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Após quase dois meses, sem-teto desocupam prédio em Taguatinga, DF

Famílias do MTST vivem em barracas em prédio de Taguatinga desde o dia 5 de janeiro (Foto: Luciana Amaral/G1)
Famílias do MTST vivem em barracas em prédio de Taguatinga desde o dia 5 de janeiro (Foto: Luciana Amaral/G1)

Cerca de 400 famílias do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) desocuparam na noite deste sábado (2) um prédio em Taguatinga, Distrito Federal, cumprindo o prazo estabelecido pela Justiça, que terminava neste domingo (3). Eles estavam no local há 57 dias. Depois da saída, famílias dizem que foram agredidas por policiais.

Membro do movimento, Vítor Guimarães conta que o grupo já havia desocupado a área e andava em marcha pelo Pistão Sul quando policiais militares jogaram spray de pimenta e agrediram as famílias, inclusive mulheres e crianças.

Os PMs alegavam que o grupo estava bloqueando a via, afirma Guimarães. “A gente estava na pista porque queria fazer uma marcha pacífica em homenagem a Taguatinga, que nos acolheu durante esses 60 dias de ocupação”, explica.

A PMDF não confirma que tenha havido conflito e diz que não há registros da utilização de spray de pimenta. A PM também disse, por meio de nota, que os envolvidos devem registrar boletim de ocorrência “a fim de se colher provas e fundamentar um possível inquérito disciplinar. Também convém solicitar que procurem a Ouvidoria da PMDF.”

O prazo judicial para a desocupação do imóvel, que é privado, terminou no dia 16 de fevereiro, mas não foi cumprido. Um dia antes da data, o grupo bloqueou a EPTG, sentido Plano Piloto, protestando contra a decisão. A data foi estendida pelo Governo do Distrito Federal, depois de um acordo firmado com o MTST no último dia 20.

Ficou decidido que a contrapartida para a desocupação será um auxílio financeiro de R$ 408 por família durante três meses. O movimento também pode se cadastrar como entidade no programa Morar Bem. O governo prometeu ainda encaminhar um projeto de lei à Câmara Legislativa do DF que prevê a melhoria de benefícios para famílias sem moradia.

Vítor Guimarães afirmou neste domingo que o MTST já fez o cadastro no Morar Bem e as famílias já estão recebendo o benefício financeiro. Ele disse que o projeto de lei acordado já está em tramitação na CLDF.

A ação com pedido de reintegração de posse foi ajuizada por Jarjour Veículos e Petróleo, empresa dona do terreno de 104 mil metros quadrados. A empresa informou à Justiça que está construindo um centro de ensino superior no local.

Novo Pinheirinho
Antes do prédio em Taguatinga, o grupo ocupou, em abril de 2012, a área que ficou conhecida como Novo Pinheirinho, em Ceilândia, em terreno público da Terracap. A desocupação ocorreu após o GDF apresentar propostas para a saída pacífica dos integrantes do movimento.

Na ocasião, o governo ofereceu o recadastramento habitacional das 1.449 famílias que ocupavam o assentamento. O GDF também ofereceu auxílio eventual de vulnerabilidade para quem não tivesse para onde ir.

Fonte: Do G1 DF

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