UE afirma que queda de Gaddafi é “fim de uma era” na Líbia

Os principais dirigentes da União Europeia afirmaram nesta quinta-feira que a morte anunciada pelos rebeldes líbios do ex-ditador Muammar Gaddafi é “o final de uma era” no país.

O fim do ditador “marca o fim de uma era de despotismo e repressão que se estendeu por tempo demais pelo povo líbio”, disseram em uma declaração conjunta os presidentes do Conselho Europeu, Herman van Rompuy, e da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso.

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Philippe Desmazes/France Presse
Foto tirada de celular mostra suposta imagem de Muammar Gaddafi ensanguentado
Foto tirada de celular mostra suposta imagem de Muammar Gaddafi ensanguentado

“A Líbia pode nesta quinta-feira virar uma página em sua história e empreender um novo futuro democrático”, declararam.

Van Rompuy e Barroso pediram ao CNT (Conselho Nacional de Transição), órgão político rebelde, que coordenem “um processo de reconciliação” dirigido a todos os líbios e permitam “uma transição democrática, pacífica e transparente no país”.

O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, disse que “agora a guerra na Líbia acabou”. Falou também uma frase em latim, “Sic transit gloria mundi”, que significa “as coisas mundanas são passageiras”.

Os comentários de Berlusconi foram feitos durante uma reunião com membros de seu partido, o PDL (Povo da Liberdade), em Roma.

Fontes do Ministério das Relações Exteriores italiano pediram cautela diante das notícias chegadas da Líbia sobre a captura e morte de Gaddafi à espera de uma confirmação da Otan, a aliança militar do Ocidente, que, por enquanto, só fala em ataque a um comboio militar nas imediações da cidade de Sirte.

Ainda que a morte de Gaddafi tenha sido anunciada pelos rebeldes, a aliança manterá sua operação militar na Líbia para proteger a população civil, independentemente do que tenha acontecido com o ex-ditador, afirmaram fontes da organização.

Reprodução
Reprodução da AL jazeera
Reprodução da AL jazeera

Aviões da Otan bombardearam um comboio militar das forças pró-Gaddafi nas imediações de Sirte, embora os rebeldes afirmem que isso não causou a morte do ditador, mas sim ataques das forças insurgentes.

Comandantes das forças rebeldes da Líbia afirmaram que Gaddafi, cuja captura foi reportada mais cedo, não resistiu aos ferimentos e morreu, segundo agências de notícias e emissoras de TV.

As forças do CNT, órgão político dos rebeldes, anunciaram a captura de Gaddafi nesta quinta-feira.

Citado pela agência France Presse, o porta-voz do CNT (Conselho Nacional de Transição), órgão político rebelde, Abdel Hafez Ghoga, confirmou a morte do ex-ditador em Sirte. “Nós anunciamos ao mundo que Gaddafi foi morto pelas mãos da revolução”, disse. “É um momento histórico. É o fim da tirania e da ditadura”.

O chefe militar do CNT, Abdul Hakim Belhaj, também afirmou à rede qatariana Al Jazeera que Gaddafi havia morrido devido à gravidade de seus ferimentos durante sua captura em Sirte.

À agência de notícias Reuters, Abdel Majid Mlegta, também do CNT, afirmou que Gaddafi foi capturado e ferido nas duas pernas, quando tentava fugir em um comboio atacado por caças da Otan, a aliança militar do Ocidente. “Ele também foi atingido na cabeça”, disse. “Houve muitos disparos contra seu grupo e ele morreu”.

CAPTURA

Segundo a emissora de TV britânica BBC, Gaddafi foi detido pelos rebeldes enquanto tentava escapar de Sirte, sua cidade natal, em um comboio. Um combatente do CNT declarou que ao ser capturado Gaddafi gritou: “Não atirem, não atirem.”

Um site de notícias pró-regime negou a captura de Gaddafi.

Ahmad Al-Rubaye/France Presse
Soldado rebelde se protege durante combate com forças leais a Gaddafi na cidade de Sirte
Soldado rebelde se protege durante combate com forças leais a Gaddafi na cidade de Sirte

Há relatos ainda de que o ditador se escondia em um buraco em Sirte quando foi capturado.

Imagens divulgadas pela emissora americana CNN mostravam líbios comemorando pelo país as notícias de que o ditador foi detido.

De acordo com a France Presse, Aboubakr Younès Jaber, ministro da Defesa do regime, foi morto em Sirte hoje. O médico Abdou Raouf afirmou ter “identificado o corpo”, levado nesta manhã para o hospital de campanha local.

Gaddafi teve sua prisão decretada pelo TPI (Tribunal Penal Internacional, em Haia) sob a acusações de ordenar a morte de centenas de civis. Ele estava foragido desde fevereiro deste ano, após uma onda de protestos populares na Tunísia e no Egito derrubarem seus respectivos regimes.

Editoria de Arte/Folhapress


DA EFE
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