Primeiro turno das eleições legislativas termina sem incidentes no Egito

O primeiro turno das eleições legislativas egípcias –que significam uma ruptura com o regime de Hosni Mubarak– terminou na noite desta terça-feira sem incidentes, apesar do temor que esxistia devido ao risco de uma onda de violência.

As seções eleitorais nas nove regiões onde foi celebrado o pleito — correspondentes a um terço do país– começaram a fechar às 15h de Brasília, mas a Alta Comissão Eleitoral anunciou que as seções continuariam abertas para permitir a votação de eleitores que ainda continuavam nos locais.

Amr Abdallah Dalsh/Reuters
Mostafa Aly, 9, aguarda pelos pais em frente a centro de votação no Cairo; pleito ocorre sem incidentes
Mostafa Aly, 9, aguarda pelos pais em frente a centro de votação no Cairo; pleito ocorre sem incidentes

Vaiado nas recentes manifestações maciças no país para pedir uma transferência rápida do poder a uma autoridade civil, o marechal Tantawi expressou satisfação sobre a forma como as eleições transcorreram.

O marechal Tantawi está “feliz por constatar a participação maciça dos cidadãos, em especial de mulheres e jovens”, afirmou Ismail Etmane, do Conselho Supremo das Forças Armadas, que assegurou que a taxa de participação atingiria 70%.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, “cumprimentou o povo do Egito” por “sua determinação em conseguir uma mudança democrática” e saudou a calma como a votação se passou.

Ban Ki-Moon “saúda a população e as autoridades do Egito por sua participação entusiasmada nesta primeira etapa do processo eleitoral e pela calma e a ordem com que transcorreu a votação”, acrescentou o porta-voz do secretário-geral da ONU, Martin Nesirky.

RESULTADOS

Os primeiros resultados parciais serão anunciados a partir de quarta-feira, segundo a Alta Comissão Eleitoral.

Na hora do fechamento, os últimos eleitores deixavam as seções eleitorais na escola de nível fundamental Fuad Galal, na velha Cairo.

Este foi o segundo dia do primeiro turno das primeiras eleições legislativas desde a queda do ex-ditador Hosni Mubarak, que a imprensa qualificou de “prova de democracia” bem sucedida pela alta participação e ausência de incidentes.

Os Estados Unidos comemoraram a votação, sobre a qual, segundo o Departamento de Estado, os observadores independentes presentes no Egito tiveram impressões “positivas”.

O primeiro turno eleitoral de dois dias foi realizado com um terço das regiões do Egito, incluídas as cidades de Cairo e Alexandria, as duas mais populosas, e 17,5 milhões dos 40 milhões de eleitores inscritos. Serão eleitos 168 dos 498 deputados da Assembleia do Povo.

País árabe mais populoso, o Egito tem população de 80 milhões de pessoas.

PROCESSO ELEITORAL

As eleições dos deputados da Assembleia do Povo devem terminar em 11 de janeiro e a da Shura (Câmara Alta consultiva), em 11 de março.

Analistas avaliam que a Irmandade Muçulmana do Partido Liberdade e Justiça (PLJ) serão, ao final das eleições, a primeira força política do Egito, em sintonia com a Tunísia e o Marrocos, onde as eleições consagraram vencedores partidos islamitas.

Nos últimos dias de campanha eleitoral, a repressão das manifestações deixou 42 mortos e mais de 3.000 feridos.

Com a Irmandade Muçulmana competem dezenas de partidos, entre eles os salafistas (muçulmanos fundamentalistas), de criação recente e sem implantação nacional.

Muitos deputados do partido de Mubarak, proibido, tentam se eleger como candidatos independentes ou em novos partidos.

DA FRANCE PRESSE, NO CAIRO
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

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