Orçamento não existe, diz ‘prefeita’ da Rio-2016

Apesar da existência de um dossiê de candidatura, ainda não é possível determinar o custo da Rio-2016. Isso porque não há um orçamento, segundo a presidente da Empresa Olímpica Municipal, Maria Silvia Bastos Marques.

Paula Giolito – 20.set.2011/Folhapress
Maria Silvia, em entrevista concedida no Palácio da Cidade, em Botafogo, zona sul do Rio
Maria Silvia, em entrevista concedida no Palácio da Cidade, em Botafogo, zona sul do Rio

A postulação carioca previa um gasto de R$ 23 bilhões, fora o comitê organizador.

Nomeada “prefeita” dos Jogos pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), ela afirmou que o município deve ser transparente ao divulgar a diferença entre a estimativa e o orçamento detalhado.

Folha – Eduardo Paes declarou que a senhora será a “prefeita da Olimpíada”. Vai mandar mais que ele?

Maria Silvia Bastos Marques – Eu não fui eleita. Foi uma forma bem-humorada de ele falar que tem que cuidar do dia a dia da cidade.

Como funcionará a empresa?

Será ágil, flexível, e não executora. A principal atividade é coordenar as ações do município para a Olimpíada.

Quando criou-se o cargo houve desconfiança de sobreposição de função com a Autoridade Pública Olímpica (APO).

As responsabilidades estão mais claras. Serei a representante do município no Conselho da APO [presidido por Henrique Meirelles]. Falta definir a Matriz de Responsabilidades. O Márcio [Fortes, presidente da APO] está debruçado nisso. Temos uma visita do COI [Comitê Olímpico Internacional] em novembro. Ao menos a lista dos projetos deverá estar pronta.

O temor é de aumento de custo, como ocorreu no Pan-2007. Como controlar isso?

A melhor forma é se comunicar bem. Quando vai reformar a casa em três meses, tem um custo. Em seis meses, tem outro. O mesmo é na obra pública. Primeira coisa é começar tudo mais cedo. O município tem feito isso. Temos que ter transparência. Você pode falar de um número no projeto preliminar e outro bem diferente no definitivo.

Fortes disse que o valor deR$ 23 bi do dossiê de candidatura pode chegar a R$ 40 bi.

Não conheço esse número, mas muitas coisas já mudaram. O rúgbi e o golfe são esportes incluídos, algumas vilas foram para o Centro…

Esse argumento é parecido ao do ex-prefeito César Maia, quando dizia que, no meio do processo, decidiu-se fazer Pan com padrão olímpico.

O dossiê de candidatura não é um orçamento. Vai se debruçar sobre aquilo para virar um projeto detalhado. Não quero falar em números pois não os conheço. Não posso responder pelo que aconteceu lá atrás, mas terei de responder sobre o que acontecer daqui para a frente.

Com a Folha.com

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