Willames Costa

Compromisso com a informação

Bahia

Após isolar Centro Administrativo da Bahia, Exército reforça tropas

Objetivo é manter tranquilidade no CAB, diz representante do Exército.
Estão no local 1.400 homens do Exército, da Força Nacional e PMs.

Após isolar Centro Administrativo da Bahia, Exército reforça tropas (Foto: Lúcio Távora/Agência A Tarde/AE)Após isolar Centro Administrativo da Bahia, Exército reforça tropas (Foto: Lúcio Távora/Agência A Tarde/AE)

As tropas foram reforçadas no Centro Administrativo da Bahia (CAB) nesta quarta-feira (8), de acordo com informações do Exército. O número de homens no local passou de 1.038 para 1.400 no período da tarde, sendo 1.200 membros do Exército, 50 da Força Nacional e 150 PMs.

Segundo o tenente-coronel Cunha, responsável pela comunicação do Exército, a ampliação da segurança no local visa manter a tranquilidade no CAB. “Nós fizemos uma análise no final do dia de ontem e decidimos fazer o reforço para aumentar a segurança.  Não consideramos as manifestações tumulto”, destaca Cunha.

Os acessos ao CAB, onde fica a Assembleia Legislativa do estado sob ocupação de PMs grevistas, foram fechados no início da tarde desta quarta-feira pelas tropas das Forças Armadas que fazem o policiamento na região. De acordo com o tenente-coronel Cunha, o bloqueio foi uma decisão do comando da operação e a justificativa da ação não será informada por enquanto. Os manifestantes avaliam que a medida é para enfraquecer o movimento.

“Nós estamos pedindo para os companheiros não saírem daqui, para não correr o risco de voltar. Mas nós também somos militares, sabemos que isso é para tentar nos enfraquecer. Não vão conseguir”, afirma um dos manifestantes que se manteve dentro do cerco, enquanto pedia para os companheiros não saírem das redondezas do CAB.

Os veículos que estavam estacionados nas redondezas da Assembleia Legislativa da Bahia começaram a ser removidos na manhã desta quarta-feira. Um reboque das Forças Armadas foi usado na operação.

De acordo com o tenente-coronel Cunha, a ação acontece para obstruir a passagem nos arredores. Ainda segundo as informações, os veículos não foram rebocados, e sim removidos para locais onde não atrapalhem a operação das Forças Armadas.

Após isolar Centro Administrativo da Bahia, Exército reforça tropas (Foto: Lílian Marques/ Do G1)Barreira bloqueia acesso ao Centro Administrativo (Foto: Lílian Marques/ Do G1)
arte greve bahia vertical (Foto: Editoria de arte/G1)

Negociação
Após quase sete horas de tentativa de negociação entre sindicatos de PMs em greve e representantes do governo da Bahia, terminou sem avanços a reunião realizada na tarde de terça-feira (7), em Salvador. A informação foi confirmada pelo presidente da OAB da Bahia, Saul Quadros, e pela Secretaria de Comunicação do Estado (Secom).

“As negociações foram interrompidas depois de 24h [desde o início na segunda-feira], não chegamos a evoluir. A mesma proposta apresentada agora foi a do início da manhã. Lamentavelmente não chegamos a uma negociação”, disse Quadros.

O governador da Bahia, Jaques Wagner, pediu que os policiais militares grevistas retornem ao trabalho imediatamente. A declaração foi feita na tarde de terça, após o fim da reunião, em entrevista à Globo News. Ele também falou sobre a impossibilidade de negociar anistia aos policiais que cometeram crimes desde o início da greve, em 31 de janeiro. Wagner tranquilizou os turistas e baianos que pretendem curtir o carnaval na capital baiana a partir da próxima semana, informando que o esquema de reforço policial na cidade começa na terça-feira (14).

Saídas
Mais um homem deixou o acampamento na Assembleia Legislativa da Bahia na madrugada desta quarta-feira após revista e checagem da identidade por parte do Exército. No órgão público, estão reunidos policiais militares grevistas, que reivindicam questões salariais ao governo do estado. Na terça-feira, outros dois homens saíram do prédio da Assembleia de forma espontânea. Todos foram liberados porque não há mandados de prisão contra eles. Segundo informações do tenente-coronel Cunha, 10 adultos e sete crianças saíram ao longo dos dias da AL.

Ainda segundo as informações do tenente-coronel Cunha, o Exército está com uma estrutura montada com ambulância com UTI, remédios, alimentos e líquidos para todos aqueles que desejarem sair da assembleia. De acordo com o oficial, não será dado o direito de retornar ao prédio para aqueles que procurarem a ajuda das Forças Armadas. Doze mandados foram expedidos pela Justiça da Bahia contra policiais militares considerados líderes do movimento. Dois foram presos.

A madrugada desta quarta-feira foi considerada tranquila na Assembleia Legislativa. A energia foi cortada em alguns momentos, mas chegou a ser restabelecida. Não houve confrontos. As vias de acesso ao Centro Administrativo da Bahia, onde funciona a Assembleia, foram liberadas na terça-feira para funcionários dos órgãos públicos que têm sede no local. A entrada deles havia sido bloqueada por conta do risco à segurança em decorrência de confrontos armados entre manifestantes e tropas especiais que patrulham a área.

Jaques Wagner disse ainda que a população já está julgando a ação grevista dos policiais. “Aqueles que querem prestar o serviço à população sabem que a oferta é significativa e acredito que isso possa acontecer nas próximas horas. Existe um processo de intimidação de alguns e por isso, nem todos quiseram assumir a proposta feita pelo governo. Dizer que conquistamos a GAP IV e V é algo muito importante para a Polícia Militar da Bahia”, afirmou o governador.

“Os policiais que participaram legalmente, dentro das regras, pacificamente do processo reivindicatório, não têm com o que se preocupar. Já dei meu testemunho de que não vou ficar querendo punir quem trabalhou pela melhoria salarial. Porém, todos aqueles que quebraram e intimidaram a população já foram condenados pela própria Polícia Militar e pela sociedade baiana. É óbvio que isso será apurado. Não há como falar em perdão sem apurar atos de vandalismo, se não seria um salvo conduto para aqueles que estão confundindo o direito de reivindicar com o direito de aprontar no estado de direito”, disse Jaques Wagner.

Ele afirmou ainda que a manifestação grevista faz parte da democracia, mas questiona a forma como alguns policiais estão se manifestando no estado. “Alguns abraçaram um formato de reivindicar que não combina com a democracia. Por isso não falo em anistia, que só cabe quando se você sai de um regime de exceção. As prisões, eu repito, são determinações judiciais. Ordem judicial é para ser cumprida. Há uma ordem de prisão por conta do vandalismo e por ameaças à população. Claro que cada um terá o direito de defesa e seus advogados para isso”.

Carnaval garantido
“O planejamento está todo feito para o carnaval. O investimento de R$ 30 milhões na segurança será mantido. Faço um convite para que os policiais abracem a proposta feita pelo governo. A Operação Carnaval começa na terça-feira com a vinda de policiais do interior para a capital. Assim poderemos dar ao povo a maior festa popular do mundo e ter a eficácia da Polícia Militar da Bahia na resolução de conflitos”, disse o governador da Bahia.

Com Do G1 BA

LEAVE A RESPONSE

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *