Secretaria divulga foto de Nem após prisão em Bangu, no Rio

A Seap (Secretaria de Estado de Administração Penitenciária) do Rio divulgou na noite desta quinta-feira (10) a foto do traficante preso Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, apontado como chefe do tráfico na Rocinha. Ele está preso no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na zona oeste do Rio.

Veja fotos da operação policial
PM diz que traficante ofereceu R$ 1 milhão para ser liberado
Traficante Nem ganha destaque no microblog
Moradores da Rocinha temem confrontos durante ocupação
Cabral vai pedir transferência de traficante para presídio federal
PM diz que traficante ofereceu R$ 1 milhão para ser liberado
Traficante da Rocinha ligou para a mãe após prisão, diz delegado
Beltrame diz que prisão de Nem expõe fragilidade dos traficantes
Comércio na Rocinha funciona normalmente, mas clima é tenso

Divulgação
Nem tem cabeça raspada em seu primeiro dia na cadeia
Nem tem cabeça raspada em seu primeiro dia na cadeia

Com uniforme e cabelo raspado, Nem terá que usar uniforme, segundo a Seap.

UPP

O governo do Rio deve instalar neste fim de semana uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) na favela da Rocinha (zona sul). A medida acontece após a prisão, na madrugada desta quinta-feira, do traficante Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, apontado como chefe do tráfico na favela.

A UPP da Rocinha será a 19ª do Rio. A favela é uma das maiores do Rio, e sua pacificação é considerada chave para a política de segurança da gestão de Sérgio Cabral (PMDB).

PRISÃO

O traficante Nem estava no porta-malas de um Toyota Corolla, que foi parado pela polícia a poucos quilômetros da favela. Segundo os policiais que participaram da prisão, eles suspeitaram do veículo porque a suspensão estava baixa –indicando alguma carga no porta-malas.

Nem portava cerca de R$ 180 mil no momento em que foi preso. O dinheiro estava dividido em notas de real (59.900) e de euro (50.500 ou R$ 120 mil).

Segundo a polícia, o veículo foi parado pela primeira vez por volta das 23h na estrada da Gávea, uma das saídas da Rocinha. Estavam no carro dois advogados e um motorista, que se identificou como cônsul honorário da República Democrática do Congo.

Ele alegou imunidade diplomática, não permitiu que o carro fosse revistado e disse que, como autoridade, deveria ser atendido na 15ª DP (Gávea). Diante dessa afirmação, veículos da PM passaram a escoltar o Corolla até a delegacia.

Quando passavam pela Lagoa, na altura do Cinépolis Lagoon, o veículo parou e, segundo os policiais, os suspeitos ofereceram R$ 20 mil como propina. O comboio seguiu em frente e, na altura do Clube Naval, fez uma nova parada.

“Um dos advogados se identificou como pai do cônsul e foi ele quem ofereceu R$ 20 mil. Ele disse que na mala tinha R$ 1 milhão e [perguntou] se aquilo resolvia tudo”, disse o tenente Ronald Cadar, que estava no grupo.

Após nova recusa dos policiais, o suposto cônsul disse que só abriria o porta-malas do carro na Polícia Federal. A PF foi acionada e os agentes que foram ao local abriram o porta-malas e encontraram o traficante Nem. Todos foram presos e levados à sede da PF na zona portuária do Rio.

A PF diz que entrou com contato com o Ministério das Relações Exteriores para verificar a identidade do suposto cônsul. A Embaixada do Congo em Brasília disse desconhecer qualquer relação entre o homem e o traficante, mas que ainda que aguarda dados da PF para se manifestar oficialmente.

ESCOLTA

Nem foi preso poucas horas depois de a Polícia Federal ter detido o seu braço-direito, conhecido como Coelho, e outros quatro traficantes, juntamente com três policiais civis e dois ex-policiais militares que faziam a sua escolta.

A PF diz que intensificou operações de inteligência ao saber que a Rocinha seria ocupada, e que recebeu informação de que haveria fugas.

Os policiais detidos entraram na favela em quatro veículos e deixaram o morro pela saída da rua Marquês de São Vicente, na Gávea. Entre os três policiais presos, dois atuavam na Delegacia de Roubo e Furto de Cargas e um da Delegacia de Saúde Pública.

Os policiais e os traficantes estavam armados, mas não houve troca de tiros. Alguns dos bandidos viajavam nos porta-malas dos carros.

Editoria de Arte/Folhapress

Além das prisões, a PF apreendeu cinco granadas, 11 pistolas, três fuzis, carregadores, munição e uma quantidade não especificada de dinheiro em reais e euros.

A Rocinha é uma das maiores favelas do Rio e sua pacificação é considerada chave para a política de segurança da gestão Sérgio Cabral (PMDB).

CHEFE DO TRÁFICO

Segundo investigação da Polícia Civil, por causa da iminente ocupação policial, o traficante Nem havia decretado desde a semana passada um toque de recolher para comerciantes e moradores. O traficante também teria limitado a circulação de motociclistas.

Apontado como um dos líderes da facção criminosa ADA (Amigos dos Amigos), o traficante Nem controla a Rocinha desde novembro de 2005 e possui nove mandados de prisão contra ele.

Com a Folha.com

Sobre o editor

Willames Costa
Wíllames Costa
Editor

Instagram

Parceiros do blog