Reitoria da USP deve retomar o trabalho na quinta-feira

O trabalho dos funcionários da USP (Universidade de São Paulo) no prédio da reitoria, desocupado nesta terça-feira pela Tropa de Choque da PM, só deve recomeçar amanhã (10).

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Após desocupação, reitoria da USP tem bagunça e pichação
Vídeo mostra invasão do prédio da reitoria da USP
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Na manhã de hoje, a entrada no prédio ainda não havia sido liberada e ele continuava com móveis revirados e com as paredes pichadas. A entrada do edifício era protegida por equipes da Guarda Universitária, com apoio da Polícia Militar.

Durante a invasão do prédio por estudantes, os servidores foram acomodados em outros prédios e continuaram trabalhando.

Hélio Hilarião/Folhapress
Manifestantes que invadiram reitoria da USP mostram alvará de soltura; liberação ocorreu após fiança
Manifestantes que invadiram reitoria da USP mostram alvará de soltura; liberação ocorreu após fiança

GREVE

Na noite de ontem, um grupo de estudantes da USP se reuniu em assembleia e decidiu iniciar uma greve, em protesto à prisão dos 72 manifestantes durante a reintegração de posse da reitoria. Na manhã de hoje, porém, as aulas eram realizadas normalmente na maioria dos institutos.

Os manifestantes foram soltos na madrugada, após o pagamento da fiança de R$ 545. De acordo com o advogado Felipe Gomes Vasconcelos, que defende os estudantes, o valor total, de R$ 39.240, foi arrecadado com sindicatos, entidades e movimentos sociais.

Os detidos serão indiciados sob suspeita de desobediência a ordem judicial (não cumpriram o prazo de desocupar a reitoria até as 23h de ontem), dano ao patrimônio público (o prédio foi danificado) e crime ambiental (pela pichação nas paredes).

Editoria de Arte/Folhapress

REINTEGRAÇÃO

A reintegração começou por volta das 5h desta terça-feira. Segundo a PM, os estudantes estavam dormindo quando a operação começou. Cerca de 400 policiais da Tropa de Choque e da Cavalaria da PM foram acionados, além de um helicóptero Águia e de policiais do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) e do GOE (Grupo de Operações Especiais).

Os militares, portando cassetetes e escudos, fizeram um cordão de isolamento ao redor do prédio e retiraram os estudantes, que não resistiram à prisão. O prédio foi entregue pela polícia a um oficial de Justiça, já que a operação foi motivada por um mandado judicial.

Os estudantes detidos reclamaram do tratamento que receberam da polícia. “A atuação foi brutal, uma presença muito forte e desproporcional. Para que agredir os estudantes, usando algemas? Os policiais quebraram várias portas da reitoria onde a gente nem tinha entrado. Temos consciência de que essa perseguição é política”, disse Paulo Fávaro, 26, aluno de artes visuais.

Sob a condição de anonimato, os pais dos estudantes também reclamaram da atuação da PM. Numa folha de papel, eles escreveram uma carta à mão em que criticam a operação.

“Nós, pais de alunos da USP, repudiamos o modo como foi conduzido pela reitoria o processo envolvendo o movimento dos estudantes. Repudiamos a ação repressiva e truculenta das forças policiais no campus da universidade nessa madrugada de terça-feira. Estamos indignados com o fato de que uma instituição educativa utiliza como principal instrumento de solução de conflito social o uso da força policial. Nossos filhos são estudantes e não bandidos e estão em defesa de uma universidade onde existam debates democráticos”, diz o texto.

O major da PM Marcel Soffner afirmou que a reintegração de posse foi tranquila e sem confronto. Sobre os possíveis abusos, o major informou que toda operação da PM foi gravada e as suspeitas de agressões serão apuradas. “Tudo foi documentado e, se houver qualquer suspeita, vamos apurar”, disse.

HISTÓRICO

Os acontecimentos que levaram à ocupação da reitoria tiveram início no dia 27 de outubro, quando três alunos da USP foram detidos por posse de maconha. Houve reação de colegas, que investiram contra a PM. Policiais usaram bombas de efeito moral e cassetetes para levar os rapazes à delegacia –depois eles foram liberados.

Na mesma noite, um grupo de cem estudantes invadiu um prédio administrativo da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas). Na terça passada, mais de mil alunos realizaram uma assembleia que decidiu, por 559 votos a 458, pela desocupação do edifício.

A minoria derrotada, porém, decidiu invadir a reitoria. A USP toda tem cerca de 82 mil alunos (50 mil só na Cidade Universitária).

Com a Folha.com

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