Oposição italiana promete trabalhar por reformas exigidas pela UE

A oposição italiana anunciou nesta quarta-feira que irá colaborar para aprovar o mais rápido possível os orçamentos de 2012, nos quais incluirá uma emenda com algumas das reformas econômicas solicitadas pela União Europeia.

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Após uma reunião de todas as forças que formam a oposição, o porta-voz do Partido Democrata (PD) na Câmara dos Deputados, Dario Franceschini, anunciou a disponibilidade para trabalhar durante o sábado e o domingo para que a Lei de Orçamentos seja ratificada já na semana que vem.

O subsecretário do PD, Enrico Letta, defendeu a aprovação já na segunda-feira da Lei de Orçamentos, para que seja possível trabalhar na criação de um “governo de emergência” diante da “dramática” situação registrada nos mercados.

A Bolsa de Milão perde cerca de 4% e a taxa de risco do país, medida pela diferença entre o bônus nacional a dez anos e o alemão do mesmo prazo, disparou para cerca de 560 pontos básicos, com um rendimento que superava os 7%.

Thierry Charlier/France Press
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Em declarações publicadas nesta quarta-feira pelo jornal “La Stampa”, Berlusconi realiza um chamado a todas as forças políticas para que colaborem para que as medidas prometidas à Europa sejam aprovadas o mais rápido possível.

“É necessário fazer isso rápido e sair o mais rápido possível deste círculo infernal, desta situação incrível com os mercados que empurram e pressionam”, acrescentou.

A contribuição da oposição é imprescindível, já que após o voto de terça-feira na Câmara dos Deputados, ficou comprovado que o governo de Berlusconi pode contar com apenas 308 votos, o que não garante a maioria em qualquer votação.

Em 2 de novembro, um dia antes de começar a cúpula do G20 de Cannes (França), o Conselho de Ministros italiano aprovou, “na última hora”, uma grande emenda aos orçamentos de 2012, na qual foram incluídas as primeiras reformas exigidas por Bruxelas, mas cujo conteúdo ainda é desconhecido.

Os meios de comunicação, citando fontes do governo, anteciparam então que entre estas medidas estava a privatização de algumas empresas públicas locais, assim como a venda de parte do patrimônio imobiliário do Estado.

A emenda aos orçamentos será apresentada nesta quarta-feira na comissão de Contas do Senado para que possa ser votada no plenário na próxima segunda-feira e seguir imediatamente à Câmara dos Deputados.

RENÚNCIA

Cedendo a crescentes pressões políticas, o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, confirmou NA terça-feira que renunciará ao cargo após a aplicação das medidas de austeridade para reduzir o deficit público do país exigidas pela UE.

editoria de arte/folhapress

“Depois da aprovação da Lei de Estabilidade, apresentarei minha demissão, de modo que o chefe de Estado possa abrir as consultas e decidir sobre o futuro”, disse, acrescentando que essa decisão “não me diz respeito”. “Eu vejo só a possibilidade de novas eleições. O Parlamento está paralisado”.

A pressão política pela saída de Berlusconi aumentou com a votação da revisão das contas fiscais de 2010. O projeto passou, mas sem maioria parlamentar. Isso porque a oposição do país, em vez de votar contra, não votou para não atrapalhar a já combalida situação econômica do país.

Do total de 630 parlamentares, 308 votaram a favor do projeto fiscal, um se absteve e 321 não votaram. Assim, o projeto foi aprovado mas o premiê ficou sem a maioria de 316. A votação era considerada um voto de confiança informal no atual governo.

O anúncio veio após uma reunião do premiê com o presidente italiano, Giorgio Napolitano, no palácio do Quirinale, sede da Presidência da Itália, junto a lideranças do partido direitista Liga Norte, da base do governo.

Segundo o comunicado da Presidência, Berlusconi teria dito que tem consciência das implicações da votação e expressou preocupação com a necessidade de dar respostas aos parceiros europeus.

UNIÃO EUROPEIA

Criticado por diferentes setores por sua incapacidade para manejar a crise — negada por ele até poucos dias atrás — Berlusconi introduziu na semana passada uma emenda aos orçamentos de 2012 com as exigências feitas pela UE para garantir a estabilidade financeira do país.

A lei deve ser aprovada antes de 18 de novembro pelo Senado e antes do final de novembro pela Câmara dos Deputados, segundo o calendário fixado.

A renúncia de Berlusconi vinha sendo pedida nos últimos dias com insistência pela oposição de esquerda, assim como pelos sindicatos e pela federação de indústrias ante a delicada situação econômica da Itália, que vem sendo criticada pelos mercados devido a sua colossal dívida pública e um crescimento nulo.

Nos últimos dias, perdeu o apoio de 20 parlamentares de seu partido, em meio a divisões sobre as reformas exigidas ao país pela UE. Até o polêmico líder da Liga Norte, Umberto Bossi, aliado importante para a sobrevivência do governo, e que vinha garantindo a Berlusconi há três anos a maioria absoluta no Parlamento, pediu que ele renunciasse.

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

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