Shimon Peres diz que ataque contra o Irã é ‘cada vez mais verossímil’

O presidente israelense, Shimon Peres, afirmou no sábado que um ataque contra o Irã torna-se “cada vez mais verossímil”, dias antes da publicação de um informe da Agência Internacional de Energia Atômica sobre o programa nuclear de Teerã.

“Os serviços de informação de diversos países que vigiam esse país se inquietam e pressionam seus líderes para que atentem para o fato de que o Irã está pronto para obter a arma atômica”, afirmou Peres em uma rede de televisão israelense.

“Devemos nos dirigir a esses países para que cumpram com seus compromissos. Devemos fazer isso e a lista de opções é longa”, acrescentou.

Peres fez esta declaração antes da divulgação, na próxima terça-feira, do informe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) sobre o programa nuclear iraniano, que os especialistas israelenses consideram “alarmante”.

O ministro israelense das Relações Exteriores, Avigdor Lieberman, considerou que o informe demonstrará “para além de qualquer dúvida” os objetivos militares do programa nuclear iraniano e espera que o Irã seja alvo de uma nova série de sanções internacionais.

Segundo o jornal israelense “Haaretz”, o informe da AIEA terá uma “influência decisiva” no governo.

A hipótese de um ataque preventivo de Israel contra as instalações nucleares do Irã ganhou força nos últimos dias, alimentada por informações da imprensa sobre um debate que divide o governo do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu.

O ministro da Defesa, Ehud Barak, desmentiu na segunda-feira informações de que teria decidido com Netanyahu atacar o Irã. Mas logo em seguida acrescentou que “podem ser criadas situações no Oriente Médio nas quais Israel deverá defender seus interesses vitais de maneira independente, sem ter que se apoiar em outras forças regionais ou de outros lugares”.

Segundo o jornal “Haaretz”, a maioria dos 15 membros do gabinete israelense de segurança se opõe por enquanto a um ataque contra o Irã e é a única instância que pode tomar uma decisão desta gravidade.

Muitas autoridades israelenses destacam que Israel não pode lançar uma operação como esta sem coordená-la previamente com os Estados Unidos e sem a aprovação deste país.

Citando autoridades americanas, o “Haaretz” indicou em sua edição dominical que na última visita do secretário americano de Defesa a Israel, no dia 3 de outubro, Netanyahu e Barak se limitaram a contestar “em termos vagos” quando Leon Panetta pediu que se comprometessem a coordenar com Washington qualquer ação contra o Irã.

Os israelenses estão divididos entre partidários (41%) e opostos (39%) a um ataque contra as instalações nucleares iranianas, segundo uma pesquisa.

POTÊNCIA

Israel é considerado uma potência nuclear regional, mas nunca confirmou nem desmentiu dispor de armamento atômico. Segundo fontes estrangeiras, teria um arsenal de 200 ogivas nucleares e de vetores adequados para seu uso.

Israel realizou na quinta-feira um grande exercício de defesa simulando um ataque de mísseis convencionais e não convencionais na região de Tel Aviv, além de lançar na quarta-feira com sucesso um míssil balístico dotado com um novo sistema de propulsão.

Os meios de comunicação israelenses também informaram sobre um exercício realizado nos últimos dias por 14 aviões israelenses na Sardenha (Itália), em cooperação com a aviação italiana para o treinamento para missões “de longa distância”, que requerem, sobretudo, reabastecimento em voo.

“Os Estados Unidos sabem que qualquer ataque do regime sionista contra o Irã produzirá sérios danos não apenas a este regime, mas também aos Estados Unidos”, advertiu o chefe do Estado-Maior iraniano, general Hassan Firuzabadi, citado na quarta-feira pela agência de notícias Fars.

O ministro israelense das Relações Exteriores Ali Akbar Salehi afirmou na quinta-feira, na Líbia, que seu país está “preparado para o pior” e advertiu os Estados Unidos sobre o fato de “ir a um confronto” com Teerã.

DA FRANCE PRESSE, EM JERUSALÉM

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