Polícia dispersa manifestantes antigoverno em Istambul, na Turquia

Mulheres se protegem durante confronto próximo à Praça Taksim, em Istambul, na Turquia, nesta segunda-feira (8) (Foto: Vadim Ghirda/AP)

Mulheres se protegem durante confronto próximo à Praça Taksim, em Istambul, na Turquia, nesta segunda-feira (8) (Foto: Vadim Ghirda/AP)

A polícia da Turquia interviu nesta segunda-feira (8) para dispersar centenas de manifestantes que tentavam se aproximar do parque Gezi, reduto dos protestos contra o o governo em Istambul.

No sábado, as forças de ordem lançaram bombas de gás lacrimogêneo e utilizaram jatos d’água para dispersar milhares de pessoas que queriam chegar à praça Taksim de Istambul.

Convocados pelo grupo Solidariedade Taksim, que originou a contestação ao governo, os manifestantes enfrentaram o grande dispositivo de segurança mobilizado pela polícia anti-distúrbios, que bloqueava sua passagem em direção à praça, e se dispersaram na grande avenida de pedestres Istiklal e nas ruas adjacentes.

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Várias pessoas foram presas, de acordo com a imprensa turca. Entre os detidos, há dois homens acusados de atacar manifestantes com arma branca, anunciou o governador de Istambul, Huseyin Avni Mutlu, em sua conta no Twitter.

No início de junho, um Tribunal de Istambul invalidou o controverso projeto de urbanização da área da Taksim, alegando que a população não havia sido consultada e que viola sua “identidade”. Essa decisão, que foi divulgada apenas esta semana, foi comemorada como uma vitória pelos opositores do projeto.

Várias horas antes desses novos incidentes, o governador Avni Mutlu lembrou aos manifestantes que as reuniões na praça Taksim estão proibidas.

No dia 31 de maio, a polícia turca agiu violentamente para retirar centenas de militantes ambientalistas que se reuniram no parque Gezi para mostrar sua rejeição à retirada das 600 árvores do local, como parte de um projeto urbanístico.

Esse projeto, defendido pelo primeiro-ministro e ex-prefeito de Istambul, Recep Tayyip Erdogan, previa a reconstrução de uma antiga caserna otomana no lugar do parque e a escavação de túneis, para entregar o local para os pedestres.

A violência dessa intervenção provocou a ira de muitos turcos e transformou o movimento de defesa do parque Gezi em uma ampla contestação política contra o governo, no poder desde 2002.

Segundo estimativas da polícia, cerca de 2,5 milhões de pessoas foram às ruas em pelo menos 80 cidades, durante três semanas, para exigir a renúncia do premier, acusado de comportamento autoritário e de querer “islamizar” a sociedade turca.

O parque Gezi foi ocupado por mais de duas semanas por milhares de manifestantes, até serem desalojados pela força policial em 15 de junho. Os protestos deixaram quatro mortos – três manifestantes e um policial – e quase 8.000 feridos, segundo o último balanço da Associação dos Médicos.

Da AFP

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