Revelação sobre prisões da CIA gera crise política na Polônia

Efe

Revelação sobre prisões da CIA<br> gera crise política na Polônia

Uma crise política tomou conta da Polônia depois das revelações da imprensa sobre a acusação contra o ex-chefe dos serviços de inteligência poloneses, Zbigniew Siemiatkowski, na investigação sobre a suposta existência de prisões secretas da CIA nesse país.

Segundo o jornal “Gazeta Wyborcza”, Siemiatkowski foi acusado de privar os prisioneiros de guerra de liberdade e permitir que recebessem castigos corporais.

Siemiatkowski confirmou seu indiciamento ao jornal mas não quis dar detalhes, alegando segurança de Estado.

À Associated Press disse, na quarta-feira, que é obrigado a permanecer em silêncio sobre o assunto e não pode confirmar nem negar a reportagem.

Segundo o jornal, o ex-primeiro-ministro Leszek Miller, atualmente chefe do SLD (Partido Social Democrata), de oposição, também poderá ser obrigado a comparecer ante o Tribunal de Estado por ter permitido a instalação de uma base secreta americana em 2002-2003 em Kiejkuty, no nordeste do país.

As autoridades polonesas desmentiram energicamente até agora as afirmações do Conselho da Europa e as revelações da imprensa segundo as quais os dirigentes da Al-Qaeda foram prisioneiros da CIA em território polonês.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos rejeitou, em outubro de 2009, um pedido polonês de ajuda jurídica, enviada em março desse mesmo ano, considerando que o caso estava fechada.

Nesta quarta, Janusz Palikot, chefe do partido anticlerical de esquerda RP, acusou Miller, um ex-comunista e premiê de 2001 a 2004, de ter exposto a Polônia à ameaça terrorista ao autorizar a CIA a atuar no país.

HISTÓRICO

Em 2010,a Fundação de Helsinque para os Direitos Humanos confirmou que sete aviões da CIA, dos quais cinco com passageiros, haviam desembarcado na Polónia entre 2002 e 2003.

O presidente polonês, Bronislaw Komorowski, considerada importante continuar as investigações “embora seja um assunto delicado e talvez doloroso para o Estado polonês, já que se trata da imagem pública da Polônia.”

As investigações começaram em 2008 no Ministério Público de Varsóvia e em fevereiro foram transferida para Cracóvia.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos rejeitou em outubro de 2009 um pedido da Polônia para o apoio judiciário considerando que o caso estava encerrado.

DA FRANCE PRESSE E ASSOCIATED PRESS, EM VARSÓVIA

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