Termina exposição do cadáver de Gaddafi na Líbia

Funcionários do governo líbio anunciaram nesta quinta-feira que o corpo do ex-ditador líbio Muammar Gaddafi não ficará mais disponível para visita pública e guardas fecharam os portões da câmara frigorífica onde o cadáver estava exposto desde sua morte, na quinta-feira (20).

Um funcionário do CNT (Conselho Nacional de Transição), órgão político que governa a Líbia desde a queda do regime de Gaddafi, informou que guardas fecharam, por volta das 15h30 locais (11h30 em Brasília), os portões da câmara frigorífica onde o corpo estava exposto, impedindo o acesso do público.

Reuters
O corpo de Muammar Gaddafi ficou por quatro dias exposto em uma câmara frigorífica na cidade de Misrata, na Líbia
O corpo de Muammar Gaddafi ficou por quatro dias exposto em uma câmara frigorífica na cidade de Misrata, na Líbia

No início desta segunda-feira, líbios ainda visitam os restos mortais de Gaddafi, de seu filho Mutassim e de um ex-comandante do Exército em uma câmara frigorífica de um mercado na cidade de Misrata, para onde foram levados depois de sua captura e morte, na quinta-feira, em Sirte, cidade-natal de Gaddafi.

Os corpos, que ficaram em exposição pública por quatro dias, já apresentavam sinais de decomposição, enquanto facções locais decidiam como sepultá-los. Até o momento, não há informações sobre como será o sepultamento.

O frigorífico não dava conta do constante entra e sai de gente, numa sombria paródia dos velórios solenes geralmente reservados a líderes falecidos. Os responsáveis pela guarda colocaram sacos plásticos sob os corpos por causa do vazamento de fluidos, e entregam máscaras cirúrgicas aos visitantes, para que se protegessem do mau cheiro.

Gaddafi e seu filho foram capturados vivos, mas morreram em seguida, em circunstâncias não esclarecidas. Mas poucos líbios parecem preocupados em saber como eles foram mortos, ou por que passaram tanto tempo expostos, contrariando a tradição islâmica que prevê o sepultamento no prazo de um dia.

“Deus fez do faraó um exemplo para os outros”, afirmou Salem Shaka, que visitou os corpos na segunda-feira. “Se ele tivesse sido um homem bom, já o teríamos sepultado. Mas ele próprio escolheu o seu destino.”

Outro homem, que contou ter viajado 400 quilômetros para ver os corpos, disse: “Vim aqui ter certeza com os meus olhos. Todos os líbios precisam vê-lo”.

O assassinato de ditadores derrubados não é novidade. Na Europa, o mesmo aconteceu no século 20 com o romeno Nicolae Ceausescu, em 1989, e com o italiano Benito Mussolini –criador da Líbia moderna, como colônia italiana–, em 1945.

Mas alguns aliados estrangeiros do novo regime líbio manifestam desconforto com a maneira como Gaddafi foi tratado após ser capturado e depois de morto, e temem que os novos líderes do país não estejam cumprindo sua promessa de respeitar os direitos humanos.

SEPULTAMENTO

Os sepultamentos estão sendo retardados devido a divergências entre facções que compõem o CNT. A cúpula do órgão gostaria que os corpos fossem enterrados num local secreto, para que não se tornem local de peregrinação para partidários do extinto regime. Já as autoridades de Misrata, cidade que neste ano virou símbolo da revolta ao ser sitiada por forças pró-Gaddafi, insistem que os corpos não fiquem em seu solo.

A tribo de Gaddafi quer que o corpo dele seja devolvido para ser enterrado em Sirte, conforme pedido feito no testamento dele.

Uma fonte do CNT disse que as autoridades estão negociando com a tribo de Gaddafi para que os corpos sejam oficialmente reconhecidos e então levados para sepultamento em um local secreto.

Um funcionário do órgão político em Misrata afirmou que as autoridades locais continuam aguardando instruções do governo provisório.

DA REUTERS, EM MISRATA

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