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Após fim da guerra, Obama e Al Maliki defendem soberania do Iraque

Em uma conferência histórica em Washington, o premiê do Iraque, Nouri al Maliki, e o presidente dos EUA, Barack Obama, reiteraram o fim da guerra e o início de uma parceria duradoura cujos mecanismos ainda estão sendo finalizados. Os dois líderes advertiram ainda contra a interferência de outros países no Iraque, defendendo a soberania da nação árabe.

“O Iraque seguirá uma política externa de não-interferência e queremos que nossa soberania seja respeitada”, disse Al Maliki, acrescentando que os vizinhos da região perceberão que a “saída do último soldado dos EUA não representa o fim da relação entre os dois países, mas apenas o início de uma intensa cooperação”.

Olivier Douliery/Efe
Presidente americano, Barack Obama (à dir.) saúda premiê iraquiano, Nouri al Maliki, no Salão Oval da Casa Branca
Presidente americano, Barack Obama (à dir.) saúda premiê iraquiano, Nouri al Maliki, na Casa Branca

O país, que divide fronteiras com a Síria e o Irã, deve contar com o auxílio americano para treinar seu Exército, mas os detalhes de como isto ocorrerá sem a presença de militares ou bases dos EUA ainda não foram divulgados.

Também comentando a tensa situação geopolítica da região, onde Washington mantém como seus principais aliados estratégicos Israel e a Arábia Saudita, Obama reforçou que os iraquianos devem ser respeitados.

“Vamos ter parcerias para a segurança regional. Assim como o Iraque se comprometeu de não interferir em assuntos dos vizinhos, os outros devem respeitar a soberania do Iraque. Os Estados Unidos manterão sua presença no Oriente Médio, e agora teremos mais recursos para investir no Afeganistão, onde manteremos a luta contra a Al Qaeda”, disse o americano.

PARCERIA E PETRÓLEO

Entre os detalhes da cooperação estratégica entre os dois países estão o treinamento das forças iraquianas e a exploração de petróleo, setor em que as empresas americanas devem ter prioridade de negociação frente aos outros países.

O encontro chega dias antes de os EUA retirarem suas últimas tropas do país. Embora inicialmente os americanos tenham cogitado manter um contingente para treinamento das forças iraquianas, Washington decidiu que não manterá soldados ou bases país a partir do fim deste ano.

“Ao encerrar esta guerra, é importante saber que os iraquianos não estarão sozinhos. Vamos manter a parceria duradoura com o Iraque, assim como com outras nações. Queremos expandir nossa relação comercial, assim como a cooperação em setores como agricultura e educação”, disse Obama.

O presidente americano destacou que as forças de segurança locais já têm um papel mais dominante no país durante os últimos três anos, e que o nível de violência tem-se mantido em recordes de baixa.

Falando sobre os recursos nacionais, o premiê iraquiano disse que a ajuda internacional para “aumentar a exploração das nossas riquezas” será bem vinda. Entre elas está a exploração de petróleo, setor em que as empresas americanas devem ter prioridade, sugeriu Al Maliki.

SÍRIA

Durante a coletiva um repórter americano questionou os dois líderes sobre a situação política na Síria e indagou por que Al Maliki se recusou a pedir que o ditador Bashar al Assad renuncie, sugerindo que o motivo seria uma aproximação iraquiana dos interesses do Irã, que apoia o regime sírio.

Em resposta, Obama disse que os dois estão alinhados quanto à gravidade da crise e à condenação à violência do regime sírio, que vem ordenando ataques contra a própria população desde o início dos protestos que pedem sua renúncia. No entanto, há divergências “táticas”.

“Mesmo que haja discordâncias entre os EUA e o Iraque quanto à Síria, tenho certeza de que a posição de Al Maliki se baseia no que é melhor para o Iraque, e não porque há interesses iranianos na questão”, afirmou Obama.

Já Al Maliki alertou para os riscos de violência sectária na Síria, que poderiam se espalhar como “uma bola de neve” para os países vizinhos, e que preferiria que a transição de poder no país ocorresse sem as sanções ou intervenção militar externa.

“Nós sofremos com o bloqueio, e no fim das contas a população é quem mais se afeta. Eu preferiria que o que quer que seja feito na Síria não afetasse a segurança regional. O bloqueio e a intervenção militar não são o caminho mais apropriado”, afirmou o líder, acrescentando que o Iraque “não tem o direito” de pedir que Assad renuncie.

Com a Folha.com

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