Vitórias ajudam Ricardo Gomes, afirma técnico interino

O treinador interino do Vasco, Cristóvão Borges, 52, completa um mês à frente do time. Nesse período, o clube saltou de quarto colocado para líder do Brasileiro. Ele assumiu o comando após Ricardo Gomes, 46, ter sofrido um AVE (acidente vascular encefálico) em 28 de agosto.

Em entrevista por telefone à Folha, o ex-auxiliar técnico disse que a união da equipe depois do incidente com o colega foi crucial para o bom desempenho no Nacional.

  Nina Lima – 31.ago.2011/Divulgação  
Cristóvão comanda o Vasco contra o Ceará em São Januário
Cristóvão comanda o Vasco contra o Ceará em São Januário

Hoje, às 16h, no Rio, o Vasco tenta se manter no topo da tabela diante do Corinthians, segundo colocado, que soma só dois pontos a menos que o time carioca.

Folha – Como foi a sua semana antes de um duelo direto pelo título?
Cristóvão Borges – A gente sabe da grandeza do jogo, da responsabilidade, do que significa a partida, e procuramos tratar com a mesma seriedade, com a mesma concentração, o que acontece em todos os jogos. Lógico que esse jogo é importantíssimo. O Corinthians está próximo da gente [na classificação] e é candidato ao título também.

Tem cheiro de decisão esse jogo?
Não. Não acredito nisso, porque não só para o Vasco, como para o Corinthians e para os outros postulantes ao título, faltam bastante [jogos], e os que faltam não são moles. Vejo que será um jogo importantíssimo. Se o Corinthians conseguir a vitória, ele passa a gente. Se a gente conseguir a vitória, o Vasco dá uma ‘distanciadazinha’, o que é muito bom, mas que não decide nada, não.

O que mudou para você desde que assumiu o cargo?

Mudou bastante. São mais ocupações. A exigência é maior, a responsabilidade é muito grande. Foi um choque muito grande. Além de meu companheiro de trabalho, ele é meu amigo e, naquele momento, corria risco de morrer. Três dias depois, a gente tinha que jogar. Para poder segurar essa, em um momento assim, foi duro, muito duro, mesmo. A gente tem um grupo [de atletas] bom, e o clube se abraçou, todos deram as mãos.

Você tem sido mais reconhecido nas ruas? Como está o dia fora de campo?
Isso é natural. Acontece bastante. É uma exposição maior na mídia. Eu apareço mais na televisão, a minha imagem está no jornal. Sou mais reconhecido.

O que sentiu na relação com os jogadores nesse período?
Com eles, foi um pouco mais confortável. Eu estou no trabalho com o Ricardo desde o começo e participei de tudo. Então foi só eu dar continuidade, e as coisas foram acontecendo.

Agora que a situação se acalmou e que o Vasco lidera, existe o risco de um oba-oba?
Isso não vai acontecer. Não tem essa distinção. Quando aconteceu [o problema de Ricardo Gomes], pegou todo mundo de surpresa. Mas a reação também foi muito rápida. Nós conversamos [com os jogadores] para esclarecer a situação do Ricardo. Os jogadores entenderam. O clube se uniu, todo mundo. Isso criou uma força que a gente pôde transmitir. Conseguimos os resultados nas partidas, e acredito que isso tenha também ajudado bastante na recuperação dele.

Como está o Ricardo?
Muito bem. Os médicos, que estão acostumados com isso [recuperação de AVE], estão todos surpresos com a evolução rápida dele. Ele está cada dia melhor. Mas, lógico, não é tudo normal. A fala foi afetada, e o lado direito também. Ele faz exercícios de fisioterapia, fonoaudiologia. Conversa de tudo.

De futebol?
Futebol também. Nas outras visitas que fiz a ele, eu conversava de futebol em tom de brincadeira. Muito pouco. Desta vez, disse que era dia de ele trabalhar. Ele falou que ainda não era hora, mas eu respondi que tinha levado bastante trabalho para ele. Mas tudo de brincadeira. Ele está com um astral bacana.

Você conheceu o Ricardo quando vocês jogavam pelo Fluminense?
Isso. A gente se conheceu no Fluminense [no começo dos anos 80]. Eu já era jogador profissional e ele, que é mais jovem, chegou a treinar com a gente. Depois, eu saí do clube e ele ficou. Quando ele voltou da Europa, já como treinador, nós nos encontramos em um curso de futebol que o Zagallo e o Parreira estavam dando no Rio. Ele era o convidado e eu, que também tinha parado de jogar, estava estudando, fazendo cursos. Aí combinamos de trabalharmos juntos. Em seguida, surgiu a oportunidade de irmos ao Vitória, esse foi o nosso primeiro trabalho juntos. Daí para frente, ficamos cinco anos seguidos trabalhando juntos, em vários clubes. Quando ele foi para a Europa treinar um time lá, ele não podia levar a comissão técnica. Eu fiquei, e o Toninho Cerezo me convidou para ir para os Emirados Árabes. Eu fui e fiquei três anos. Quando voltei de lá, o Ricardo tinha saído do São Paulo. A gente conversou de novo de trabalharmos juntos. Aí, apareceu o Vasco. Estamos aqui.

Agora é a primeira vez que você está à frente do comando de um time?
Quando nós estávamos no Juventude, ele [o Ricardo] foi convidado para a seleção olímpica. Ele teve que sair logo. Aí eu fiquei no Juventude alguns meses. Depois eu saí e fui para seleção olímpica com ele.

Com a Folha.com

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