Traficante Nem será levado para presídio na zona oeste do Rio

O traficante apontado como chefe do tráfico de drogas na favela da Rocinha, Antônio Francisco Bonfim Lopes, conhecido como Nem, será transferido ainda nesta quinta-feira para o Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na zona oeste do Rio.

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TV Globo/Reprodução
Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, chega à sede da PF no Rio após ser preso em porta-malas
Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, chega à sede da Polícia Federal no Rio após ser preso em porta-malas de carro

Ele permanece nesta manhã na sede da Polícia Federal do Rio, na zona portuária. Veículos blindados da PM já estão no local e devem ser usados na transferência de Nem e de outros traficantes presos ontem.

Nem foi preso em uma operação do Batalhão de Choque da PM na madrugada de hoje.

Ele estava no porta-malas de um Toyota Corolla, que foi parado pela polícia na altura do clube Piraquê, na Lagoa, a poucos quilômetros da favela, após informações de inteligência terem apontado que o traficante, um dos mais procurados do Rio, estava no carro.

CÔNSUL

Segundo a polícia, o motorista do veículo se identificou como cônsul do Congo e alegou imunidade diplomática para não permitir que o carro fosse revistado. Diante dessa afirmação, os policiais do Batalhão de Choque decidiram escoltá-lo até a Polícia Federal.

No trajeto, o motorista teria oferecido suborno aos PMs, que lhe deram voz de prisão. Segundo um policial que participou da operação, a oferta de suborno chegou a R$ 1 milhão. A identidade do motorista ainda não foi divulgada.

Nem foi preso poucas horas depois de a Polícia Federal ter detido o seu braço-direito, conhecido como Coelho, e outros quatro traficantes, juntamente com três policiais civis e dois ex-policiais militares que faziam a sua escolta.

A PF diz que intensificou operações de inteligência ao saber que a Rocinha seria ocupada, e que recebeu informação de que haveria fugas.

Os policiais detidos entraram na favela em quatro veículos e deixaram o morro pela saída da rua Marquês de São Vicente, na Gávea.

Os policiais e os traficantes estavam armados, mas não houve troca de tiros. Alguns dos bandidos viajavam nos porta-malas dos carros.

Editoria de Arte/Folhapress

Além das prisões, a PF apreendeu cinco granadas, 11 pistolas, três fuzis, carregadores, munição e uma quantidade não especificada de dinheiro em reais e euros.

As fugas foram motivadas pelo plano do governo do Estado de ocupar a favela nos próximos dias, no primeiro passo para a instalação de uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), a 19ª da cidade.

A Rocinha é uma das maiores favelas do Rio e sua pacificação é considerada chave para a política de segurança da gestão Sérgio Cabral (PMDB).

CHEFE DO TRÁFICO

Segundo investigação da Polícia Civil, por causa da iminente ocupação policial, o traficante Nem havia decretado desde a semana passada um toque de recolher para comerciantes e moradores. O traficante também teria limitado a circulação de motociclistas.

Apontado como um dos líderes da facção criminosa ADA (Amigos dos Amigos), o traficante Nem controla a Rocinha desde novembro de 2005 e possui nove mandados de prisão contra ele.

Uma investigação da Polícia Civil confirmou que Nem recebeu atendimento médico na manhã de segunda-feira (7) na UPA (Unidade de Pronto-Atendimento) da Rocinha.

Na ocasião, o traficante teria ido à UPA acompanhado de seguranças armados com fuzis. A Secretaria Municipal de Saúde, responsável pela unidade, não confirma o atendimento ao criminoso, mas também não nega o fato.

Uma das informações recebidas pela Polícia Civil é de que Nem teria procurado atendimento porque teria tido uma convulsão após misturar álcool com ecstasy durante uma festa realizada na Rocinha entre a noite de domingo (6) e a madrugada de segunda-feira.

Com a Folha.com

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