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Anistia diz que ativistas condenados na Rússia são “presos políticos”

A Anistia Internacional declarou nesta terça-feira que considera que os ativistas Alexei Navalni e Ilia Yashin, condenados a 15 dias de prisão após serem detidos em protestos na Rússia, são “presos políticos”.

“Entendemos, segundo a informação que temos, que Yashin e Navalni são presos políticos”, declarou o presidente da seção russa da organização, Serguei Nikitin, citado pela agência Interfax.

“Estas pessoas, da mesma forma que o resto dos manifestantes detidos por tentativa de exercer seu direito à liberdade de expressão e reunião, devem ser libertadas de imediato”, exigiu o ativista russo.

Anton Golubev /Reuters
O ativista russo Ilya Yashin, detido na segunda-feira após protestos contra supostas fraudes nas eleições
O ativista russo Ilya Yashin, detido na segunda-feira após protestos contra supostas fraudes nas eleições

Segundo a ONG, as autoridades policiais russas, após deterem Yashin e Navalni e levá-los à delegacia, impediram que os ativistas tivessem acesso a um advogado. “A polícia detém (sempre) as mesmas pessoas. Não podemos dizer que as atuações policiais são um exemplo de prática normal para as forças da ordem pública. Isso nos dá a entender que as detenções têm motivações políticas”, disse Nikitin.

As autoridades russas, por sua vez, afirmaram que Yashin e Navalni foram detidos “por incitar a desobediência aos manifestantes”, segundo a Direção Geral de Interior.

PRISÕES

O blogueiro russo Alexei Navalni, detido na segunda-feira durante uma manifestação de opositores contra supostas fraudes nas eleições parlamentares de domingo, foi condenado nesta terça-feira a 15 dias de prisão, segundo informou a agência Interfax.

Um tribunal de Moscou considerou que Navalni era culpado por se “negar a obedecer às ordens da força pública”.

Mais cedo, Ilia Yashin, líder do movimento opositor liberal Solidarnost, também foi condenado em Moscou a 15 dias de prisão por ter desobedecido as ordens policiais de dispersão da manifestação de segunda-feira, de acordo com a Interfax.

Navalni e Yashin foram detidos na segunda-feira em Moscou junto com mais de 300 pessoas ao término de uma manifestação anti-Putin, a maior dos últimos anos, que reuniu cerca de 10 mil opositores, de acordo com os organizadores.

O ato opositor, que, segundo a polícia, reuniu cerca de 2.000 pessoas, foi autorizado em uma praça afastada do centro do poder russo.

Após a manifestação, centenas de pessoas quiseram se dirigir à sede da comissão eleitoral, mas a polícia as impediu e prendeu mais de 300 pessoas, entre elas Yashin e Navalni.

MAIS DETENÇÕES

As detenções continuaram nesta terça-feira. A polícia prendeu cerca de 100 militantes da oposição no momento em que manifestantes tentavam se reunir em Moscou para protestar contra a vitória do partido de Vladimir Putin nas eleições legislativas.

No entanto, a polícia não interveio contra militantes pró-governo, muito mais numerosos, presentes no outro lado da praça Trioumfalnaïa, para onde a oposição convocou a manifestação.

“Os (militantes da organização pró-governo) Nachi, cercados por policiais, tocavam tambores” para abafar os gritos dos opositores, contou Oleg Orlov, diretor da ONG russa de defesa dos direitos Humanos, Memorial.

Kirill Kudryavtsev/France Presse
Polícia antidistúrbios detém o líder opositor Boris Nemtsov, durante protestos nesta terça-feira em Moscou
Polícia antidistúrbios detém o líder opositor Boris Nemtsov, durante protestos nesta terça-feira em Moscou

Um cordão policial empurrava os manifestantes da oposição para fora da praça e atacavam prioritariamente quem gritava, por exemplo, “A Rússia sem Putin” ou “Indignação!”.

Um dos líderes da oposição, Boris Nemtsov, estava entre os opositores presos pela polícia. “Nemtsov foi detido por dez agentes”, declarou Olga Chorina, porta-voz deste ex-vice-primeiro-ministro do falecido presidente Boris Eltsine.

A polícia de Moscou alertou durante o dia que impediria qualquer manifestação não autorizada, depois que as convocações para protestos se espalharem pela internet. As autoridades russas admitiram que enviaram forças suplementares para a capital para reforçar a segurança.

Em São Petersburgo, segunda maior cidade do país, cerca de 300 opositores se reuniram na principal avenida, a Nevski Prospekt. Cinquenta deles foram presos, segundo constatou uma jornalista da France Presse no local.

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

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