Willames Costa

Compromisso com a informação

Mundo

Assad fará ‘em breve’ referendo para Constituição, diz ministro russo

O ministro de Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, afirmou nesta terça-feira que o ditador da Síria, Bashar al Assad, convocará “em breve” um referendo para uma nova Constituição no país, após 11 meses de confrontos entre oposição e o regime.

De acordo com o chanceler russo, que foi recebido pelo mandatário sírio em Damasco, o texto já está pronto e a data será anunciada nos próximos dias. O ministro também disse que o documento permitirá o pluripartidarismo.

Em 10 de janeiro, Assad havia anunciado que o plebiscito para a nova Carta Magna do país aconteceria em março. De acordo com informações de fontes do governo sírio, a comissão redatora teria limitado o mandato dos próximos presidentes em dois períodos de sete anos. A medida não especifica se a reforma valeria para Assad, que termina seu mandato em 2014.

Lavrov ainda disse que Assad quer dialogar com todas as forças políticas sírias. “É claro que todos os esforços para acabar com a violência devem ser acompanhados pelo diálogo entre todas as forças políticas. Hoje, recebemos a confirmação do presidente sírio para apoiar esse trabalho”.

Na reunião, o ditador explicou que a comissão nacional para o diálogo pode gerenciar o processo de conciliação.

VIOLÊNCIA

Além das medidas institucionais, o ditador assegurou a Lavrov que deseja acabar com a onda de violência em toda a Síria, independente do lado, e prometeu terminar com os confrontos.

“O presidente da Síria garantiu que está completamente comprometido na tarefa de parar a violência, independente do lado que venha”, afirmou Lavrov à agência Interfax.

De acordo com o representante russo, a Síria quer manter a missão da Liga Árabe e deseja o aumento do trabalho e da quantidade de observadores.

Lavrov ainda descartou qualquer tipo de intervenção estrangeira na crise política. “A Síria precisa da paz e um acordo deve ser alcançado fora de qualquer intervenção estrangeira”, afirmou.

RÚSSIA

Uma das maiores responsáveis pelo bloqueio da resolução na ONU, a Rússia enviou seu ministro das Relações Exteriores à Síria, numa iniciativa saudada até mesmo por países ocidentais que criticaram sua postura no Conselho de Segurannça.

Imagens da TV local mostram milhares de sírios abanando bandeiras russas para saudar a chegada de Sergey Lavrov a Damasco, que deve se reunir com o presidente Bashar al-Assad.

Cada líder de cada país deve estar consciente de sua parte de responsabilidade. Vocês estão conscientes das suas”, disse o ministro russo em Damasco, em declarações reproduzidas pela agência estatal Ria.

Lavrov declarou que é “do nosso interesse que os povos árabes possam viver em paz e harmonia”, ainda conforme a agência estatal.

Ontem, o representante russo acusou a reação “indecente e histérica” do ocidente, explicando que a Rússia vetou a resolução porque não mencionava a necessidade para a oposição de tomar distância “dos extremistas armados”.

As autoridades russas afirmaram que têm “a intenção de fazer todo o possível para estabilizar rapidamente” a Síria e favorecer a execução de “reformas democráticas indispensáveis”.

EMBAIXADORES

Nesta terça-feira, três países da Europa Ocidental anunciaram que vão retirar os embaixadores e o corpo diplomático da Síria, após os Estados Unidos e o Reino Unido terem anunciado a saída de seus representantes.

O governo da Espanha anunciou o retorno de seu embaixador a Madri para consultas em decorrência do agravamento da repressão. Mais cedo, a França convocou o seu representante no país, Eric Chevallier.

Mais cedo, a Itália também chamou seu embaixador na Síria por causa das “violências inaceitáveis realizadas pelo regime de Damasco”, segundo o ministério italiano das Relações Exteriores em um comunicado.

Na véspera, o Reino Unido convocou seu embaixador na Síria pelo menos motivos, segundo anunciou o ministro das Relações Exteriores, William Hague.

“Utilizaremos os canais que nos restam com o regime sírio para deixar clara a nossa aversão à violência, que é completamente inaceitável para o mundo civilizado”, ressaltou Hague.

As monarquias árabes do Golfo decidiram nesta terça-feira expulsar os embaixadores sírios dos seis países do grupo e de retirar os seus dos postos em Damasco, denunciando “o massacre coletivo” cometido pelo regime.

Em um comunicado, o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) pede aos embaixadores da Síria que “deixem imediatamente” os seis países membros do grupo regional, que têm a Arábia Saudita como líder, e anuncia a convocação dos embaixadores em Damasco dos países membros.

REPRESSÃO

As agências de notícias France Presse e Efe divulgaram que o chanceler russo foi recebido com banda militar e manifestações de apoio ao regime em Damasco. No entanto, a repressão na cidade de Homs, no centro do país, continua nesta terça-feira.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos, sediado em Londres, informou que pelo menos 15 civis morreram em bombardeios de forças leais ao regime de Bashar al Assad na cidade, que é um dos maiores pontos de revolta. O grupo ainda revelou que quatro militares sírios foram mortos por desertores ao tentar atacar um bairro da cidade.

Em dezembro, a ONU havia atualizado a contagem de civis mortos nas ações violentas das forças de segurança em 5.000 pessoas, e, desde então, não foi divulgado nenhum novo número sobre o assunto. Grupos opositores calculam que o número já ultrapasse os 7.000.

O regime de Assad se defende dizendo que, na verdade, combate terroristas armados, e não manifestantes pró-democracia. Segundo as autoridades sírias, mais de 2.000 membros das forças de segurança morreram nas operações.

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

LEAVE A RESPONSE

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *