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Aos 100 anos, Santos vê seus primeiros rivais sofrerem na 4ª divisão

No ano em que o Santos completa seu primeiro centenário e vê seu faturamento aumentar, Jabaquara e a Portuguesa Santista, os primeiros rivais da história do time da Vila Belmiro, tentam sair do fundo do poço e se reerguer no futebol paulista.

Os dois estão na quarta divisão do futebol paulista e convivem com a falta de apoio, baixas receitas e, no caso específico da Portuguesa, questões judiciais que dificultam o planejamento e o crescimento. No domingo, o Jabaquara venceu o rival por 2 a 1 no clássico da cidade.

Fora da divisão de elite, o quase centenário Jabaquara –completa cem anos em 2014– se vira como pode para arcar com a sua folha salarial, que gira em torno R$ 40 mil, incluindo a comissão técnica.

Cléber Léo Bortolomasi/Goolaço Imagem
Lance do jogo em que o Jabaquara derrotou a Portuguesa Santista por 2 a 1, no estádio Espanha
Lance do jogo em que o Jabaquara derrotou a Portuguesa Santista por 2 a 1, no estádio Espanha

“Nossa maior arrecadação é com a locação de espaços da nossa área social. Alugamos a área hípica, os salões e temos algumas parcerias. São valores modestos, mas que ajudam bastante”, disse o presidente do Jabaquara, Bento Marques Prazeres.

“Apesar das dificuldades, não temos dívidas. Temos todas as certidões negativas. Estamos nos estruturando e caminhado com as próprias pernas, mas com passos pequenos”, acrescentou o cartola, que está no clube desde 2008 e encerra o seu mandato no final deste ano.

Já a Portuguesa Santista, que disputou a Série A-1 pela última vez em 2006, sofre com processos trabalhistas e também a falta de apoio.

“A Portuguesa não recebe ajuda de ninguém. Não temos parceiros e nem patrocinadores. Vivemos da receita dos associados, do aluguel do salão de festas e do estacionamento. É muito difícil, mas vamos tocando. Não posso dar um passo maior que a minha perna”, disse o presidente José Ciaglia.

A folha salarial da equipe é, segundo ele, de aproximadamente R$ 35 mil.

Cléber Léo Bortolomasi/Goolaço Imagem
Lance do jogo em que o Jabaquara derrotou a Portuguesa Santista por 2 a 1, no estádio Espanha
Lance do jogo em que o Jabaquara derrotou a Portuguesa Santista por 2 a 1, no estádio Espanha

Os dois clubes também lamentam a falta de apoio da FPF (Federação Paulista de Futebol), que destina uma cota de R$ 12 mil para cada um dos 41 times participantes da última divisão paulista durante os seis meses de disputa.

“Essa divisão é o fundo do poço. É um dinheiro que não dá para nada. O campeonato é longo e custoso”, afirmou Ciaglia. “É um valor insignificante, mas é melhor do que nada”, disse o vice-presidente de futebol do Jabaquara, Gilson Pereira da Silva.

Com a receita mínima para tocar os clubes e sem o apoio da FPF, Portuguesa Santista e Jabaquara procuraram o Santos para fechar uma parceria. No entanto, os dois clubes não conseguiram chegar a um acordo com os jogadores do time da Vila Belmiro.

“Temos um ótimo relacionamento com o Santos, mas as negociações não evoluíram. Os jogadores não aceitaram. Os jogadores da base do Santos têm salário maior”, afirmou Bento Marques Prazeres. “Quem vive no Santos vive no auge. Então fica chato para o próprio atleta vir jogar aqui”, disse o vice do Jabaquara.

“Conversamos com o Santos, que até fez uma lista de jogadores para a gente. No entanto, é muito difícil contratar. Eles não se enquadram na nossa realidade financeira”, contou Ciaglia, que conseguiu acertar a contratação dos santistas Wesley (lateral esquerdo) e Jeferson (volante).

O valor oferecido pela FPF à Portuguesa Santista e ao Jabaquara não corresponde a 1% do que o Santos recebeu para jogar a elite do Estado –R$ 10 milhões por pouco mais de três meses de disputa.

Com o novo contrato assinado com a TV Globo sobre os direitos de transmissão do Brasileiro, o Santos também recebe cerca de R$ 70 milhões, além de outras cotas e patrocínios.

Só Neymar, que possui 11 patrocinadores, tem faturamento mensal de R$ 2,3 milhões. O Santos arca com aproximadamente R$ 350 mil.

PROBLEMAS JUDICIAIS

Apesar de estar no cargo desde novembro de 2011, o presidente José Ciaglia tem duas pendências da gestão anterior para resolver.

A primeira é referente 21 mil metros do terreno ocupado pelo clube nas dependências do Ulrico Mursa. O terreno localizado atrás das arquibancadas do estádio é propriedade federal e foi requisitada pela SPU (Secretaria de Patrimônio da União).

Ciaglia argumenta que o clube está há 95 anos no local (o clube foi fundado em 1917) e que irá brigar pela manutenção do terreno.

Outro problema envolve a condenação do clube no início de maio por situação de trabalho precário no caso de 12 jogadores de 14 a 16 anos em 2011. Recrutados do Pará por um agente terceirizado, eles dividiam um apartamento de 40 metros quadrados em Santos.

Após denúncia anônima em maio do ano passado, o Conselho Tutelar visitou o local e considerou que os jogadores viviam em situação precária. Dois retornaram para o Pará e os outros dez foram transferidos para a Pensão Capelinha.

Ciaglia disse que são problemas da outra gestão e que não pode comentar.

Fonte: Da Folha.com

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