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Goiás

Após seis posses, Flores de Goiás continua sem prefeito definido

Flores de Goiás teve duas posses em 1º de janeiro (Foto: Paulo Henrique Teodoro/Arquivo Pessoal)
Flores de Goiás teve duas posses em 1º de janeiro
(Foto: Paulo Henrique Teodoro/Arquivo Pessoal)

Cinco meses após o 1º turno das eleições, moradores de Flores de Goiás , a 437 quilômetros de Goiânia, ainda não sabem quem realmente irá governar a cidade pelos próximos quatro anos. Com 6.481 eleitores, o município já teve este ano seis posses de prefeitos e pode até ter de realizar uma nova eleição. Com o candidato mais votado, Valmim Soares (PMDB), barrado pela Lei da Ficha Limpa, a administração municipal é alvo de uma disputa judicial entre o segundo colocado, Jadiel Ferreira (PSDB), e o presidente da Câmara Municipal, José Dias Pereira (PTB).

Candidato à reeleição, Valmim Soares teve o registro negado, em setembro do ano passado, por causa de uma condenação no ano de 2004. Pela Lei da Ficha Limpa, ele teve os direitos políticos suspensos por oito anos. O então prefeito recebeu a maioria dos votos na eleição municipal do dia 7 de outubro. Mas, sem registro, não pôde assumir o cargo e um juiz da comarca de Formosa, responsável pela região, deu ao segundo colocado o direito de ser empossado.

No dia 1º de janeiro, no entanto, duas posses ocorreram simultaneamente em Flores de Goiás. Em uma, Jadiel Ferreira realizou um evento no rancho paroquial, onde foi condecorado prefeito pelo vereador mais velho da cidade. Enquanto isso, na Câmara Municipal, vereadores empossaram o colega Walter de Jesus Santos (PSC), conhecido como Márcio, com a justificativa dele ter sido o parlamentar mais votado.

Ao G1, Márcio explicou que foi empossado prefeito porque na época era o presidente interino da Câmara. Segundo ele, pelo regimento interno da Casa, o vereador mais votado, que é o seu caso, assume a presidência interinamente por 45 dias, prazo em que deve ser escolhida a nova mesa diretora. “Eu não quis dar a posse para ele [Jadiel], porque ele não foi eleito”, justificou Márcio.

Primeira posse de José Dias, no dia 14 de fevereiro (Foto: Paulo Henrique Teodoro/Arquivo Pessoal)
Primeira posse de José Dias, no dia 14 de fevereiro
(Foto: Paulo Henrique Teodoro/Arquivo Pessoal)

Candidato único
Nenhum dos dois grupos conseguiu validar a ata de posse do dia 1º. Para adequar o documento, o candidato tucano realizou outra cerimônia, na mesma semana, dessa vez na Câmara, com a presença da maioria dos vereadores. Com isso, ele conseguiu na Justiça a diplomação para o cargo. A defesa alegou que ele foi candidato único, argumento acatado por uma juíza substituta da comarca de Formosa, que concedeu liminar em favor de Jadiel Ferreira.

“Eu disputei sozinho a eleição. Meu adversário teve o registro cassado antes das eleições e perdeu o prazo para recurso”, disse o tucano, em entrevista ao G1. Jadiel governou a cidade até 14 de fevereiro.

Com a eleição de um novo presidente da Câmara, o vereador José Dias Pereira (PTB) também acionou a Justiça. Ele ganhou, em primeira instância, o direito de administrar o município e protagonizou a quarta posse da prefeitura da cidade.

Mas a decisão vigorou até o final de fevereiro. No dia 1º de março, Jadiel retornou à prefeitura por força de uma liminar.

José Dias entrou com um mandado de segurança no Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) e conseguiu, na última segunda-feira (4), o direito de ser empossado, novamente, como prefeito de Flores. A decisão foi do juiz Airton Fernandes de Campos, do TRE-GO.

José Dias tomou posse de novo no dia 5 de março (Foto: Paulo Henrique Teodoro/Arquivo Pessoal)
José Dias tomou posse de novo no dia 5 de março
(Foto: Paulo Henrique Teodoro/Arquivo Pessoal)

Novas eleições
De acordo com a determinação, a prefeitura deverá ser administrada pelo presidente da Câmara até o julgamento do recurso do ex-prefeito e candidato à reeleição Valmim Soares, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ou a realização de uma nova eleição, caso a instância superior mantenha a cassação do registro de candidatura do peemedebista.

O magistrado também invalidou todos os atos executados na prefeitura anteriores à nova posse. Realizada na terça-feira (5), a cerimônia foi a sexta do ano.
“Eu acredito que o problema do Valmim possa ser resolvido. Mas caso não seja, o que nós queremos é uma nova eleição, e não que um candidato que não ganhou assuma a prefeitura”, disse ao G1 o atual prefeito José Dias.

Procurado pela reportagem, o advogado de Jadiel, Danúbio Cardoso, disse que já recorreu no próprio TRE. “Trata-se de uma decisão monocromática. O que vale é a decisão do colegiado. Estamos aguardando o crivo do Pleno”. Segundo o defensor, o recurso deverá ser julgado em sessão do Pleno no início da próxima semana.

G1 tentou contato com o ex-prefeito Valmim Soares, mas ele não retornou as ligações.

Quem perde com tudo isso é o município”
Eliete Costa
Eleitora

População irritada
Nascida e criada em Flores de Goiás, a autônoma Eliete Malaquias da Costa, de 31 anos, diz que está indignada com essa indefinição. “Tiramos o nosso tempo para votar, pagamos impostos e não temos prefeito até hoje. Quem perde com tudo isso é o município”, reclama.

Para ela, os prejuízos já estão sendo sentidos em vários setores, como a educação e a saúde. “Esse entra e sai de prefeitos, sem que a gente tenha uma decisão final, tem afetado o serviço público. Nas escolas, por exemplo, trocam professores o tempo todo. O transporte escolar não está funcionando direito. Os médicos que não são efetivos faltam ao plantão. Há uma insegurança total entre os servidores e a população não tem o atendimento adequado”, conta.

Segundo Eliete, os moradores de Flores de Goiás estão irritados e esse impasse tem prejudicado, inclusive, o convívio social. “Cada um quer defender o seu candidato e o seu ponto de vista. Isso tem gerado brigas entre vários moradores. Eu estou ficando com medo dessa confusão toda. Desde o dia 7 de outubro a gente não tem sossego. Não aguento mais tantas posses e nenhum prefeito de fato”, lamenta.

Fonte: Do G1 GO

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