No UFC, Galvão Bueno foi… Galvão Bueno: ‘Acabou, acabou, acabou’

A Globo se rendeu ao UFC e, pela primeira vez, transmitiu ao vivo para a TV aberta uma luta do evento. Assim, Galvão Bueno pôde colocar mais uma no currículo, para sorte ou azar de quem acompanhou a disputa do título dos pesados entre Júnior “Cigano” dos Santos e Cain Velasquez.

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E Galvão foi mais Galvão do que nunca. O juiz tinha “cara de mau”, Velasquez tinha “cara de mau. Nunca sorri”. Todo mundo era mau, menos o brasileiro, que “agora se lembra da infância difícil, do menino que vendia picolé aos dez anos”, adivinhou Galvão no fim da luta.

Marisa Cauduro-12.ago.2010/Folhapress
O narrador e apresentador Galvão Bueno
O narrador e apresentador Galvão Bueno

Alguns dos famosos jargões do homem que não “calou a boca” durante a Copa também estavam lá. “Haaaaja coração, amigo”, disparou ao abrir o evento, amparado pelos comentários de Vitor Belfort, um dos lutadores brasileiros do MMA (artes marciais mistas) que melhor conecta socos e verbos. Mas até Belfort mostrou o seu lado Xuxa (comentarista-torcedor da natação do Pan na Record): “Tenho certeza que a gente vai gritar ‘Brasil’ no final da luta”, dizia o marido de Joana Feiticeira Prado.

Para a sorte dos telespectadores, o embate durou apenas 64 segundos, estragando todo um arsenal provavelmente preparado pelo narrador. Ainda assim, foi tempo suficiente para Galvão perpetrar um ou dois novos jargões que você certamente ouvirá de novo, como “são os gladiadores do terceiro milênio”, que ele bradou mais de uma vez, apesar da curta luta.

No golpe fatal, Galvão foi matemático: enquanto Cigano ia socando o rival no chão, o narrador apenas contava: “Um, dois, três, quatro…”. Depois, a famosa palavra repetida à exaustão e que funciona de última volta em corrida de F-1 a disputa de pênalti em Copa: “Acabou, acabou, acabou, acabou…” Certamente, nunca o fim desafinou tanto. Depois, a finalização clássica à la Galvão: “Júnior Cigano… DO BRASIL”.

  Jason Redmond/Associated Press  
Júnior "Cigano" dos Santos (dir.) durante luta contra Cain Velasquez
Júnior “Cigano” dos Santos (dir.) durante luta contra Cain Velasquez

Ainda deu tempo para Galvão disparar alguns termos tradicionais, como “trocação”, “single leg”, “double leg”. “A gente vai falando em inglês e traduzindo. ‘Single leg’ é quando ele tenta pegar uma perna”, explicava.

A luta foi reprisada na íntegra, esticando a transmissão para uns 20 e poucos minutos. “Eu queria você analisasse TUDO que aconteceu”, pediu ao emocionado Vitor. Na conclusão, Galvão Bueno avisou: “Eu não imaginava começar um trabalho novo depois de 40 anos. Vai se preparando aí em casa, 14 de janeiro tem mais”.

Com a Olimpíada na Record, pelo menos não devemos ter Galvão no rúgbi ou no emocionante golfe. Mas UFC na Globo será quase todo mês, “haaaaja coração, amigo”.

Com a Folha.com

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