embaixador israelense
Chanceler turco, Ahmet Davutoglu, fala em entrevista coletiva; a Turquia expulsou o embaixador israelense

EXPULSÃO

Na sexta-feira, o chanceler turco Ahmet Davutoglu anunciou a expulsão do embaixador israelense em Ancara e suspendeu todos os acordos militares com Israel. O país era o aliado muçulmano do Ocidente com melhores relações com Israel e pressionava o país para que pedisse desculpas pelo incidente.

Segundo Davutoglu durante entrevista coletiva, Israel não atendeu às demandas turcas sobre o ataque no ano passado contra uma frota que se dirigia para Gaza.

“Neste momento, as medidas que tomamos são: as relações entre a Turquia e Israel ficam reduzidas ao nível de segundo secretário. Todos os funcionários com grau superior a segundo secretário, e, e primeiro lugar o embaixador, devem regressar a seu país no mais tardar na quarta-feira”, afirmou o ministro à imprensa.

  Burhan Ozbilici-26.dez.2010/Associated Press  
Pessoas agitam bandeiras turcas e palestinas no retorno do Mavi Marmara a Istambul após incidente com Israel
Pessoas agitam bandeiras turcas e palestinas no retorno do Mavi Marmara a Istambul após incidente com Israel

DA EFE, EM JERUSALÉM

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