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Cameron defende no Parlamento veto a mudanças em tratados europeus

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse nesta segunda-fera que foi a Bruxelas “de boa fé” em busca de um acordo com os demais países da União Europeia, mas insistiu que o tratado europeu aprovado pelos demais países do bloco não protege “os interesses nacionais” do Reino Unido.

Em uma sessão tumultuada, Cameron defendeu diante do Parlamento a decisão do Reino Unido de vetar as mudanças de tratados da União Europeia.

Na sexta-feira, durante a cúpula da UE em Bruxelas, todos os países do bloco, exceto o Reino Unido, decidiram aderir ao pacto fiscal acordado para prevenir novas crises. O veto rendeu críticas por parte dos membros do governo de coalizão.

Associated Press
O primeiro-ministro britânico, David Cameron, defende decisão sobre o veto ao acordo da UE diante do Parlamento
O primeiro-ministro britânico, David Cameron, defende decisão sobre o veto ao acordo da UE diante do Parlamento

Durante seu discurso ao Parlamento, Cameron disse que “procurou genuinamente alcançar um acordo” e que suas demandas eram “modestas, racionais e relevantes”.

O premiê disse, entretanto, que vetou o acordo porque não havia garantias suficientes para a regulação financeira.

Ao defender sua decisão, Cameron disse que o veto ao acordo “não foi algo fácil, mas era a coisa certa a fazer”.

Cameron disse ainda que o Reino Unido é membro pleno da União Europeia e continuará sendo, apesar de ter divergido dos demais países do bloco durante a última cúpula europeia para tratar sobre a crise econômica.

Tanto Cameron quando o ministro das Finanças, George Osborne, vêm insistindo que o veto às mudanças tinha como objetivo proteger o sistema financeiro do Reino Unido de uma eventual intervenção excessiva por parte da UE. Partidos opositores afirmam, porém, que nenhuma outra garantia foi alcançada.

CRÍTICAS

Após ser recebido como herói pela direita anti-euro britânica, o número dois do Reino Unido, Nick Clegg, criticou ontem a decisão, que deixou o país isolado na cúpula europeia realizada na quinta e sexta passadas, dias 8 e 9.

O Reino Unido foi o único dos 27 países da UE (União Europeia) que se negou a apoiar um pacto fiscal para superar a crise na zona do euro, depois que o bloco não aceitou as garantias solicitadas pelas autoridades britânicas presentes.

Thomas Peter/Reuters
Premiê britânico, David Cameron, à esquerda, dá entrevista com Angela Merkel, chanceler alemã
Premiê britânico, David Cameron, à esquerda, dá entrevista com Angela Merkel, chanceler alemã

O vice-premiê e líder liberal-democrata, Nick Clegg, se distanciou do primeiro-ministro e admitiu sua decepção com o resultado da cúpula. “Estou amargamente decepcionado com o final da cúpula na última semana, precisamente porque penso que agora existe um risco de que, com o passar do tempo, o Reino Unido fique isolado e marginalizado dentro da UE”, disse.

Os cidadãos britânicos manifestaram seu apoio à decisão em uma pesquisa de opinião feita para o jornal “The Times”. Segundo o levantamento, 57% dos entrevistados consideraram que foi correta a decisão de vetar as propostas, enquanto 14% foram contra.

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCAS

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