Palestinos protestam contra veto dos EUA a plano de Abbas na ONU

Centenas de palestinos saíram nesta quinta-feira às ruas de Ramallah, na Cisjordânia, em protesto contra o veto ao plano de aderir à Nações Unidas como Estado-membro reiterado ontem (21) pelo presidente dos EUA, Barack Obama, ao líder da ANP (Autoridade Nacional Palestina), Mahmoud Abbas.

Na ONU, Dilma defende Estado palestino
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Na ONU, Obama diz que não há atalhos para paz

Os manifestantes, reunidos perto da Muqataa, a sede da presidência da ANP, exibiam faixas com as frases “vergonha dos que se dizem democratas” e “América é a cabeça da serpente”.

Ontem (21), em seu discurso na abertura da 66ª Assembleia Geral das Nações, Obama rejeitou os planos palestinos ao argumentar que “não há atalhos para a paz no Oriente Médio”. Horas mais tarde, encontrou-se com Mahmoud Abbas e reiterou que Washington vai vetar o pedido palestino no Conselho de Segurança da ONU.

Mohamad Torokman/Reuters
Cartaz de palestino diz que Obama está "ao lado dos assassinos" e "contra as vítimas" no Oriente Médio
Cartaz de palestino diz que Obama está “ao lado dos assassinos” e “contra as vítimas” no Oriente Médio

Obama também deixou claro que a amizade entre os EUA e Israel é “profunda” e que seu país jamais deixará de trabalhar para garantir a segurança do Estado hebreu.

Na Cisjordânia, o discurso foi considerado “pró-israelense” e “traidor” à causa dos palestinos.

O principal sindicato palestino pediu por manifestações na sexta-feira em todo o mundo árabe diante das embaixadas americanas.

Mohamad Torokman/Reuters
Estudantes palestinas aderiram aos protestos em Ramallah; sindicato pediu manifestações em todo o mundo árabe
Estudantes palestinas aderiram aos protestos em Ramallah; sindicato pediu manifestações no mundo árabe

Um alto funcionário do Ministério da Informação palestino, Mutawakil Taha, acusou Obama de atuar “como um colono israelense”.

“Quarenta e dois vetos americanos na ONU permitiram a Israel continuar impondo o ‘apartheid’ na região. O discurso de Obama desmascarou os Estados Unidos, que fingem apoiar as revoluções árabes”, declarou.

REUNIÃO

As manifestações chegam um dia depois da reunião entre Obama e Abbas, quando o americano reafirmou sua rejeição ao plano palestino de aderir à ONU como Estado-membro.

“Nós teríamos quer nos opor a qualquer ação no Conselho de Segurança da ONU, incluindo, se necessário, o veto”, afirmou o porta-voz do Conselho Nacional de Segurança da Casa Branca, Ben Rhodes, aos repórteres após a reunião entre os dois líderes.

Obama reiterou a Abbas seu apoio ao estabelecimento de um Estado palestino que “deve surgir de conversas diretas com Israel e não através de iniciativas unilaterais nas Nações Unidas”, acrescentou Rhodes.

Mandel Ngan/France Presse
Obama reiterou durante reunião com Abbas que os EUA vetarão o plano palestinos de adesão às Nações Unidas
Obama reiterou durante reunião com Abbas que os EUA vetarão o plano palestinos de adesão às Nações Unidas

As informações divulgadas sobre a reunião vão na mesma direção do discurso de Obama na abertura da 66ª Assembleia Geral da ONU.

“Estou convencido de que não há atalho para encerrar um conflito que dura décadas. A paz não virá por meio de resoluções na ONU. Se fosse fácil assim, já teria ocorrido”, disse Obama diante dos membros das Nações Unidas, reforçando que entende que muitos estão frustrados com a aparente falta de progresso sobre o impasse.

“Paz é trabalho duro”, afirmou. “No final das contas, são os israelenses e palestinos –não nós– que precisam chegar a um acordo sobre as questões que os dividem: sobre fronteiras e segurança; sobre refugiados e Jerusalém”.

Spencer Platt/France Presse
Presidente americano, Barack Obama, discursa durante abertura da Assembleia Geral da ONU
Presidente americano, Barack Obama, discursa durante abertura da Assembleia Geral da ONU

Como exemplo de negociações bem sucedidas, o presidente americano citou o caso do Sudão, onde, segundo ele, o diálogo levou a um novo Estado independente. O Sudão do Sul estreou como Estado pleno da ONU nesta quarta-feira, após ter sua independência oficializada.

Segundo o presidente, é por acreditar tanto no direito do povo palestino em ter um Estado próprio que os EUA dedicaram tanto tempo à resolução do impasse na região. Obama defendeu também que os apoiadores da causa palestina não contribuem ao ignorar as circunstâncias que levou o povo judeu a chegar a Israel.

Danilo Bandeira/Editoria de Arte/Folhapress

“Só teremos sucesso nesse esforço [pela paz] se conseguirmos que os dois lados sentem e ouçam seus medos e seus desejos”, disse Obama.

BAN E NETANYAHU

Horas antes do encontro entre Abbas e Obama, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu ao primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, que atue com “responsabilidade e moderação” diante da iniciativa palestina de buscar o reconhecimento pleno como Estado na organização.

“O secretário-geral pediu ao primeiro-ministro que atue com responsabilidade, sabedoria e moderação em relação à proposta palestina diante das Nações Unidas”, indicou o porta-voz da ONU Martin Nesirky, após uma reunião entre os dois que ocorreu em paralelo à 66ª Assembleia Geral das Nações Unidas.

“O secretário-geral reiterou seu apoio a um Estado palestino, convivendo com um Israel seguro”, disse Nesirky.

Ban “enfatizou a necessidade de decisões históricas das duas partes nesse momento crítico”, destacou.

DILMA

As declarações de Ban a Netanyahu chegam no mesmo dia em que a presidente Dilma Roussef defendeu a adesão do Estado palestino à ONU em seu discurso histórico como a primeira mulher a abrir uma Assembleia Geral das Nações Unidas.

A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quarta-feira que “chegou a hora” de um Estado palestino se converter em membro pleno das Nações Unidas, ao inaugurar a 66ª sessão da Assembleia Geral da ONU.

“Chegou o momento de ter representada a Palestina a pleno título”, afirmou Dilma, deixando clara a posição do Brasil em meio a intensas negociações para evitar uma crise diplomática pelo pedido de adesão dos palestinos à ONU.

Segundo a presidente, o reconhecimento do Estado palestino ajudará a obter uma “paz duradoura no Oriente Médio” e “apenas uma Palestina livre e soberana” poderá atender aos pedidos de Israel por segurança.

“Venho de um país onde árabes e judeus são compatriotas”, completou. Ouviram-se aplausos na sala de reunião da assembleia.

Por tradição, o Brasil inaugura os debates anuais da Assembleia Geral da ONU, e por isso Dilma foi a primeira chefe de Estado a falar na tribuna ante os líderes mundiais reunidos em Nova York, antes do presidente americano, Barack Obama. Essa também foi a primeira vez que uma mulher abriu a sessão, o que foi lembrado por Dilma.

“Pela primeira vez, na história das Nações Unidas, uma voz feminina inaugura o debate geral. É a voz da democracia e da igualdade se ampliando nesta tribuna que tem o compromisso de ser a mais representativa do mundo.”

“Tenho a certeza que este será o século das mulheres”, acrescentou.


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