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Brasil participa como ‘observador’ em reunião de ‘Amigos do povo sírio’

Representantes de 70 países, incluindo o Brasil, se reuniram neste domingo (1º) em Istambul, na Turquia, para discutir maneiras de intensificar as sanções ao regime sírio e o envio de ajuda humanitária para o país.

O diplomata brasileiro que participa do evento disse que “está exclusivamente na condição de observador”, mantendo a linha diplomática adotada pelo Itamaraty desde o início dos protestos. Na última reunião dos Brics, a presidente Dilma Roussef reforçou a política não intervencionista, de soberania e autodeterminação ao lado de seus pares em Nova Délhi.

Diplomatas de 70 nacionalidades se reúnem em Istambul para tratar sobre crise na Síria (Foto: Germano Assad/G1)Diplomatas de 70 nacionalidades se reúnem em Istambul para tratar sobre crise na Síria (Foto: Germano Assad/G1)

A segunda edição do encontro “Amigos do povo sírio” acontece em um momento político tenso. Ao longo da semana, o governo de Bashar al-Assad declarou aceitar o plano de paz enviado pelo representante das Nações Unidas e da Liga Árabe Kofi Annan. Mas, desde terça-feira (27), o dia do anúncio, bombardeiros e confrontos persistem em várias regiões do país.

Um acordo proposto pela Liga Árabe ainda em novembro do ano passado, com condições semelhantes aos do plano de Annan e também aceito pelo regime à época, acabou não sendo respeitado, o que potencializa o clima já generalizado de desconfiança. E cria uma terceira prioridade para o encontro: definir um plano com os novos passos a serem tomados em um eventual recuo do governo quanto aos pontos expostos na proposta de Annan.

“Meu pedido é para que a comunidade internacional enxergue que não há possibilidade de reconciliação com este regime. Eles estão usando todas as medidas e boa vontade de vocês para ganhar tempo, ninguém deveria permitir que eles tivessem essa margem para novas manobras”, disse Burham Ghalium, presidente do Conselho Nacional Sírio (CNS), o maior dos blocos de oposição, em discurso no evento.

Plano de paz na Síria - Kofi Annan (Foto: Editoria de Arte/G1)

Ghalium respondeu aos inúmeros pedidos de unificação da oposição, endossados pelo primeiro ministro turco Recep Tayyp Erdogan e pelo secretário geral da liga árabe Nabil ElAraby. “Dizem que somos divididos, que não nos entendemos. Mas o que vocês estão vendo aqui é uma oposição unida. Eu não estou falando pelo conselho nacional, estou falando por todos os sírios que fazem a revolução, pelos mártires, pelos jovens torturados, pelas famílias que tiveram suas casas destruídas, pelas mulheres estupradas, pelos idosos humilhados…”

A força do discurso, porém, parece não ressoar no próprio conselho. Em reunião preparatória do CNS para o evento de hoje, uma delegação curda abandonou as conversas alegando “falta de voz e espaço”. A insatisfação decorreu da recusa do conselho em colocar um pedido de estado autônomo aos moldes do Curdistão iraquiano em discussão. Importantes dissidentes como o ativista Haitham al-Maler, que haviam deixado o conselho no mês passado, acabaram retornando, em um acordo que incluiu promessas de ampliação e democratização da entidade.

Representantes do Conselho Nacional Sírio e da Tunísia (Foto: Germano Assad/G1)Representantes do oposicionista Conselho Nacional Sírio, ao lado da delegação da Tunísia (Foto: Germano Assad/G1)

Pressão por substituições
Informações de bastidores dão conta de que há grande pressão do governo turco para que o CNS promova as reformas necessárias e “substitua lideranças relutantes que ocupam cargos estratégicos na organização”, disse um diplomata local à reportagem do G1, que pediu para não ser identificado. Medidas que, se efetivadas, certamente causarão ainda mais rachas no conselho.

Plano de paz na Síria - Liga Árabe (Foto: Editoria de Arte/G1)

Mesmo assim, ele se limitou a dizer que “reconhece os direitos dos curdos”, alegando tratar as aspirações da relevante minoria como uma das partes do processo de unificação da oposição. E defendeu a criação de corredores humanitários, apoio e controle político do Exército Livre Sírio (ELS) por meio do recém criado escritório militar, que tem por objetivo funcionar como um braço “centralizador de ações” do CNS, mas ainda não conta com grande influência nos desertores de alto escalão.

Ghalium finalizou o discurso afirmando que tais medidas ajudariam em um processo de reconciliação na era pós-Assad, evitando ações isoladas de vingança e perseguições contra membros do governo.

Conversas fechadas sobre temas específicos entre delegações e diplomatas presentes no congresso estão previstas para ocorrer ao longo do dia.

Fonte: Do G1, em Istambul

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