Oposição diz que permanência de Orlando Silva é insustentável

Líderes da oposição no Congresso avaliam que a permanência do ministro Orlando Silva (Esporte) no cargo é insustentável, já que agora está claro que ele tinha conhecimento de irregularidades na pasta.

A avaliação foi feita após a Folha revelar hoje que Silva autorizou de próprio punho medida que beneficiou uma instituição do policial militar João Dias Ferreira, que agora o acusa de comandar um esquema de desvio de dinheiro publico.

Ministro ajudou ONG sob suspeita em novo contrato
Delator diz que Orlando Silva não aparece em gravações
Dirceu diz que Orlando Silva é alvo de ‘operação política’
Esporte cria sindicância para investigar acusações de PM

Alan Marques – 22.out.2011/Folhapress
O ministro Orlando Silva depõe na Câmara dos Deputados
O ministro Orlando Silva depõe na Câmara dos Deputados

Para o deputado ACM Neto (BA), líder do DEM na Câmara, o fato complica ainda mais a situação do ministro.

“Ele tenta se esquivar desse conjunto de coisas que acontece, mas seus principais auxiliares estão envolvidos e agora a Folhadeixa claro que ele também esta”, disse.

Para o líder tucano na Câmara, deputado Duarte Nogueira (SP), a cada dia que passa o ministro mostra sua fragilidade.

“Ele já deveria ter saído da pasta, a cada dia ele está mais umbilicalmente ligado com as irregularidades na sua pasta”, disse.

O líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), disse que o ministro Orlando Silva (Esporte) deixou sua “digital” no esquema de corrupção que atinge a pasta ao autorizar de próprio punho uma medida que beneficiou uma organização de Ferreira.

“É mais um feito do ministro e que desta vez mostra a digital. É uma prova de que esse esquema tem o DNA do ministro. O principal responsável pelo esquema é o ministro.”

Segundo Dias, o fato de o policial ter dito que não tem provas diretas de envolvimento do ministro não enfraquece as denúncias. “A questão não envolve um confronto entre o policial e o ministro. Precisamos investigar esse quadro de corrupção que pode chegar um desvio de mais de R$ 40 milhões”.

O ministro nega as acusações e diz ter provas contra o policial, que teria descumprido os contratos com a pasta

ALIADOS

Para o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), a denúncia não muda a situação do ministro. “Ele agiu neste caso como em outros convênios. Teve o mesmo comportamento. Nada muda com essa denúncia.”

O líder do PC do B, Inácio Arruda (CE), também considera que não há fato novo. “Não adianta continuar com isso já que o delator disse que não tem provas contra o ministro. O que está ocorrendo é uma inversão total.”

Hoje, a base governista no Senado se mobilizou e derrubou o pedido do líder do PSDB para ouvir dois assessores do ministro do Esporte, que segundo reportagem da “Veja”, ajudaram o policial militar João Dias Ferreira a burlar fiscalização do ministério.

De acordo com a revista, Fábio Hansen, à época chefe de gabinete da Secretaria de Esporte Educacional, e Charles Rocha, então chefe de gabinete da Secretaria Executiva, reuniram-se com o PM em abril de 2008 para instruí-lo a se livrar de uma sindicância da polícia.

ENTENDA O CASO

Orlando Silva é suspeito de participação num esquema de desvio de recursos do programa Segundo Tempo, que dá verba a ONGs para incentivar jovens a praticar esportes. A acusação foi feita à revista “Veja” pelo policial militar João Dias Ferreira.

O soldado e seu motorista disseram à revista que o ministro recebeu parte do dinheiro desviado pessoalmente na garagem do ministério.

Ferreira, que foi à Polícia Federal na segunda-feira (24) para prestar depoimento, disse ter entregado áudios de uma reunião que fez com funcionários da pasta para tentar resolver a prestação de contas de um de seus convênios.

Na semana passada, Ferreira depôs por mais de oito horas na PF. Segundo o policial, seu motorista, Célio Soares Pereira, vai se apresentar esta semana para também prestar depoimento. Célio afirmou à revista “Veja” ter presenciado a entrega de dinheiro na garagem do ministério.

Segundo o ministro, que tem desqualificado o policial militar em entrevistas e nas oportunidades que falou do assunto, disse que as acusações podem ser uma reação ao pedido que fez para que o TCU (Tribunal de Contas da União) investigue os convênios do ministério com a ONG que pertence ao autor das denúncias.

Em nota, o Ministério do Esporte disse que Ferreira firmou dois convênios com a pasta, em 2005 e 2006, que não foram executados. O ministério pede a devolução de R$ 3,16 milhões dos convênios.

De acordo com o ministro, desde que o TCU foi acionado, integrantes de sua equipe vêm recebendo ameaças.

Com a Folha.com

Sobre o editor

Willames Costa
Wíllames Costa
Editor

Instagram

Parceiros do blog