Países do Ibas devem mandar nova missão à Síria

Os chefes de Estado e governo do Ibas (Índia, Brasil e África do Sul) devem mandar uma nova missão tripartite à Síria, para cobrar do governo as reformas prometidas na última visita. Em seu discurso, nesta terça-feira, a presidente Dilma Rousseff optou por um tom mais duro do que o adotado na declaração final pelo grupo. Dilma defendeu o “fim imediato da repressão” do governo sírio.

Ao final do encontro, o ministro Antonio Patriota (Relações Exteriores), reconheceu que “nenhum esforço deu resultado até agora”. A afirmação se referia tanto à missão anterior do Ibas, em agosto, quanto ao projeto de condenação da Síria no Conselho de Segurança da ONU, que acabou vetado por China e Rússia –os três países do Ibas se abstiveram.

Patriota disse ainda que o Ibas espera que sua missão possa ser articulada com uma ação da Liga Árabe para buscar uma saída negociada na Síria. Ele afirmou que irá continuar pressionando o governo sírio, que ainda não recebeu a comissão de investigação nomeada pelo Conselho de Direito Humanos da ONU.

Roberto Stuckert Filho/Presidência
Presidente Dilma desembarca em Pretória, na África do Sul, onde participa nesta terça-feira da Cúpula do Ibas
Presidente Dilma desembarca em Pretória, na África do Sul, onde participa nesta terça-feira da Cúpula do Ibas

Durante a reunião dos chanceleres, no domingo, todos os participantes criticaram a tendência de terceirizar as atribuições do Conselho de Segurança. Os dois principais casos são o Quarteto –que tenta impulsionar negociações entre Israel e palestinos– e a decisão de países envolvidos na intervenção na Líbia de armarem os rebeldes.

Na declaração final, o grupo instou o Quarteto a prestar informações ao Conselho de Segurança em bases regulares.

CRISE INTERNACIONAL

Às vésperas da reunião do G20, a crise internacional foi outro tema do Ibas. A presidente Dilma disse que a Europa precisa chegar a um “acordo credíbil” para evitar que a crise internacional se torne “incontrolável e afete todo o mundo”.

Na declaração à imprensa, ela afirmou que é preciso abandonar “teorias defasadas de um mundo velho por novas formulações para este mundo novo em que vivemos”.

Pela primeira vez desde a criação do Ibas, os líderes dos três países decidiram “racionalizar” os esforços e não farão uma cúpula no próximo ano, quando haverá apenas uma reunião em nível ministerial. Até 2013, quando haverá a cúpula em Nova Déli, eles pretendem enxugar o número de grupos de trabalho do fórum, hoje com 16.

Com a Folha.com

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