Polícia perde contato com suspeito de massacre na França

 

O ministro do Interior da França, Claude Guéant, disse nesta quinta-feira (22) que durante a madrugada não foi possível estabelecer contato com o suposto assassino de sete pessoas em Toulouse e na região nos últimos dias. O cerco ao rapaz, entrincheirado num apartamento do bairro de Croix-Daurade, já entrou no segundo dia.

“São contempladas todas as hipóteses. Temos uma prioridade, que é entregá-lo à Justiça, e para isso é preciso detê-lo vivo. Esperamos que siga vivo”, afirmou Guéant à emissora de rádio “RTL”.

Morrer com as armas na mão
O ministro Guéant disse que Mohammed Merah, o suposto assassino, prometera entregar-se às 22h45 de quarta-feira (21), mas, quando se restabeleceu contato ele mudou de discurso. O rapaz teria dito que “queria morrer com as armas nas mãos”.

“Desde então, e apesar dos esforços para restabelecer o contato por rádio e a viva voz, não houve nenhum contato, nenhuma manifestação por sua parte”, afirmou Guéant. “Houve um momento em que foram ouvidos disparos, mas não sabemos a que correspondem”, acrescentou.

O cerco ao suspeito de atirar e matar um adulto e três  alunos de uma escola judaica em Toulouse e de três militares,  dura mais de 24 horas. Ele permanece num apartamento desde a madrugada desta quarta.

O suspeito reivindicou a autoria de três ataques, nos quais disse ter agido “sozinho”, disse o procurador de Paris, François Molins. “Ele não manifesta arrependimento algum”, a não ser por “não ter feito mais vítimas”, e se vangloria de ter “colocado a França de joelhos”, acrescentou o procurador.

Pouco antes, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, afirmou a representantes da comunidade judaica que o suspeito pretendia executar um novo ataque, segundo uma das representantes.

Imagem liberada pela rede de TV France 2 mostra rosto do suposto atirador de Toulouse (Foto: AP/France 2)Imagem liberada pela rede de TV France 2 mostra rosto do suposto atirador de Toulouse (Foto: AP/France 2)

Nicole Yardeni, delegada local do Conselho Representativo de Instituições Judaicas (Crif), afirmou que Sarkozy fez a revelação durante uma reunião com representantes das comunidades religiosas em Pérignon, perto do local onde o suspeito está cercado pela polícia. “[Ele] tinha um plano para matar na manhã desta quarta-feira”, disse Yardeni.

O atirador teria afirmado que tem ligação com a rede terrorista da al-Qaeda e que matou crianças israelenses para “vingar crianças palestinas”, segundo o ministro do Interior, Claude Guéant.

Guéant também disse que Merah afirmou ter  se recusado a praticar um atentado suicida para a al-Qaeda, mas que teria aceito “uma missão geral” para um atentado na França.

Merah teria dito que recebeu instruções da al-Qaeda durante sua viagem ao Paquistão.

O cerco à casa foi feito por policiais da RAID, a tropa de elite da França. No final da manhã, os moradores foram retirados das casas próximas. Três policiais ficaram feridos sem gravidade, um no joelho, outro no ombro e um terceiro atingido por disparo contra o colete a prova de balas.

Presidente francês chega para encontro com policiais em Toulouse nesta quarta (21) (Foto: AP)
Presidente francês chega para encontro com
policiais em Toulouse nesta quarta (21) (Foto: AP)

De acordo com relatos, o homem não mantinha nenhum refém no local.

A mãe do suspeito, seu irmão e a companheira dele foram detidos como parte da investigação. As detenções para investigação, que segundo a lei francesa podem durar até quatro dias em casos de terrorismo, aconteceram na manhã desta quarta. O ministro Guéant afirmou que são detenções preventivas.

Explosivos foram encontrados no carro de um dos irmãos do suspeito.

O suspeito era investigado pela Direção Central de Informação Interna (DCRI), desde um primeiro atentado em Montauban, quando dois soldados foram mortos.

No dia 11 de março, este homem teria matado também um soldado de origem magrebina em Toulouse.

No dia 15, ele atirou em três soldados do regimento de paraquedistas na cidade vizinha de Montauban – dois de origem magrebina e o terceiro de origem caribenha – matando dois e ferindo um gravemente.

Polícia bloqueia quarteirão em operação para prender suspeito de ataque a escola judaica (Foto: Pascal Parrot/Reuters)Polícia bloqueia quarteirão em operação para prender suspeito de ataque a escola judaica (Foto: Pascal Parrot/Reuters)

Os investigadores foram capazes de reconstituir parte do percurso do assassino desde o dia 6 de março, quando roubou a scooter que foi utilizada até o último ataque, na segunda-feira (19).

No período de 14 dias, o homem agiu a cada quatro dias e a cada vez utilizou uma scooter e duas armas calibre 9mm e 11.43, além de um capacete para evitar ser reconhecido.

Em todos os casos, o criminoso disparou na cabeça das vítimas “à queima roupa”, destacou o promotor de Paris Francois Molins, responsável por esta investigação de terrorismo classificado.

* Com informações das agências de notícias Associated Press, Efe, France Presse e Reuters

Fonte: Do G1, com agências internacionais *

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