Síria está em guerra civil e repressão já matou 4.000, diz ONU

Com a crescente deterioração da crise na Síria, onde o regime do ditador Bashar al Assad vem causando mortes devido à violenta repressão aos protestos que pedem sua renúncia, as Nações Unidas afirmaram nesta quinta-feira que o país se encontra em estado de guerra civil e que mais de 4.000 pessoas já morreram nos confrontos.

A avaliação de Navi Pillay, alta comissária de direitos humanos da ONU (Organização das Nações Unidas), chega na mesma semana em que o isolamento diplomático ao regime aumentou de forma significativa. Ela deve apresentar um relatório detalhado amanhã (2) ao Conselho de Segurança da entidade, em Nova York.

Denis Balibouse/Reuters
Em reunião em Genebra, alta comissária de direitos humanos das Nações Unidas disse que Síria está em estado de guerra civil
Em reunião em Genebra, alta comissária de direitos humanos das Nações Unidas afirmou que a Síria está em guerra civil

“Situamos o número [de mortos pela repressão] em 4.000, mas claramente a informação confiável que nos chega é de que é muito mais do que isso”, disse Pillay em entrevista coletiva em Genebra.

A comissária deixou claro o nível de gravidade que atribui à crise. “Eu já disse, assim que houve mais e mais desertores ameaçando pegar em armas, eu já disse isso em agosto, perante o Conselho de Segurança [da ONU], que haveria uma guerra civil. Neste momento é assim que estou caracterizando isto”, acrescentou.

EUA, União Europeia e Turquia anunciaram sanções mais rígidas ao governo sírio, e na semana passada a Liga Árabe suspendeu o país de suas reuniões e também anunciou um pacote de sanções que foram adotadas por todos os países que integram o bloco.

Assad, no entanto, mantém-se irredutível. Embora tenha libertado presos políticos nas últimas semanas, o ditador tem desafiado todas as pressões internacionais para que abandone o poder e continua ordenando ataques das forças de segurança à população civil.

28.nov.11/Reuters
Em Homs, manifestantes protestam pelo fim do regime do ditador Bashar al Assad; revolta teve início em março
Em Homs, manifestantes protestam pelo fim do regime do ditador Bashar al Assad; revolta teve início em março

Também nesta semana um relatório elaborado por uma comissão internacional independente revelou que as forças de segurança sírias cometeram crimes contra a humanidade com o conhecimento e consentimento do Estado.

GUERRA CIVIL

Navi Pillay lembrou que uma das principais conclusões do relatório da comissão é de que “apesar de a maioria dos mortos e feridos tenha sido de civis desarmados, existem grupos que não pertencem às forças armadas e que aparentemente estão armados”.

28.nov.11/Reuters
Familiares e vizinhos acompanham funeral de menina morta pelas forças de segurança na cidade síria de Homs
Familiares e vizinhos acompanham funeral de menina morta pelas forças de segurança na cidade síria de Homs

“Realmente, é hora de estudar esse relatório para conhecer a amplitude do que se define como as forças da oposição e caracterizar o que está acontecendo como um conflito armado”, declarou Pillay.

“No meu ponto de vista, não é uma questão de tempo ou uma decisão política. Neste caso é preciso aplicar o princípio de que deve haver uma investigação do Tribunal Penal Internacional para evitar a impunidade”.

ISOLAMENTO DIPLOMÁTICO

Após ser notificada das novas e mais rígidas sanções aprovadas nesta quinta-feira pela União Europeia (UE), a Síria informou a suspensão de sua adesão à União pelo Mediterrâneo (UPM), com sede em Barcelona.

“A Síria suspende sua adesão à União pelo Mediterrâneo, como resposta às injustificadas medidas europeias contra o povo sírio”, segundo um comunicado divulgado pela agência oficial Sana.

A UPM foi criada em 2008 impulsionada pela França, então presidente da UE, com base no Processo de Barcelona para o diálogo “euromediterrâneo” promovido pela Espanha em 1995.

Os ministros das Relações Exteriores da UE decidiram nesta quinta-feira endurecer suas sanções econômicas contra a Síria, em particular nos setores das finanças, petróleo e gás.

Sana/France Presse
Manifestantes pró-regime protestam no centro da capital da Síria, Damasco, em meio ao aumento da violência no país
Manifestantes pró-regime protestam no centro da capital da Síria, Damasco, em meio ao aumento da violência

Grandes multinacionais europeias como a Royal Dutch Shell e a francesa Total podem ver suas joint-ventures na Síria interromperem os trabalhos devido ao congelamento de seus contratos com a estatal petrolífera síria entrará na lista de empresas a sofrer sanções, informaram diplomatas.

Washington também impôs nesta quinta-feira novas sanções contra o regime sírio que afetarão, entre outros, um general de alto escalão e um tio de Assad considerado um conselheiro chave do presidente em assuntos financeiros, anunciou o departamento do Tesouro em um comunicado. Um banco estatal também foi incluído nas penalidades.

A Liga Árabe impôs no dia 27 de novembro graves sanções econômicas contra Damasco para obrigar o regime de Assad a deter a sangrenta repressão da revolta popular.

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

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