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Antecipadas, eleições na Espanha refletem crise e derrocada de Zapatero

A Espanha faz neste domingo eleições para escolher o próximo premiê, além de senadores e deputados, em um pleito antecipado por causa da crise e que aponta para a derrocada da esquerda no país.

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Durante todo o dia, 34 milhões de eleitores espanhóis vão poder votar ao redor do país. A estimativa é que 60% deles compareçam às urnas –o voto é facultativo.

A apuração dos votos começa as 20h (17h no horário de Brasília), mas todo o país já dá como certa a vitória do líder da oposição, o candidato do conservador PP (Partido Popular) Mariano Rajoy.

  Chema Moya/Efe  
Candidato do Partido Popular, Mariano Rajoy, é favorito na corrida eleitoral na Espanha
Candidato do Partido Popular, Mariano Rajoy, é favorito na corrida eleitoral na Espanha

Ele tem 46% das intenções de voto, segundo as sondagens, que apontam ainda maioria no Congresso para o PP. Atualmente, o PSOE (Partido Socialista Obreiro Espanhol) lidera
O favoritismo de Rajoy se deve principalmente à baixa popularidade do atual premiê, José Luis Rodríguez Zapatero. O principal concorrente de Rajoy, o socialista Alfredo Pérez Rubalcaba, é o candidato indicado por Zapatero, de quem era braço direito no governo.

A derrocada política de Zapatero começou no ano passado, quando, pressionado pela União Europeia, ele anunciou uma série de medidas de austeridade fiscal que incluíam cortes sociais. Os sindicatos romperam com o premiê. A Espanha despertou de um relativo estado de paz social desde o início da gestão de Zapatero, em 2004, e os protestos começaram.

O ápice foi o chamado movimento dos indignados, um grupo de pessoas, sobretudo jovens, que tomou as praças de todo o país com acampamentos e manifestações.

O germe do movimento foi um grupo que decidiu passar a noite na Porta do Sol, principal praça de Madri, após um protesto em maio, uma semana antes das eleições internas. Nelas, o país renovou os presidentes das comunidades autônomas –espécies de estados com mais autonomia nas quais a Espanha é dividida– e prefeituras.

DERROTA POLÍTICA

O resultado das eleições foi a pior derrota política na história do socialismo espanhol. O Partido Popular ganhou em 11 das 13 comunidades autônomas que participavam das eleições — as outras quatro têm eleições em outras épocas– além da maioria das prefeituras em nove comunidades.

  Marcelo del Pozo/Reuters  
Pedestres em frente a cartazes eleitorais de Alfredo Perez Rubalcaba (à esq.) e Mariano Rajoy
Pedestres em frente a cartazes eleitorais de Alfredo Perez Rubalcaba (à esq.) e Mariano Rajoy

Foi o início do fim político de Zapatero.

Em julho, pressionado pela oposição, pelas desconfianças crescentes do mercado e até por socialistas, o premiê convocou a antecipação das eleições gerais, inicialmente previstas para maio de 2012. Anunciou também que se retira da vida política.

Além de um novo premiê, que deve tomar posse em dezembro, as eleições definirão 208 senadores e 350 deputados.

O voto na Espanha é manual, feito através de cédulas entregues aos eleitores nas secões eleitorais dentro de envelopes. O governo disponibilzou 76 milhões deles. Após marcar as opções para premiê, senadores e deputados, os eleitores depositam o envelope fechado nas urnas. Os resultados estão previstos para sair ainda na noite deste domingo.

  Editoria de Arte/Folhapress  

Com a Folha.com

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