S&P coloca 15 membros da zona euro em revisão para rebaixamento

A agência de classificação de risco Standard & Poor’s colocou a nota de 15 dos 17 países da zona do euro em revisão para possível rebaixamento nesta segunda-feira. Só não foi colocada em revisão a nota de Chipre, que já está em revisão para rebaixamento, e a da Grécia.

A S&P prepara a mudança das notas de países da região –incluindo os seis que possuem nota “AAA” (Alemanha, França, Holanda, Áustria, Finlândia e Luxemburgo).

A S&P advertirá tais países que têm 50% de possibilidades de ver o “rating” de sua dívida ser rebaixado nos próximos 90 dias, como resultado da crise que afeta a zona do euro.

Os seis governos europeus receberão o aviso que sua qualificação pode descer para AA+ caso não consigam convencer os analistas em um período de três meses.

Em relação à Alemanha, a S&P considera que sua qualificação está em dúvida devido “ao impacto potencial do que consideramos problemas políticos, monetários e financeiros com a união econômica e monetária cada vez mais profundas”.

Além disso, a agência estima que “a falta de avanço até agora por parte dos políticos europeus na hora de controlar a crise financeira pode refletir fraqueza estrutural na capacidade de tomar decisões por parte da União Europeia”.

ENTENDA

O “rating” é uma opinião sobre a capacidade de um país ou uma empresa saldar seus compromissos financeiros. A avaliação é feita por empresas especializadas, as agências de classificação de risco, que emitem notas, expressas na forma de letras e sinais aritméticos, que apontam para o maior ou menor risco de ocorrência de um “default”, isto é, de suspensão de pagamentos.

Para publicar uma nota de risco de crédito, os especialistas dessas agências avaliam além da situação financeira de um país, as condições do mercado mundial e a opinião de especialistas da iniciativa privada, fontes oficiais e acadêmicas.

O “rating” é sempre aplicado a títulos de dívida de algum emissor. Se uma empresa quer captar recursos no mercado e oferece papéis que rendem juros a investidores, a agência prepara o “rating” desses títulos para que os potenciais compradores avaliem os riscos.

As agências, portanto, classificam debêntures, “medium-term notes”, títulos de dívida conversível, mas não ações.

GRAU DE INVESTIMENTO

A nota de países é preparada a partir da iniciativa do emissor ou da empresa de “rating”. As empresas de classificação de risco alegam que, mesmo sob encomenda, o “rating” é uma avaliação independente, porque também há preocupação com a credibilidade da própria agência.

O chamado “rating” global de um país, por exemplo, é sempre a avaliação que uma determinada agência tem sobre o risco dessa nação não pagar os títulos, de longo prazo, que lançou no mercado internacional.

Esses países também são encaixados em categorias. Se a agência considera um país como “bom pagador”, ele é classificado na categoria “grau de investimento”. Se é visto apenas como um pagador de risco razoável, fica na categoria “grau especulativo”, que também inclui nações que declararam moratória de suas dívidas.

As agências monitoram constantemente os países ou empresas. Dessa forma, quando lançam um “rating”, também avisam quais as chances dessa nota ser revisada no curto prazo.

Se o panorama é positivo significa que a nota tem maiores chances de ser melhorada. Se é negativo, as maiores chances são de que haja um “downgrade” (seja revisada para baixo, uma nota pior). Se é estável, há poucas chances de que seja mudada nos dois anos seguintes.

LETRAS E SINAIS

As três agências de classificação de risco de maior visibilidade são a Standard & Poor’s, a Moody’s e a Fitch Ratings.

Arte Folha Online

As agências usam praticamente o mesmo sistema de letras e sinais. Assim, a melhor classificação que um país pode obter é Aaa (Moody’s) ou AAA (Standard & Poor’s) que, conceitualmente, significam “capacidade extremamente forte de atender compromissos financeiros”.

Na ponta oposta, um título classificado como “C”, para a S&P ou a Moody’s, tem altíssimo risco de não ser pago.

“A taxa média de ‘default’ [moratória] entre 1970-2000 para títulos [classificados como] Aaa sobre um período de 10 anos foi de apenas 0,67”, afirma a Moody’s.

DA REUTERS, EM NOVA YORK
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

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