Projeto “O Autor na Escola” chega ao NH I

Na tarde desta terça-feira (13) foi a vez da Escola Municipal Bom Jesus, no NH I – Projeto Curaçá, receber o projeto “O Autor na Escola” da Secretaria de Educação e Esportes de Juazeiro. Alunos do Ensino Fundamental II foram presenteados com a visita de Daniel José Paulino, que assina o livro “No Viver do Vale das Águas”, lançado em 2010 com o apoio da Prefeitura Municipal. Quatro escolas já foram beneficiadas com a iniciativa que tem como objetivo estimular a leitura e promover o contato do escritor, do contador de histórias, e estórias, com as crianças.

 Segundo a gerente de Ensino Fundamental, EJA e Educação Especial, Sônia Passos, o projeto surgiu da necessidade de fomentar a utilização didática do livro. “Nós adquirimos primeiramente os exemplares para distribuí-los nas escolas públicas, em seguida surgiu a idéia de melhor utilizarmos essa parceria. Então, convidamos o autor para dar palestras e falar sobre a obra aos futuros leitores, com o propósito de estimulá-los. Essa também foi uma forma de prestigiarmos os talentos locais”, explicou.

 O roteiro de atividades do “Autor na Escola” não encerra neste momento. Após a visita, professores de diversas áreas trabalham com os alunos em sala de aula pontos como leitura de imagens, produção de texto, reprodução de desenhos ilustrativos, pesquisa sobre temas levantados pela produção literária, entre outras questões. “Quem não lê fica alheio ao mundo. O livro é uma importante ferramenta do saber. Então, nos utilizamos dessa premissa para elaborar o projeto, que entre outros fatores, tem um importante apelo pedagógico”, ratificou a gerente.

Acomodados no pátio, os olhos e a atenção dos adolescentes ficaram inteiramente voltados para o Seu Daniel, como foi carinhosamente chamado. Após ouvir a explanação do autor, que soou mais como uma lição de vida, alguns alunos até pediram autógrafos. Wenderson do Nascimento Ferreira, de 11 anos, foi o primeiro da fila. “Achei muito legal conhecer um escritor. Gosto muito de ler e para mim a leitura é o caminho para o aprendizado, para a vida. Sempre vou lembrar as palavras dele e guardarei essa dedicatória com carinho”, disse o estudante da 5ª série.

 O jovem senhor de 81 anos, também falou sobre a experiência. “Estou muito feliz, primeiro com a realização de ter lançado meu primeiro livro, e depois pela oportunidade desses momentos, que são, sem dúvida, enriquecedores. Espero que daqui saiam grandes escritores ou outros talentos, pois quem quer arruma um meio. Não importa o quanto difícil seja o caminho, a gente sempre pode e deve insistir nos nossos sonhos”, deixou como mensagem aos presentes.

 O dia festivo da Escola Bom Jesus foi além. Na mesma tarde, a equipe de educação ambiental do Colégio Paulo VI, composta pela gestora, professores e alunos participaram da programação, e convidaram a unidade de ensino para ser parceria no combate à poluição do meio ambiente. Fechando o momento, alunos de 5ª a 8ª série receberam as medalhas referentes à “estrela e superação”, que premia por unidade os estudantes que tiveram os melhores desempenhos em cada turma. “Hoje, sem dúvida, foi um dia marcante para todos nós”, concluiu o gestor Josivan Duarte Santos.

 O autor e o livro

 A história do Seu Daniel é, no mínimo, curiosa e provocante. Aos nove anos, o menino franzino aprendeu a ler na sombra de um pé de Juá – que além de proporcionar um espaço arejado para o aprendizado das primeiras letras e das operações matemáticas, também fornecia a folha para “arear” os dentes e o fruto como merenda. Desde cedo, trocou os brinquedos pelos livros que o pai comprava em toda ida à cidade – viagem que na época era apenas feita de jegue e durava cerca de dois dias.

 No auge dos cabelos brancos, Seu Daniel recorda que sentia que seria escritor ainda criança, quando redigia os primeiros bilhetes de amor para as namoradas dos primos. Aos vinte anos deixou Guanhães, pequeno vilarejo situado a 5 km do Rio São Francisco, acima da Vila Sede do Distrito de Itamotinga, e foi em busca dos sonhos em São Paulo. Seu primeiro emprego de servente de pedreiro ficava ao lado de uma biblioteca, a qual freqüentava nas horas de descanso e mantinha a leitura em dia. Já homem formado constituiu família, ingressou na carreira de oficial do exército e agora aposentado volta às origens para construir um rancho no Vale das Águas.

 Seguindo a sabedoria popular que diz que todo homem deve plantar uma árvore, ter filhos e escrever um livro, Seu Daniel cumpriu a última etapa no ano passado quando lançou “No Viver do Vale das Águas”. Uma obra quase autobiográfica, que anuncia ensinamentos vividos, com pitadas de humorismo e valorização da cultura local. Uma tentativa do Seu Daniel de parar o tempo e voltar a ser menino traquino que mergulha no Velho Chico, se lembra bem das novenas e rezas antes de dormir, e tinha medo das historietas da Caipora e da Mula-Sem-Cabeça.

Com Ascom/Seduc/PMJ





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