Time da Série B ganha mesada para jogar na arena da Copa em PE

Os responsáveis pela construção da arena de Pernambuco para o Mundial-2014 “compraram” um dos clubes de futebol do Estado. Objetivo: não deixá-la virar um elefante branco.

Oficializado na segunda-feira, com a presença do governador Eduardo Campos (PSB), o contrato obriga o Náutico –que já possui o estádio dos Aflitos, na capital– a mandar seus jogos a partir de junho de 2013, pelos 30 anos seguintes, em um campo localizado em São Lourenço da Mata, município pobre da zona metropolitana do Recife.

Em contrapartida, o documento prevê uma mesada para o time alvirrubro, que ainda recebeu R$ 1,5 milhão no ato da assinatura do acordo, intermediado pelo governo, com a construtora baiana Odebrecht e a gestora de eventos esportivos americana AEG.

O valor, inicialmente de R$ 350 mil, já começou a ser contado desde o mês passado. E subirá para R$ 500 mil em caso de acesso do Náutico à elite do Campeonato Brasileiro: a equipe figura dentro do G-4 da Série B há 17 rodadas, faltando apenas sete para o final.

A mesada vai existir até a estreia do clube na Arena Pernambuco. Daí em diante, os benefícios se converterão em ações como a compra de uma carga de 9.200 ingressos por partida no local. Antes, também ganhará cerca de R$ 5 milhões para investir em seu CT.

Os gastos serão bancados pelo consórcio Odebrecht/AEG. A razão, já anunciada ao longo de todo o processo, foi repetida durante o evento pelo próprio governador: “Para o empreendimento se tornar viável, é fundamental que ele tenha eventos depois da Copa. Na hora que um clube, dos mais importantes, acerta que todos os seus jogos serão lá, ele vai viabilizando a arena no ponto de vista da sua sustentabilidade pós-Copa”.

Danilo Verpa – 30.nov.10/Folhapress
Obras para a construção da Arena Pernambuco, que abrigará jogos da Copa-14 e receberá financiamento de R$ 400 milhões do BNDES.
Obras para a construção da Arena Pernambuco, que receberá financiamento de R$ 400 milhões do BNDES.

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A ideia, porém, é que os outros dois grandes do Recife acompanhem o Náutico, ao menos em parte de seus confrontos. E enquanto o Santa Cruz, dono do Arruda, parece mais distante, o Sport, proprietário da Ilha do Retiro, já acena com essa possibilidade.

O clube rubro-negro tem projeto de erguer um novo estádio a partir de novembro de 2012 e admite atuar no palco, no período das obras. “Nos dois primeiros anos, tudo bem, já será uma demanda inicial importante. Mas, quando a nova Ilha estiver pronta, voltaremos à nossa casa”, afirma o presidente do Sport, Gustavo Dubeux.

Diretor-presidente da Arena Pernambuco, Marcos Lessa prefere não revelar detalhes. “Estamos negociando”, limita-se a dizer, falando em “histórico” o acerto do Náutico.

TORCIDA NÃO PROTESTA

A distância de 20 quilômetros dos Aflitos, imerso numa área nobre da capital, em relação ao palco em São Lourenço da Mata, é minimizada pelo presidente alvirrubro, Berillo Júnior.

“O ser humano gosta do que é bom. Nos Aflitos, não tem aonde se estacionar. Na Arena, serão 400 vagas para carros. O torcedor aprovou, haja vista a votação do Conselho Deliberativo”, completa, referindo-se à sessão que referendou a decisão do clube, no último dia 10, quando somente dois de 86 conselheiros não votaram a favor da mudança.

Nem a maior uniformizada da equipe, a Fanáutico, posicionou-se contra. “A maioria gostou, porque o Aflitos não tem mais estrutura de ter jogo de futebol. É muito residencial, elitizado. Agora, vai popularizar. Se o time quer crescer, tem que ser assim. Até porque, por ser estádio de Copa, vai ter que ter vias de acesso, e não vejo desculpa para o torcedor não comparecer”, declara Paulinho Lira, diretor administrativo da facção.

A futura praça esportiva terá capacidade para 46 mil pessoas e está orçada ao custo de R$ 500 milhões, a maior parte (R$ 400 milhões) prevista por financiamento do BNDES.

O Náutico mantém segredo sobre o que será feito dos Aflitos, inaugurado em 1939 e com plateia de menos de 18 mil pagantes. Provavelmente, vendido ao setor imobiliário.

Com a Folha.com

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