Parlamento italiano aprova reformas, mas sem maioria

O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi conseguiu aprovar no Parlamento, mas sem maioria, as contas do Estado de 2010, em uma votação crucial no momento em que tanto a oposição como a base aliada pedem sua renúncia.

O Orçamento foi aprovado por 308 votos, bem abaixo do limite de 316 para uma maioria absoluta. Não houve nenhum voto contrário. Como anunciado mais cedo, 321 deputados –a maior parte da oposição– não participaram da votação, como forma de protesto e para demonstrar que Berlusconi não tem mais a maioria na casa.

O líder da oposição italiana, Pierluigi Bersani, pediu a demissão do premiê diante da falta de maioria na Câmara dos Deputados.

“O governo não tem maioria nesta assembleia”, afirmou Bersani, líder do Partido Democrático (PD).

Vincenzo Pinto/France Presse
O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, olha os números de votos após a aprovação das contas do Estado
O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, olha os números de votos após a aprovação das contas do Estado

Ele pediu ainda que Berlusconi deixe que o presidente da República, George Napolitano, procure uma solução para a atual crise do país.

“Todos nós sabemos que a Itália está correndo um risco real nos próximos dias de não ter acesso aos mercados financeiros”, acrescentou Bersani, em referência ao aumento recorde dos juros italianos, como consequência das incertezas políticas que o país vem enfrentando nas últimas semanas.

A votação-chave sobre o Orçamento, em meio ao temor de que o país seja a próxima vítima da crise na zona do euro, era muito esperada porque poderia indicar se Berlusconi, que já sobreviveu a mais de cinquenta votos de confiança, de acordo com a BBC, manteria ou não o apoio da maioria parlamentar.

Um parecer negativo no Parlamento poderia fazer com que Berlusconi se visse obrigado a renunciar.

Ele enfrenta grande pressão e perdeu o apoio de parte da bancada governista em meio à crescente crise política e econômica que ameaça desestabilizar ainda mais a economia europeia.

PERMANÊNCIA OU RENÚNCIA

Passada a votação decisiva no Parlamento italiano, agora Silvio Berlusconi vai decidir o que fazer sobre sua permanência no cargo.

Vincenzo Pinto/France Presse
O primeiro-ministro Silvio Berlusconi (esq.) ao lado do líder da Liga do Norte, Umberto Bossi, antes da votação
O primeiro-ministro Silvio Berlusconi (esq.) ao lado do líder da Liga do Norte, Umberto Bossi, antes da votação

Após a sessão que aprovou as contas do Estado sem maioria, o premiê entrou em reunião com os ministros da Economia, Giulio Tremonti, do Interior, Roberto Maroni, e com Umberto Bossi, líder do partido de direita Liga Norte, da base do governo.

Antes dos deputados votarem, Berlusconi havia declarado que esperaria o resultado para decidir se renuncia ou não da Presidência do Conselho de Ministros do país.

Fontes próximas ao premiê haviam afirmado que a intenção dele era ouvir a cúpula de seu partido, o Povo da Liberdade (PDL) e da Liga Norte antes de tomar uma decisão.

Antes da votação, o principal aliado de Berlusconi, Umberto Bossi pediu que ele ceda à intensa pressão política e dos mercados e renuncie ao cargo, antes de uma votação no parlamento que será um teste crucial para sua sobrevivência política.

“Pedimos que ele afastasse”, afirmou o chefe da Liga Norte, Humberto Bossi, sócio de Berlusconi na coalizão de centro-direita no poder.

O aliado, que se reuniu com Berlusconi na noite segunda-feira, sugeriu que o deputado Angelino Alfano, secretário-geral do governista Partido da Liberdade, de centro-direita, assuma o cargo de primeiro-ministro.

Alfano, ex-ministro da Justiça do governo de Silvio Berlusconi, é atualmente secretário-geral do PDL (Povo da Liberdade –partido de Berlusconi), e seu nome poderia receber um apoio relativamente grande para liderar um governo de transição no qual entraria a oposição centrista.

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

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