Oposição síria pede proteção; regime bombardeia Homs

Ditador sírio, Bashar Assad (France Presse)

O CNS (Conselho Nacional Sírio), que representa a maioria da oposição ao ditador Bashar Assad, pediu o envio de observadores árabes e internacionais para fornecer proteção aos civis da cidade de Homs, centro da Síria, bombardeada e cercada pelas forças do regime.

O Conselho pediu à ONU, à Organização da Conferência Islâmica e às organizações internacionais árabes que “atuem para conter o massacre que o regime está cometendo em Homs, dando proteção internacional aos civis”.

Tropas e milícias leais a Assad entraram em um distrito residencial da cidade depois que seus tanques bombardearam a região durante seis dias e mataram dezenas de pessoas, ferindo outras centenas, disseram moradores e ativistas nesta segunda-feira.

O bairro de Bab Amro vem sendo um foco da revolta contra o regime. Desertores do Exército que haviam buscado refúgio em Bab Amro e ajudaram a defender o bairro, local de frequentes protestos nas ruas contra o governo autocrático, recuaram e forças legalistas entraram durante a noite.

Em comunicado, o CSN solicita “o envio imediato de observadores árabes e internacionais a Homs para que impeçam o regime de continuar cometendo massacres bárbaros”.

O Conselho pede a intervenção imediata da Liga Árabe para que o regime sírio interrompa a “selvageria” e autorize a entrada de alimentos e material médico.

“Eles estão invadindo casas e estão prendendo pessoas, mas poucos ficaram em Bab Amro. O shabbiha (milícia pró-Assad) trouxe caminhonetes e eles estão saqueando os prédios”, disse por telefone Raed Ahmad, um ativista.

No domingo, a repressão provocou mais 19 mortes, no primeiro dia da festa muçulmana do sacrifício, e a Liga Árabe afirmou que a Síria não está aplicando o plano de saída da crise no país.

ACORDO

O plano da Liga Árabe prevê o fim da violência, a libertação das pessoas detidas durante a repressão, a retirada do Exército das ruas e a livre circulação dos observadores e meios de comunicação internacionais, antes do início de um diálogo entre o regime e a oposição.

O secretário-geral da liga, Nabil al Arabi, convocou Damasco a parar com o “derramamento de sangue” e considerou que não aplicar o plano proposto por sua organização seria “catastrófico” para a Síria e para a região.

Desde quarta-feira da semana passada, quando a Síria aceitou o plano, as forças de segurança mataram mais de 70 pessoas. A Síria não permite a presença da maioria dos jornalistas estrangeiros, o que dificulta a verificação independente dos acontecimentos.

Desde março passado, a Síria é palco de protestos populares contra o regime de Assad, que, segundo a ONU, causaram a morte de aproximadamente 3.000 pessoas, entre elas 187 menores de idade.

O regime diz que militantes islâmicos e grupos armados apoiados por estrangeiros mataram 1.100 membros das forças de segurança desde o início do levante, em março, contra os 41 anos do governo da família Assad e de seu partido Baath.

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

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