Premiê grego marca reunião com ministros para definir coalizão

O primeiro-ministro da Grécia, Yorgos Papandreou, convocou uma reunião do Conselho de Ministros para a tarde de domingo (6).

O compromisso acontece logo após o encontro marcado com o líder da oposição, Antonis Samaras, com o presidente Carolos Papulias.

A sessão extraordinária vai ocorrer às 18h de Brasília.

  Petros Giannakouris -2.nov.11/Associated Press  
Líder conservador da oposição, Antonis Samaras, que foi convocado pelo presidente grego para conversar sobre acordo
Líder da oposição, Antonis Samaras, que foi convocado pelo presidente grego para conversar sobre acordo

Em comunicado emitido hoje, o porta-voz Ilías Mosilaos já sinalizara que o presidente iria convocar “líderes políticos de imediato para explorar a possibilidade de uma colaboração entre as forças políticas”.

“O único objetivo é servir o interesse nacional e aplicar de imediato o acordo alcançado em Bruxelas no dia 26 de outubro”, disse o porta-voz (leia mais sobre o acordo abaixo).

REJEIÇÃO

Hoje, o líder da oposição da Grécia rejeitou neste sábado a proposta do primeiro-ministro George Papandreou de formar um governo de coalizão e reiterou sua exigência de eleições antecipadas.

“Insistimos no pedido de imediatas eleições [legislativas] para sair o mais rápido possível deste pesadelo”, exclamou Samaras às câmeras de televisão na sede de seu partido. “Papandreou envergonhou ontem o Parlamento [quando o Legislativo teve de votar uma moção de confiança ao governante]”.

  John Kolesidis/Reuters  
Primeiro-ministro da Grécia, George Papandreou, chega ao palácio presidencial, em Atenas, neste sábado
Primeiro-ministro da Grécia, George Papandreou, chega ao palácio presidencial, em Atenas, neste sábado

Em mensagem implícita dirigida aos parceiros europeus, o oposicionista destacou que seu partido está disposto a aceitar o acordo pactuado em Bruxelas na semana passada, que inclui um segundo resgate financeiro para evitar a quebra da Grécia e um perdão de 50% da enorme dívida do país, em troca de maiores medidas de austeridade econômica.

A Nova Democracia se mostrou disposta a aprovar o acordo, mas só com um governo transitório, sem Papandreou, que permita a adoção dos compromissos pactuados com a zona do euro e convoque eleições legislativas antecipadas.

“O país precisa de um governo forte e do apoio do povo, por isso pedimos eleições imediatas”, declarou o líder opositor.

George Papandreou declarou neste sábado, depois de se reunir com o presidente do país, Karolos Papoulias, que avança nas negociações para formar um governo de coalizão.

“No próximo período, vou realizar reuniões com esse objetivo”, disse Papandreou à imprensa após um encontro de 45 minutos com o chefe de Estado no Palácio Presidencial.

Papandreou chegou à residência do presidente grego horas após ganhar por escassa margem um voto de confiança no Parlamento na madrugada deste sábado. “Farei o possível para formar um governo de ampla cooperação”, disse o premiê ao chegar ao palácio presidencial.

“Meu alvo é criar imediatamente um governo de cooperação”, disse ele ao presidente, na presença de repórteres, antes de os dois líderes iniciarem conversas a portas fechadas. “Uma falta de consenso preocuparia nossos parceiros europeus a respeito da vontade de nosso país de permanecer na zona do euro”.

Durante o encontro, Papandreou ressaltou que o cumprimento da Grécia com os compromissos estipulados com os parceiros europeus representa uma condição para que o país se mantenha na zona do euro.

O premiê também disse ao presidente Karolos Papoulias que a Grécia tem de evitar antecipar as eleições. Mais cedo, o líder da oposição grega, Antonis Samaras, do partido conservador Nova Democracia, já havia pedido eleições antecipadas, considerando que elas são a “única solução” para a crise do país.

Sem dizer quando pode sair, Papandreou, que liderou a Grécia por dois anos de turbulência política, econômica e social, disse que está pronto para discutir quem deve liderar o governo que comandaria até as eleições, provavelmente no começo do próximo ano.

VOTO DE CONFIANÇA

Em uma manobra vista como crucial para garantir o acordo de ajuda financeira assinado entre a Grécia e a “troika” formada pela União Europeia (UE), Banco Central Europeu (BCE) e o FMI (Fundo Monetário Internacional), George Papandreou obteve um voto de confiança no Parlamento na madrugada deste sábado por uma margem muito apertada.

Com 153 votos a favor e 147 contra, o premiê obteve apoio dos parlamentares após uma intensa semana de negociações e altos e baixos durante as discussões entre seu governo, a oposição e os europeus, que chegaram a convocá-lo para uma reunião emergencial em Cannes na quarta-feira após ele ter anunciado a ideia de propor um plebiscito sobre o pacote de ajuda –posteriormente rejeitado.

ENTENDA

O anúncio do premiê grego de que iria submeter o pacote de resgate a um referendo popular –depois cancelado– ameaçou intensificar a crise da zona do euro, gerou críticas de líderes europeus, derrubou as principais bolsas e levou a oposição pedir a saída de Papandreou.

“Este anúncio pegou a Europa inteira de surpresa”, disse Sarkozy. “O plano é a única maneira de resolver o problema da dívida da Grécia.”

Os líderes da zona do euro concordaram, no dia 26 de outubro, em conceder a Atenas um segundo pacote bilionário de resgate e um corte de 50% em sua dívida. Em contrapartida, a Grécia deve se comprometer em continuar com uma política de cortes de gastos como privatizações, redução de empregos públicos e cortes salariais.

  Editoria de Arte/Folhapress  
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