Polícia Federal mira Ricardo Teixeira e confederação

Dez meses após escapar de um processo judicial por denúncia de lavagem de dinheiro, sem que a acusação tivesse sido esclarecida, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, voltará a ser investigado pela Polícia Federal por suspeita do mesmo crime.

A confederação também será investigada, segundo informou à Folha o delegado Victor Hugo Poubel, chefe da Delegacia de Repressão aos Crimes Financeiros da Superintendência da PF no Rio, que conduzirá o inquérito.

Segundo ele, o inquérito é para apurar suspeita de evasão de divisas e de lavagem de dinheiro. Teixeira deverá ser intimado na próxima semana a prestar depoimento.

O principal alvo do inquérito é a empresa Sanud Etablissment, sócia de Teixeira em empreendimentos no Brasil. Para o procurador da República Marcelo Freire, do Rio, que solicitou o inquérito, a Sanud seria do próprio cartola, para trazer dinheiro do exterior não declarado ao Fisco e ao Banco Central.

A Sanud foi investigada pela PF em 2004. O trabalho foi prejudicado por um habeas corpus obtido por Teixeira, que impediu o rastreamento da empresa no exterior.

Teixeira foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF), em 2008, por suposto crime de lavagem de dinheiro, por receber US$ 599.964 (cerca de R$ 1 milhão) de conta da Sanud na Suíça. As remessas, em 1996 e 1997, foram descobertas pela CPI do Futebol, em 2001. A verba foi investida na RLJ Participações, de Teixeira.

A denúncia foi aceita pelo juiz da 6ª Vara Federal do Rio, em 2009. Mas, em dezembro do ano passado, a ação foi arquivada, na segunda instância judicial. Os desembargadores consideraram que já havia se esgotado o prazo para punição do suposto crime.

Antonio Lacerda/Efe
O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, no Rio, em julho de 2011
O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, no Rio, em julho de 2011

No primeiro inquérito, a PF não respondeu a pergunta elementar para explicar a origem do dinheiro: quem é o dono da Sanud?. Para o MPF, a Sanud pertence ao próprio Teixeira, para “esquentar” dinheiro sem origem declarada, obtido no exterior.

O novo inquérito foi aberto em razão das reportagens do jornalista inglês Andrew Jennings, exibidas pela BBC (Londres), que acusou Teixeira de receber US$ 9,5 milhões em propinas de uma empresa de marketing ligada à Fifa, que teriam sido depositados na conta da Sanud. Seriam depósitos posteriores à investigação da PF em 2004.

MORTOS NÃO FALAM

Teixeira negou, na Justiça, ser dono da Sanud e afirmou desconhecer o proprietário da empresa. Seus advogados alegaram que as duas pessoas que poderiam dar o nome do proprietário –o contador Fernando Pacheco Simões e o advogado Alberto Ferreira da Costa– já morreram.

Simões, ex-contador de Teixeira, morreu em 2008. O advogado Alberto Costa era sogro do irmão do dirigente, Guilherme, e procurador da Sanud. Morreu em 2010.

A RLJ, da qual a Sanud tem 51% do capital, é proprietária da fazenda Agropecuária Santa Rosa, em Piraí (RJ), e de outros imóveis do cartola.

A assessoria da CBF disse que Teixeira colaborará na investigação da PF, mas que considera o objeto da investigação “assunto requentado” e reedição do inquérito que nada provou contra ele.

Com a Folha.com

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