Rússia pede ao governo da Síria que aceite pedido de cessar-fogo diário

A Rússia pediu nesta segunda-feira (19) à Síria que aceite “imediatamente” o pedido do Comitê Internacional da Cruz Vermelha para instaurar um cessar-fogo diário no confronto com oposicionistas, disse o ministério russo de Relações Exteriores.

O pedido foi feito após encontro entre o chanceler russo, Serguei Lavrov, e o chefe da Cruz Vermelha, Jakob Kellenberger.

“As duas partes pedem ao governo sírio e aos grupos armadas a aceitar imediatamente uma trégua diária humanitária para permitir o acesso do Comitê Internacional da Cruz Vermelha aos feridos e civis que devem ser retirados”, diz a chancelaria em comunicado.

Ao mesmo tempo, especialistas internacionais enviados pelo emissário especial da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annanm, para tentar conter a violência, chegaram nesta segunda-feira àSíria, poucas horas depois da ocorrência de violentos combates entre soldados e desertores em um bairro de Damasco no qual estão localizadas embaixadas e escritórios dos serviços secretos.

No total, 19 pessoas, entre elas dez civis, morreram nesta segunda-feira pelo país, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

revolta árabe arte 17/3 (Foto: Arte G1)

Os confrontos noturnos de Mazre, um bairro de Damasco onde há embaixadas e escritórios dos serviços secretos, são “os combates mais intensos desde o início da revolta”, no dia 15 de março de 2011, afirmou Rami Abdel Rahman, presidente do opositor OSDH, com sede na Grã-Bretanha.

Rahman informou que dois soldados do Exército morreram e outros 16 ficaram feridos em confrontos que duraram várias horas. Quatro rebeldes estão entre os mortos e vários ficaram feridos ou foram detidos.

A televisão oficial informou que três terroristas morreram e lamentou a morte de um membro das forças de segurança.

O regime do presidente Bashar al Assad não reconhece os protestos e classifica os opositores e desertores de grupos terroristas.

Durante a tarde, novos combates eclodiram em Qabun e em Bazre, outros dois bairros da capital, segundo o OSDH.

Esses confrontos ocorrem depois de três atentados no sábado e no domingo em Damasco e Aleppo (norte), segunda maior cidade do país, pelos quais a oposição e o regime se acusaram mutuamente de ser os responsáveis.

Em Deir Ezzor (leste), outros combates opuseram desertores e soldados depois de terem deixado na véspera 30 mortos, dos quais 25 desertores, e dezenas de feridos.

Enquanto isso, os cinco especialistas enviados pelo emissário da ONU e da Liga Árabe Kofi Annan chegaram a Damasco para negociar uma missão de observação com o objetivo de frear as matanças.

O porta-voz do ex-secretário-geral da ONU, Ahmad Fawzi, informou que a próxima “visita de Annan à Síria dependerá amplamente dos progressos realizados” nas negociações com os especialistas.

Annan havia explicado que a missão “mantinha as discussões sobre as propostas” que foram feitas a Assad em sua visita de 10 e 11 de março a Damasco para pôr um fim ao derramamento de sangue, garantir um acesso ao país das organizações políticas e a promoção de um diálogo político.

Annan disse na sexta-feira que as respostas de Damasco as suas propostas foram decepcionantes e espera que os especialistas tenham o acesso necessário.

Do G1, com agências internacionais

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