Nobel da Paz lidera contagem de votos na Libéria

A presidente da Libéria e Nobel da Paz, Ellen Johnson-Sirleaf, lidera a contagem de votos com 90,8%, de acordo com os resultados parciais do segundo turno da eleição presidencial no país.

O pleito, realizado na terça-feira (8), teve o maior boicote já registrado no país, segundo informou a comissão eleitoral nesta terça-feira.

A comissão informou que os resultados são baseados na apuração de 86% dos postos de votação do país, e que o comparecimento às urnas foi de 37,4%

Na quarta-feira, o principal candidato de oposição da Libéria, Winston Tubman, disse que poderia pedir a anulação da eleição presidencial, boicotada por seus partidários, aumentando a perspectiva de um confronto em um país que ainda se recupera de uma guerra civil.

Muitos liberianos ficaram em casa durante a votação de terça-feira, seja por medo de uma repetição da violência relacionada com as eleições do início desta semana ou obedecendo a uma convocação de boicote feita por Tubman, principal rival da presidente Ellen Johnson-Sirleaf.

Issouf Sanogo/France Presse
Presidente da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf, vencedora do Prêmio Nobel da Paz deste ano
Presidente da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf, vencedora do Prêmio Nobel da Paz deste ano

Tubman alegou que houve fraude no primeiro turno da eleição no mês passado, no qual a recém agraciada pelo Prêmio Nobel da Paz obteve uma vantagem de 11 pontos.

“Nós não vamos aceitar o resultado. Dissemos a eles que não íamos votar e eles foram adiante e colocaram nossas fotos nas cédulas. Não só as pessoas do CDC (o partido de Tubman, de oposição) boicotaram, mas muitos liberianos nos ouviram”, disse nesta quarta-feira Tubman, que foi um importante assessor do ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan.

Essa foi a primeira eleição presidencial organizada localmente na Libéria desde 2003, quando se encerraram 14 anos de confrontos que mataram quase 250 mil pessoas. A ONU promoveu uma votação em 2005 que também terminou em controvérsia.

A Libéria quer usar a sua riqueza em ferro e outros recursos para se reconstruir. Críticos de Ellen, a primeira mulher livremente eleita chefe de Estado na África, afirmam que o progresso em seu primeiro mandato foi muito lento.

BOICOTE

Uma organização que monitora a eleição, o Instituto Democrático da Libéria, disse na terça-feira que o comparecimento para votar pode ter sido de 25% a 35% dos eleitores, menos da metade dos 71% registrados no primeiro turno, quando os liberianos fizeram fila nas seções eleitorais.

Uma presença tão baixa pode minar a autoridade da presidente em um segundo mandato e até fazer com que ela abra o diálogo com Tubman, avaliaram analistas.

Ellen obteve quase 44% dos votos no primeiro turno, em 11 de outubro, enquanto Tubman teve 33%, mas saiu da disputa do segundo turno na semana passada e convocou o boicote.

Tubman havia dito que ele só estaria disposto a participar do segundo turno se fosse adiado em duas ou quarto semanas e se os procedimentos de contagem fossem mudados. Agora ele diz considerar uma forma legal de anular os resultados do segundo turno.

Observadores eleitorais internacionais consideraram a votação de 11 de outubro em sua maior parte livre e justa. Os Estados Unidos, as Nações Unidas, a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental e a União Africana criticaram a decisão de Tubman de boicotar o segundo turno.

DA REUTERS, EM MONRÓVIA

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