Polícia procura acusado de espancar enteado de 5 anos no Rio

A polícia do Rio está à procura desde a semana passada de um padrato suspeito de espancar, em março, o enteado de cinco anos na casa em que morava, na Pavuna, zona norte do Rio.

Segundo o Ministério Público, a Justiça aceitou denúncia contra ele pelo crime de tortura e decretou sua prisão preventiva. Até a manhã desta terça-feira, ele ainda estava foragido.

A denúncia aponta que Oliveira “submetia o enteado a intenso sofrimento físico e mental”. O menino foi encontrado pela mãe no dia do crime com os olhos roxos e hematomas espalhados pelo corpo. A mãe, de 27 anos, disse à Folha que ficou “surpresa e assustada” ao encontrar o filho machucado em casa quando voltava do trabalho.

“Para esconder a agressão, ele me falou que o I. tinha se ferido porque caiu no banheiro. Fiquei muito assustada. Não sabia que esse maldito tinha feito isso com o meu filho. A primeira coisa que eu fiz foi correr com ele para o hospital”, disse a mulher, que trabalha como operadora de caixa.

De acordo com a mãe da criança, o menino ficou dois dias internado na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) de Marechal Hermes (zona norte). O boletim médico da unidade aponta que a criança foi vítima de chineladas e socos.

Divulgação/MPRJ
Imagens divulgadas pelo Ministério Público do Rio mostram marcas de agressão sofridas por I., 5
Imagens divulgadas pelo Ministério Público do Rio mostram marcas das agressões sofridas por I., 5

A promotora da Vara da Infância e da Juventude, Andréa Amin, contou que o garoto e a irmã dele, de 7 anos, estavam sozinhos em casa com o suspeito, enquanto a mãe trabalhava. A denúncia descreve que, ao tomar conhecimento da gravidade dos ferimentos (hematomas do pescoço para cima), a mãe levou o filho à UPA.

“Dois dias depois, o IML (Instituto Médico Legal) constatou sinais de espancamento, marcas de enforcamento, crânio afundado e problemas de visão. O caso foi registrado na 39ª DP (Pavuna). Atualmente, I. mora com a avó paterna, por determinação do Conselho Tutelar, e a menina com a tia materna”, destaca o relatório do Ministério Público.

O pai da criança, de 31 anos, disse à Folha que a mãe das crianças é “conivente” com as agressões. “A mãe dele também participou da agressão”, disse.

“Meu filho está com o psicológico bom, mas a gente acha que ele ficou com um probleminha auditivo porque está falando muito alto. Ele diz que ela [mãe] bateu na cara dele com uma colher de pau grande. E enquanto ela batia nele, o Jorge Luís dava soco na barriga dele e pisava nas mãozinhas dele”, afirmou.

Os depoimentos dados ao Ministério Público também apontam que os irmãos vinham sofrendo agressões físicas e psicológicas. A avó está com a guarda provisória do menino.

O Ministério Público informou que o Disque-Denúncia recebeu ligações informando que as crianças estavam sofrendo ameaças de morte e de novas agressões, caso relatassem os maus-tratos a outras pessoas ou à polícia.

A Promotoria de Justiça da Infância e da Juventude também investiga, em outro procedimento, a suspeita de negligência da mãe das crianças nos episódios de agressão.

Com a Folha.com

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