Papandreou renuncia a cargo de premiê em discurso na TV

O premiê grego, George Papandreou, anunciou em discurso na TV que renuncia nesta quarta-feira, mas não disse quem vai ficar no seu lugar.

No anúncio, ele afirmou ainda que a Grécia fará “tudo o que for necessário” para continuar membro da zona do euro e demonstrará ao mundo que é um país capaz de se manter unido, apesar da crise econômica e financeira que enfrenta atualmente.

Veja galeria de fotos de Papandreou
Chefe do FMI alerta sobre “década perdida” da economia global
Análise: Aumento das incertezas agrava crise da Itália
Inspetores da UE começam supervisão das reformas da Itália

Sem dizer quem irá substitui-lo, ele explicou que sua decisão de pedir demissão oficialmente tem o intuito de facilitar o caminho para o novo governo de coalizão nacional, que deve comandar o país até as eleições programadas para o dia 19 de fevereiro.

Yiorgos Karahalis/Reuters
Papandreou acena ao chegar para encontro com presidente em Atenas no palácio presidencial
Papandreou acena ao chegar para encontro com presidente em Atenas no palácio presidencial

“Eu gostaria de desejar todo o sucesso para o novo primeiro-ministro e, claro, para o novo governo, Estarei ao lado deles e os apoiarei com toda a minha força”, afirmou ele em discurso à nação.

Papandreou garantiu ainda que o país irá implementar o plano de resgate europeu acertado em outubro para balancear as contas nacionais e evitar um default (suspensão dos pagamentos) na Grécia.

A agência de notícias Reuters, citando fontes anônimas, disse que os principais partidos políticos gregos decidiram que o líder do Parlamento da Grécia, Filippos Petsalnikos, deve comandar o novo governo de união nacional.

Ontem, os ministros do gabinete de Papandreou colocaram à disposição do premiê seus cargos, medida que segue na direção da formação de um novo governo.

Papandreou se reúne ainda hoje com o presidente Karolos Papulias para discutir a situação política do país. Há dias, os dois principais partidos gregos tentam entrar em um acordo sobre quem deve liderar o governo.

Quem assumir o poder na Grécia tem como meta principal fazer com que o acordo europeu de resgate ao país seja aprovado no Parlamento. Quem assumir, fica no poder até fevereiro de 2012, para quando foram agendadas eleições antecipadas na Grécia. A data marcada deve dar tempo suficiente para completar o prazo de redução da dívida do país, como parte de um acordo feito com a UE (União Europeia) em 26 de outubro.

A crise que abalou o governo veio na semana passada, após uma tentativa frustrada de Papandreou de convocar um referendo sobre o resgate europeu à Grécia.

RESGATE

Em reunião realizada na segunda-feira em Bruxelas, o grupo do euro impôs como condição que o novo governo se comprometa por escrito com um calendário de medidas de ajuste. Só então será entregue o sexto lance creditício de 8 bilhões de euros de parte da zona do euro e do FMI (Fundo Monetário Internacional), indispensável para evitar a quebra do país.

“Pedimos às novas autoridades da Grécia que enviem uma carta, firmada pelos dois partidos do novo governo”, reafirmando seu compromisso com o plano de ajuda financeira recentemente acertado, disse o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker. Sem o dinheiro, a Grécia entrará em “default” em meados de dezembro.

Os especialistas da “troika” composta pelo BCE (Banco Central Europeu), Comissão Europeia e FMI irão a Atenas em breve para acertar os detalhes do segundo pacote de ajuda à Grécia, prometido em outubro e que substitui o plano de 21 de julho.

Para apoiar países como Itália e Espanha, os ministros delinearam o fortalecimento do EFSF (sigla em inglês para Fundo Europeu de Estabilidade Financeira), visando ampliá-lo a um trilhão de euros, mediante um mecanismo de investimento para compra da dívida dos mais frágeis, com garantia de 20% a 30% de eventuais perdas.

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

Sobre o editor

Willames Costa
Wíllames Costa
Editor

Instagram

Parceiros do blog