Rejeitar acordo significa sair da zona do euro, diz premiê grego

Em discurso ao Parlamento em Atenas, o primeiro-ministro George Papandreou afirmou nesta quinta-feira que uma eventual rejeição do plano de resgate europeu significaria a saída da Grécia da zona do euro, mas ressaltou a importância de consultar a população sobre medidas de austeridades.

“A única forma de continuar na zona do euro é aderindo aos termos do acordo de resgate da semana passada”, afirmou o premiê. “Nossa posição no bloco é que está em jogo”.

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Apesar disso, ressaltou que a Grécia já deu muitos passos em direção à superação da crise, “fechando os ouvidos para a especulação para evitar uma declaração de falência”.

O premiê defendeu o anúncio que havia feito de que seria realizado um referendo sobre o plano de resgate europeu à Grécia, reforçando a importância de consultar a população.

“Não podemos ter decisões feitas pelos mercados e não pelas pessoas”, afirmou “Queremos ver se como país estamos dispostos a implementar as mudanças necessárias que são na verdade benéficas”.

Segundo ele, o principal objetivo ao propor o referendo era permitir uma “decisão clara do povo grego”, ressaltando confiar na “sabedoria e maturidade” da população acima de uma “instituição política”.

ZONA DO EURO

Papandreou disse, contudo que, a rejeição do acordo significaria a saída da Grécia da zona do euro por um período de, no mínimo, dez anos.

Vassilis Filis/Efe
O primeiro-ministro grego, George Papandreou, intervém durante reunião com grupo parlamentar
O primeiro-ministro grego, George Papandreou, intervém durante reunião com grupo parlamentar

“A decisão do referendo seria uma garantia de permanência na zona do euro. O que é prioridade não é o referendo, mas sim se estamos dispostos, como um país, a reforçar o comprometimento do acordo de outubro”, afirmou.

Mesmo reforçando a importância de a Grécia continuar na zona do euro, o premiê criticou líderes europeus que pressionaram o país por cortes e medidas de austeridade.

“Está claro passamos por diversas situações como um país que não merecia e isso nos prejudicou”, disse em referência à forma como a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, o trataram em reuniões emergenciais.

Segundo ele, os líderes europeus tentaram “definir regras”, quando o assunto sobre o referendo era uma “decisão do governo”. “Quando anunciei a consulta, nossos parceiros queriam que tudo funcionasse como uma máquina”.

Editoria de arte/folhapress

Papandreou disse que respondeu aos aliados europeus que, caso chegassem a um acordo político sobre o pacote de resgate, não haveria necessidade para outras soluções, afirmando que realizar eleições antecipadas neste momento seria uma “catástrofe” e traria de volta o risco de falência.

O governo do primeiro-ministro perdeu nesta quinta-feira a maioria absoluta no Parlamento para enfrentar a moção de confiança que será votada na sexta, depois de duas deputadas socialistas anunciarem fim do apoio ao Executivo. Com as novas deserções, o partido governista Pasok fica com 150 das 300 cadeiras.

“Agora, o país está sem liderança”, afirmou Yiannis Mihelakis, porta-voz do partido de oposição conservador Nova Democracia.

ENTENDA

O anúncio do premiê grego de que vai submeter o pacote de resgate a um referendo popular ameaçou intensificar a crise da zona do euro, gerou críticas de líderes europeus, derrubou as principais bolsas e levou a oposição pedir a saída de Papandreou.

A Grécia criou na quarta-feira uma comissão para preparar a consulta à população, segundo anunciou o ministro do Interior, Haris Kastanidis.

“Este anúncio pegou a Europa inteira de surpresa”, disse Sarkozy. “O plano é a única maneira de resolver o problema da dívida da Grécia.”

O ministro alemão das Relações Exteriores, Guido Westerwelle, enfatizou que as negociações sobre o plano europeu para salvar a Grécia da falência não podem ser reabertas. “O programa integral que acordamos na semana passada não pode ser colocado novamente sobre a mesa”, afirmou.

Os líderes da zona do euro concordaram na semana passada em conceder a Atenas um segundo pacote bilionário e um corte de 50% em sua dívida. Em contrapartida, a Grécia deve se comprometer em continuar com uma política de cortes de gastos como privatizações, redução de empregos públicos e cortes salariais.

Papandreou disse que precisava de maior apoio político para as medidas fiscais e as reformas estruturais exigidas pelos credores internacionais. “A vontade do povo grego será imposta”, disse o premiê ante o grupo de parlamentares socialistas, ao anunciar que submeteria o pacote a um referendo popular.

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