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Analistas veem Barack Obama 'mais confiante' na política externa dos EUA

Um Barack Obama mais confiante para enfrentar os desafios da política externa assume, nesta segunda-feira (21), o seu segundo mandato como presidente dos Estados Unidos. Segundo analistas políticos ouvidos pelo G1o presidente reeleito está mais seguro para se engajar nos temas que considera importantes para os próximos quatro anos. Depois de resolver a questão das contas públicas, ele deve dar prioridade a temas como as negociações nucleares com o Irã, a retirada militar do Afeganistão e o conflito na Síria.

“Obama está mais confiante em seu pensamento sobre assuntos globais e em seu papel como comandante supremo. […] Ele está preocupado com a situação do mundo, mas calmo a respeito de suas próprias habilidades para aplicar uma política externa americana efetiva e sensata”, diz Michael Shifter, presidente do Instituto Diálogo Interamericano, especializado em política de relações exteriores e relações entre os Estados Unidos e a América Latina.

Para o analista, um dos principais temas deste novo mandato será a briga com o Irã para deter sua operação nuclear –para os Estados Unidos, de viés claramente bélico. “O Irã será um teste crucial para Obama, especialmente nos primeiros anos do segundo mandato. Ele assumiu a posição de insistir que é inaceitável para o Irã desenvolver um programa nuclear. Essa é uma posição dura que ele terá que ‘peitar’, já que ele sabe dos riscos que envolve e irá querer evitar qualquer opção militar.”

Segundo Shifter, outro tema crucial nestes primeiros anos é a saída do Afeganistão. Na opinião do analista, existe pouca dúvida de que Obama está comprometido com a retirada das tropas. “Não há mais vontade de prolongar a mais longa guerra da história dos EUA”, diz ele. A retirada de tropas do país, marcada para terminar em 2014, é uma promessa de campanha do presidente e deverá ajudar a aliviar as contas públicas do país.

Obama durante o anúncio da nova proposta de lei para controle de armas em Washington, no dia 16(Foto: AFP)
Obama durante o anúncio da nova proposta de lei para controle de armas em Washington, no dia 16
(Foto: AFP)

Equipe
As indicações para secretário de defesa e de conselheiro antiterrorismo já deram pistas sobre os rumos que Obama tomará neste segundo mandato. Para Shifter, “sua nova equipe de relações exteriores e segurança nacional reflete suas visões sobre limites no mundo e os riscos envolvidos em aventuras internacionais que se provaram contraproducentes”.

Segundo Ross Douthat, colunista do “The New York Times”, ambos os nomeados para os cargos de defesa e de inteligência estiveram “intimamente” envolvidos nos debates de política externa da administração George W. Bush, mas com diferentes perfis.

O conselheiro John Brennan, indicado para dirigir a agência de inteligência do país (CIA), “defendeu as mais controversas políticas antiterrorismo, incluindo a ‘rendição’ de suspeitos de terrorismo para interrogatórios em países estrangeiros”, disse o colunista.

Já o novo homem da defesa, o ex-senador republicano Chuck Hagel, é “um condecorado herói de guerra” que, portanto, “sabe o que é uma guerra”, de acordo com uma análise escrita pelo professor Juan Cole, da Universidade de Michigan, em seu site. Cole lembra que Hagel votou pela ida ao Iraque, mas levantou questionamentos quanto à ignorância sobre o que se estava buscando –e depois se juntou aos democratas ao votar pela saída.

Drones
Para o colunista Douthat, parece “apropriado” que Obama tenha nomeado os dois juntamente. “Como Hagel, Obama rejeitou veementemente a visão estratégica de Bush de uma América como agente transformador no Oriente Médio, e recuou de compromissos militares que essa visão exigia.”

No caso de Brennan, Douthat diz que sua nomeação “cristaliza” as maneiras como Obama cimentou e expandiu a condução da política antiterror. “Sim, o afogamento não está mais entre nós, mas no seu lugar temos uma diluída campanha de drones [aviões não tripulados]. […] Se pudermos denifir uma ‘doutrina Obama’, então ela é basicamente os dois passos Hagel-Brennan. Poucos passos no campo de batalha, mas muitos drones no ar.”

Outro professor, John Crocitti, da Universidade Mesa, da Califórnia, concorda que o uso dos drones seguirá imperativo nesse novo mandato de Obama. “Ele está usando a força militar para atacar terroristas, bombardeá-los, como presidentes republicanos fizeram. […] Suas prioridades serão Oriente Médio, terrorismo… Acho que ele manterá o uso dos drones, aviões automáticos, para matar membros de organizações terroristas. Embora ele queira se desvincular do Oriente Médio, a maioria dos americanos quer, vai ser difícil. Em muitos sentidos, a situação não está sob nosso controle.”

Fonte: Do G1

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