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Blatter promete luta legal contra Ricardo Teixeira

A briga entre o presidente da Fifa, Joseph Blatter, e o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, se estenderá à Justiça suíça. Pelo menos essa é a promessa do cartola máximo do futebol mundial.

A disputa gira em torno da divulgação do maior escândalo de corrupção da entidade.

Almeida Rocha/Folhapress
Ricardo Teixeira, no Prêmio Craque do Brasileiro da CBF
Ricardo Teixeira, no Prêmio Craque do Brasileiro da CBF

Segundo a BBC, Teixeira e o presidente de honra da Fifa, João Havelange, estão envolvidos no caso, que está sob sigilo judicial na Suíça. Por isso, poderiam ser expulsos.

Mas há potencial de o caso atingir até mesmo Blatter.

Tudo isso só será revelado se for aberto o dossiê ISL, antiga agência da Fifa para Copas do Mundo. Seu processo judicial de falência constatou o pagamento de subornos a dirigentes nos anos 90. Tais informações são mantidas em sigilo por conta de um acordo judicial. Dois cartolas da Fifa admitiram ter recebido suborno, pagaram multas e foram mantidos anônimos.

Após lutar por esse sigilo, Blatter mudou de ideia e prometeu divulgar o processo neste mês para limpar sua imagem e a da Fifa. Mas recuou anteontem sob o argumento de que uma liminar foi obtida para impedir a publicação do dossiê. Extraoficialmente, a Fifa atribui essa medida a Havelange e Teixeira.

A entidade promete agora uma batalha legal para conseguir publicar o caso de corrupção. Nos bastidores, a Fifa espera revelar o documento até março do ano que vem ou até mais rapidamente.

Ricardo Teixeira, porém, não acredita na versão de Blatter. Para o cartola da CBF, não há nenhuma medida judicial que impeça a publicação do dossiê ISL.

O dirigente brasileiro entende que o presidente da Fifa tem medo das consequências do documento. Isso porque o suíço, então secretário-geral, era quem fazia a gestão da entidade nos anos 90. Havelange era o presidente.

Teixeira trabalha com a informação de que mais dirigentes estão envolvidos no caso e que, assim, as consequências não pesariam apenas sobre ele e Havelange. Seu discurso soa como uma ameaça velada a Blatter.

Além disso, caso a Fifa de fato divulgue o dossiê ISL, haverá uma nova batalha legal sobre o destino dos envolvidos no caso. Blatter já disse ser a favor da expulsão de membros do Comitê-Executivo implicados no escândalo.

Será necessário criar uma comissão independente para julgá-los, pois o Comitê de Ética da Fifa, fundado em 2006, cinco anos após o fim da ISL, não teria competência para decidir punições.

No discurso, a Fifa quer revisitar o passado e se limpar da corrupção. Mas só a publicação do dossiê ISL pode comprovar essa disposição.

Com a Folha.com

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