Pais aproveitam intercâmbio dos filhos para estudar no exterior

Acostumada a viajar para o exterior a lazer, a família do economista João de Almeida Sampaio Filho, 45, investe hoje em férias diferentes.

Pais podem prejudicar autonomia do intercâmbio, diz especialista

Com a mulher, Maria Teresa Sampaio, 41, e os filhos Pedro, 14, e Ana Cristina, 18, ele deve viajar em janeiro para a Flórida, para fazer um curso intensivo de inglês.

É a terceira vez que família escolhe ter férias educativas. Em 2007, quando Pedro tinha só dez anos, a família fez as malas para Vancouver, no Canadá, onde passou quatro semanas estudando a língua.

Na época, o intercâmbio em família era raridade. Mas a modalidade tem crescido. Em quatro das maiores agências de intercâmbio do país, esse crescimento chegou a 40% nos últimos dois anos.

Aumento tão expressivo que fez a STB (Student Travel Bureau) criar um departamento para achar acomodação para famílias lá fora.

Pais têm aulas de um lado, filhos de outro. Para os menores, a experiência inclui brincadeiras e passeios com colegas de vários países.

No fim do dia, todos voltam para a casa provisória Ðque pode ser hotel, apartamento alugado ou quarto na casa de uma família local.

  Caio Guatelli/Folhapress  
João de Almeida Sampaio Filho e os filhos Ana Cristina e Pedro
João de Almeida Sampaio Filho e os filhos Ana Cristina e Pedro

SOZINHOS

“Queríamos que as crianças aproveitassem a pouca idade para ampliar o conhecimento de inglês, mas não as mandaria tão cedo sozinhas para um intercâmbio. Seria uma preocupação enorme eles estarem em outro país”, afirma Maria Teresa.

A experiência de estudos nas férias agradou tanto a família que eles embarcaram uma segunda vez em 2009, dessa vez para a Flórida (EUA), para mais aulas.

Levaram junto para a temporada de estudos os avós paternos das crianças e três irmãs de João, com os maridos e filhos –no total, oito crianças e jovens de 8 a 16 anos.

O contador Domingos Savio da Silva, 40, também decidiu optar pelo o que as empresas de intercâmbio chamam de “férias inteligentes”.

Embarcou em julho para aulas em Londres com a mulher e a sobrinha, de 14 anos.

“Minha sobrinha estava com muita vontade de ir [estudar no exterior]. É uma boa menina, tira boas notas, então resolvemos levá-la. Ela acabou conhecendo pessoas de vários países, fazendo passeios, o que fez a diferença.”

O preço, apesar de alto (cerca de R$ 13 mil por um mês, para uma família com três pessoas, incluindo acomodação), costuma ser similar ao de uma viagem de turismo convencional para fora do país.

Com a Folha.com

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