Rebeldes líbios anunciam reforma no governo provisório

O presidente do Conselho Nacional de Transição (CNT), Mustafa Abdul Jalil, anunciou nesta segunda-feira em Benghazi a formação de um novo Poder Executivo provisório, à espera da proclamação da libertação total do país que marcará o início da transição política na Líbia.

“Nós pedimos ao povo líbio paciência, pois a libertação se aproxima. O CNT e Mahmud Jibril [chefe do Executivo] chegaram nos últimos dois dias à conclusão da necessidade de reformar o Executivo”, declarou Abdul Jalil durante uma coletiva de imprensa em Benghazi, sede do CNT.

Após semanas de negociações, o novo governo provisório anunciado nesta segunda-feira não tem mudanças significativas. Mahmoud Jibril continua no cargo de chefe do executivo, mas acumulará a função de Ministro das Relações Exteriores, que até o momento era ocupada por Ali al Issawi.

O presidente do CNT informou que os ministros do Petróleo, das Finanças, da Informação e da Defesa também continuarão a ocupar seus cargos neste novo governo interino. Hamza Abu Fas vai substituir Salem al Sheiki como ministro de Assuntos Religiosos.

Abdul Jalil informou que o cargo número dois do Executivo foi suprimido. Além disso, anunciou a criação do cargo de ministro dos Mártires e das vítimas de guerra, que será ocupado por Abdel-Rahman al Keissah, um advogado que foi ferido nos combates.

RENÚNCIA

“Ontem [domingo] eu apresentei minha demissão ao Conselho Nacional de Transição. Eles consideraram que este não é o momento e que isso pode afetar a unidade nacional”, declarou Mahmud Jibril durante a coletiva de imprensa.

“Eu levei isso em consideração e sobre esta base, pedi demissão, mas ela só acontecerá depois da libertação total do país”, acrescentou.

Já o presidente do CNT, Mustafa Abdel Jalil, disse que os membros do conselho permanecerão no cargo até que Sirte, cidade natal do ex-ditador Muammar Gaddafi, seja conquistada, para assegurar que as fronteiras estarão seguras. Prometeu nomear um governo provisório até um mês após a libertação ser declarada.

Abdel Jalil afirmou ainda que os membros do conselho se comprometeram em não participar de nenhum governo futuro, de nenhuma forma.

O CNT prometeu realizar eleições oito meses após o fim dos combates. A vitória será considerada após a conquista da cidade costeira de Sirte, o que indica que os combates na cidade de Bani Walid devem se prolongar. Apesar disso, Jalil afirmou que, devido à localização da cidade, os conflitos nela não comprometem as fronteiras do país.

Nesta segunda-feira, continuaram os combates em Qasar Abu Hadi, a 20 km ao sudoeste de Sirte, onde as forças do novo regime tentam uma vitória simbólica. Em Sirte, bastião das forças leais a Gaddafi, também continuaram os combates, obrigando a Cruz Vermelha, encarregada de abastecer os moradores sitiados, a recuar.

Há uma semana, Sirte é palco de confrontos. “Aproximadamente 75% de Qasar Abu Hadi está sob nosso controle. Tivemos três dias de combates intensos”, disse Mufba Raslan, combatente das forças do CNT. “Um dos nossos principais problemas é que muitos civis têm armas”, acrescentou.

Anis Mili/Reuters
Combatente anti-Gaddafi em confronto a um quilômetro de Sirte, um dos últimos bastiões leais ao ex-ditador
Combatente anti-Gaddafi em confronto a um quilômetro de Sirte, um dos últimos bastiões leais ao ex-ditador

PETRÓLEO

O governo interino da Líbia disse nesta segunda-feira que o nível de produção de petróleo está melhorando a uma taxa mais rápida que o esperado, mas disse que deve levar entre 12 a 18 meses para a produção retomar o nível normal.

O chefe do executivo, Mahmoud Jibril disse em entrevista coletiva que não poderia dar detalhes sobre a produção por razões de segurança, uma vez que as unidades produtoras de petróleo podem se tornar alvo de ataques.

“Levará entre um ano e um ano e meio para a produção atingir seu ritmo normal”, disse ele, acrescentando que o nível estava melhorando “mais rápido que o esperado”.

Uma fonte sênior da petroleira líbia National Oil Corporatoin disse no mês passado que a produção do país pode atingir 500 mil barris por dia, ou cerca de um terço do volume de antes da guerra.

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

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