Novo premiê da Itália, Mario Monti reforça urgência para conter crise

Reforçando o senso de urgência e a necessidade de união política para conter a crise, o economista e ex-comissário europeu Mario Monti, 68, assumiu neste domingo o cargo de primeiro-ministro da Itália com a missão de formar um novo governo tecnocrata. O anúncio confirma o objetivo italiano de tranquilizar a comunidade internacional antes da abertura dos mercados na segunda-feira.

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Monti assume o governo um dia após Silvio Berlusconi, 75, ter oficializado sua renúncia. O posto foi deixado ontem após a Câmara dos Deputados aprovar por 380 votos a 260 o Orçamento de 2012, incluindo um pacote de austeridade acertado com a União Europeia que era condição para a saída do agora ex-premiê.

  Roberto Monaldo/Associated Press  
Mario Monti reforçou o sentido de urgência para conter a crise e exortou a união das forças políticas no país
Mario Monti reforçou o sentido de urgência para conter a crise e exortou a união das forças políticas no país

A lei contém as medidas exigidas para garantir a estabilidade financeira e reduzir a enorme dívida pública do país, que atualmente corresponde a 120% do PIB (€ 1,9 trilhão), através de uma economia de até € 59,8 bilhões até 2014.

Nomeado pelo presidente italiano Giorgio Napolitano, o novo primeiro-ministro tem agora a missão de indicar o quanto antes quem integrará seu gabinete, cujos nomes devem conter um perfil majoritariamente tecnocrata, antecipa a imprensa italiana.

“Dou início a este trabalho com o compromisso de respeitar o Parlamento e todas as forças políticas”, disse Monti em coletiva de imprensa logo após sua nomeação.

“A Itália pode sair desta situação de emergência com base num esforço comum, e voltar a ser uma força dentro da União Europeia [UE], e não uma fraqueza”, acrescentou.

Napolitano, falou logo em seguida, reiterando que “a urgência de lidar com a crise, da aprovação das medidas às escolhas que serão feitas de agora em diante, deve-se à necessidade de solucionar com maior rapidez este momento”.

Reconquistar a dignidade, a Justiça social e o respeito dos investidores internacionais estão entre as prioridades do novo governo tecnocrata, disse Napolitano.

  Editoria de Arte/Folhapress  

Monti é formado pela renomada Universidade Bocconi e depois estudou em Yale, nos Estados Unidos. Chegou a lecionar na Universidade de Turim, tornou-se professor de economia política na Bocconi e foi nomeado para o cargo em Bruxelas por Berlusconi em 1994.

Serviu como chefe de competição da UE, supervisionando os inquéritos antitruste da Microsoft feita no início dos anos 2000, quando ganhou notoriedade e renome em Bruxelas.

Há dois anos foi encarregado da compilação de um relatório sobre o mercado único da EU, que pediu mais desregulamentação para estimular a competição e o crescimento econômico.

LUTA CONTRA O TEMPO

“Como chefe de Estado, acompanhei de forma isenta a situação e decidi nomear Mario Monti como o novo premiê. Neste momento, não vejo a necessidade de convocar eleições antecipadas”, indicou.

“Eu tenho confiança de que dando o mandato a Monti, teremos uma figura independente que sempre esteve isento das competições políticas que possui as habilidades técnicas necessárias para conduzir o país”.

“Precisamos ter agora um esforço comum para retirar a Itália do momento mais agudo da crise financeira”, acrescentou o presidente.

Em resposta aos jornalistas, Napolitano deixou claro que a formação do novo governo ocorrerá da forma mais rápida possível, mas Monti seguirá padrões técnicos e tomará decisões com cautela.

“Nunca dissemos que resolveríamos isso em 24 horas, mas podemos contar que Monti anunciará seu gabinete o mais rápido possível”.

Além da ansiedade dos mercados em relação à incerteza do comando político italiano, durante a semana, o FMI (Fundo Monetário Internacional) e a UE pressionaram o país a definir com urgência sua situação e evitar a convocação de eleições.

A diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, elogiou a aprovação das medidas de austeridade no Senado, na sexta-feira, e disse que a indicação de um novo premiê é “um sinal de clareza e credibilidade da situação política” na Itália. Também na sexta, o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, disse que “o país precisa de reformas, não eleições”.

RENÚNCIA DE BERLUSCONI

Silvio Berlusconi anunciou neste domingo que apoia a formação de um governo “tecnocrático” para salvar a Itália da crise, mas deixou claro que “não se renderá” e que continuará trabalhando no Parlamento.

“Estamos prontos para apoiar os esforços do presidente da República para formar um governo tecnocrático com um amplo consenso do Parlamento”, afirmou Berlusconi em uma mensagem transmitida pela televisão, na qual disse também que “multiplicará” seu trabalho no Parlamento para reformar a Itália.

Cedendo às pressões que aumentaram seu isolamento nas últimas semanas, ele abandonou o poder no sábado, dando fim a um período de 17 anos na liderança política do país e abrindo caminho para a contenção da crise econômica italiana.

  Editoria de Arte/Folhapress  
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