ONU intensificará distribuição de alimentos a refugiados somalis

A ONU (Organização das Nações Unidas) anunciou nesta sexta-feira que vai intensificar a distribuição de alimentos nos campos de refugiados somalis na Etiópia, após comprovar que a taxa de desnutrição aguda aumenta de forma alarmante, particularmente entre as crianças.

Os novos refugiados chegam cada vez em piores condições nutricionais, o que foi confirmado por exames médicos, disse em entrevista coletiva o porta-voz do Acnur (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados), Adrian Edwards.

Edwards informou que em quatro assentamentos de refugiados na Etiópia foi comprovado que as crianças somalis apresentam taxas de desnutrição aguda que varia entre 10% e 19%. O organismo considera que uma taxa de 1% reflete já uma situação de emergência.

Em uma tentativa de evitar que a situação piore, as agências humanitárias da ONU concordaram em aumentar os pontos de distribuição de alimentos nos acampamentos, abrir novos centros de alimentação terapêutica e adotar medidas adicionais para garantir que as crianças desnutridas recebam os complementos nutricionais necessários.

Feisal Omar/Reuters
Criança refugiada em campo de Mogadício, capital somali, prepara fogueira para cozinhar
Criança refugiada em campo de Mogadício, capital somali, prepara fogueira para cozinhar

Trabalhadores comunitários irão de barraca em barraca, onde os refugiados estão abrigados, para buscar as crianças desnutridas que ainda não estão inscritas para receber o tratamento.

Apesar destas ações, Edwards reconheceu que o mais provável é que as taxas de desnutrição se mantenham altas nas próximas semanas até que a situação se estabilize.

O porta-voz disse que na segunda-feira começará o ano letivo no campo de refugiados de Dabaab (Quênia), o maior do mundo com 400 mil residentes –a maioria deles somalis– e onde 40 mil crianças se preparam para começar as aulas, embora os pequenos em idade escolar sejam, na realidade, 156 mil.

Só neste ano chegaram a Dadaab 154 mil novos refugiados, dos quais a metade são crianças. Segundo os cálculos do Acnur, existe um professor –que na maioria dos casos também é refugiado– para cada cem alunos.

DA EFE, EM GENEBRA

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