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A bagunça reina na Conde da Boa Vista

Quem tenta circular a pé pela Conde da Boa Vista encara todos os tipos de barracas e tabuleiros, pois camelôs resistem a ações de reordenamento Alexandre Gondim/JC Imagem
Quem tenta circular a pé pela Conde da Boa Vista encara todos os tipos de barracas e tabuleiros, pois camelôs resistem a ações de reordenamento
Alexandre Gondim/JC Imagem

No momento em que os recifenses começam a ter de volta espaços do entorno de alguns mercados públicos do Recife, no Centro da cidade o termo mobilidade ainda é pura ficção. Com as calçadas tomadas por ambulantes, quem caminha por vias como a Avenida Conde da Boa Vista continua disputando espaço em meio a bancas, carroças, tabuleiros ou pequenos territórios demarcados por pedaços de pano onde se vende desde um boné – passando por meias, óculos, relógios, cintos e bijuterias – ao lanche fácil que exala no ar já poluído o cheiro de óleo da batata frita e de churros.

O reordenamento do espaço já foi tão prometido pelo poder público que não encontra muita credibilidade junto aos que convivem diariamente com o caos. “O ideal era organizar o comércio em um outro local para permitir a circulação de pedestres, pois ele dificulta a passagem, mas nem sei se isso ainda é possível”, declara, em tom de lamentação, a assistente social Glacia Santos, 33 anos, que transita diariamente pela Conde da Boa Vista.

Já os comerciantes estão preocupados com a possibilidade de a ação de reordenamento dos ambulantes, realizada na periferia, se estender até eles. “Ouvimos falar de uma operação no início de abril para tirar a gente, mas todo dia a Dircon (Diretoria de Controle Urbano da Prefeitura do Recife) passa, a gente sai e depois volta”, diz o ambulante Valdecir Olímpio, 36, há um ano e meio na via vendendo meias e bonés. “Eu até trabalho como armador, mas está difícil encontrar serviço, o jeito é ficar correndo e voltando, nunca tive mercadoria apreendida.”

O boato de uma operação municipal tem origem. É no início de abril que vence a autorização concedida pela Prefeitura do Recife a comerciantes da Rua do Hospício, cujo destino, anunciado em 2011 pelo Executivo, seria um shopping popular. “Eu mal consigo dormir preocupado em não renovarem nossa licença, mas não nos informam nada ainda”, desabafa Giliardi Silva Leite, 57, há 25 anos vendendo acessórios femininos no Centro. “Já mudei de lugar três vezes e minha barraca diminuiu de quatro para um metro quadrado. Queria que eles padronizassem tudo, mas deixassem a gente por aqui, pois com esse trabalho criei três filhos e a mais velha pôde ir para a faculdade”, relata.

Sem uma ação mais efetiva do poder público, o comércio informal vai se instalando em outras ruas onde não existia. Na Rua da Soledade, os ambulantes chegaram com o posto de carregamento do cartão VEM e estão em expansão. “Lá na Praça Maciel Pinheiro não tinha essas barracas de comida, era só a gente vendendo acessório para o cartão, mas o espaço aqui é maior”, afirma José Abraão, 46, há 15 anos trabalhando como ambulante. “Se nos tiram daqui a gente volta porque não temos pra onde ir, mas a Dircon não tem funcionário suficiente para isso”, ironiza, sendo chamado a atenção por colegas temendo represália.

DEGRADAÇÃO – Os transtornos à mobilidade provocados pelo comércio informal no Centro do Recife se tornam mais evidentes somados às péssimas condições das vias. Na Avenida Conde da Boa Vista, reformada em 2008, a degradação é visível. Os pisos intertravados estão se soltando, há paradas de ônibus pichadas, vegetação morta, lixeiras quebradas, publicidade irregular por todo lado. “Essa cidade precisa de atenção”, resume a aposenta Vera Lourenço.

Fonte: Do JC Online

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