Vaccarezza nega crise no governo por acusações contra ministros

O líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-RS), negou que o governo passe por uma crise por causa das acusações de irregularidades contra mais um ministro: Orlando Silva (Esporte).

“Não vamos confundir demissão de ministro com crise do governo”, afirmou o petista. Desde o início do governo, a presidente Dilma Rousseff já perdeu cinco ministros, sendo quatro acusados de irregularidades –Alfredo Nascimento (Transportes), Wagner Rossi (Agricultura), Pedro Novais (Turismo) e Antonio Palocci (Casa Civil). Já Nelson Jobim (Defesa) deixou o governo após desavenças com Dilma e declarações de que havia votado em José Serra (PSDB) na eleições presidenciais.

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Nesta quinta-feira, Vaccarezza disse ainda que os depoimentos dados pelo policial militar do Distrito Federal João Dias Ferreira não têm “importância nenhuma”. Ferreira acusa o titular do Esporte de participação em um esquema de desvio de recursos da pasta.

Ontem, a oposição conseguiu aprovar requerimento que convida o policial a prestar depoimento na Câmara. Vaccarezza, no entanto, negou que isso tenha acontecido por um “cochilo” da base aliada.

“A vida não acontece só aqui na Câmara. Se ele [João Dias] tiver provas vai falar antes”, disse Vaccarezza.

A audiência de Ferreira foi marcada apenas para quarta-feira da semana que vem. Hoje, o PSDB pediu ao Ministério da Justiça cópia do depoimento prestado pelo policial ontem na Polícia Federal.

ENTENDA O CASO

Dois integrantes de um suposto esquema de desvio de recursos do Ministério do Esporte acusam Silva de participação direta nas fraudes, segundo reportagem publicada pela revista “Veja”.

O soldado da Polícia Militar do Distrito Federal João Dias Ferreira e seu funcionário Célio Soares Pereira disseram à revista que o ministro recebeu parte do dinheiro desviado pessoalmente na garagem do ministério.

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou que irá investigar as acusações.

Segundo o ministro, que tem desqualificado o policial militar em entrevistas e nas oportunidades que falou do assunto, disse que as acusações podem ser uma reação ao pedido que fez para que o TCU investigue os convênios do ministério com a ONG que pertence ao autor das denúncias.

Em nota, o Ministério do Esporte disse que João Dias firmou dois convênios com a pasta, em 2005 e 2006, que não foram executados. O ministério pede a devolução de R$ 3,16 milhões dos convênios.

De acordo com o ministro, desde que o TCU foi acionado, integrantes de sua equipe vêm recebendo ameaças.

ACORDO

Em entrevista publicada na terça pela Folha, Ferreira disse que Orlando Silva lhe propôs um acordo, em março de 2008, para que não levasse a órgãos de controle e à imprensa denúncia sobre irregularidades no Programa Segundo Tempo.

Ferreira protestou, na reunião que afirma ter tido, sobre ação do ministério que apontou irregularidades em dois convênios. O ministro nega o encontro com Ferreira em 2008. Diz que só se encontrou com ele em 2004 e 2005.

Anteontem, o delator participou de reunião com lideranças da oposição no Congresso Nacional, e afirmou que em breve novos documentos serão mostrados para comprovar os desvios. Segundo ele, há “mais de 300 caixas pretas” que comprovariam as irregularidades.

Com a Folha.com

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