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CBF escala assistente em jogo de time do seu irmão e polemiza

Eram 25min do 1º tempo, e o Bragantino já vencia o Náutico por 1 a 0 quando Lincon, aparentemente em posição de impedimento, ampliou o placar a favor dos paulistas.
O lance gerou reclamação dos pernambucanos, que se sentiram prejudicados, após o jogo em Bragança Paulista.

Os protestos poderiam ter esfriado ontem, dia seguinte à partida válida pela 23ª rodada da Série B, não fosse a revelação, feita num blog de torcedores alvirrubros, de que a bandeirinha que validou o segundo gol do Bragantino, Márcia Bezerra Lopes Caetano, é irmã de Júnior Lopes, titular da zaga do time do interior de São Paulo.

Edmar Melo/AGIF/Folhapress
A assistente Márcia Caetano durante partida do Brasileiro
A assistente Márcia Caetano durante partida do Brasileiro

Ambos são filhos de Lourival Domingos Lopes, ex-árbitro, mas de mães diferentes.

A informação, até então desconhecida pelo Náutico, irritou a direção do clube, que, com a derrota, caiu para a terceira posição.

“É um absurdo uma bandeira trabalhar em uma partida em que o irmão está diretamente envolvido”, afirmou o presidente do Náutico, Berillo Albuquerque, que fará protesto formal na CBF.

“É óbvio que tem interesse no resultado. O segundo gol foi em total impedimento, e era responsabilidade dela.”

“Vamos representar na CBF para que a Comissão de Arbitragem não cometa mais erros como esse”, declarou o presidente do Náutico.

“Mas os pontos que perdemos ontem [anteontem] não vamos mais recuperar.”

Quem também não sabia desse parentesco entre Márcia e o Júnior Lopes era a Anaf (Associação Nacional de Árbitros de Futebol).

“A entidade não tinha essa informação, e creio que a Comissão de Arbitragem da CBF também não, senão teriam preservado a Márcia”, afirmou o presidente da Anaf, Marco Antônio Martins.

Procurada, a CBF não respondeu aos questionamentos da reportagem.

“Aquele foi um lance de jogo. A minha vida particular não interessa a ninguém”, afirmou Márcia, auxiliar de Rondônia que faz parte do quadro da Fifa no país.

“Ela é uma pessoa séria e de bom caráter. Nunca faria algo para estragar a própria carreira”, afirmou Júnior Lopes, que não mantém relação próxima com a bandeirinha. “Ela vivia com a mãe dela, e eu, com a minha.”

O jogador, porém, critica a CBF por ter escalado Márcia para o duelo ante o Náutico.

“Por mim e por ela, não tem problema. Mas a CBF poderia ter tido esse cuidado. Sempre vai ter alguém com o pé atrás, e o time que perde sempre vai procurar um culpado”, disse o zagueiro.

Apesar da revolta do Náutico, não há impedimento legal para a escalação de Márcia nos jogos de seu irmão. “O regulamento não impede. Juridicamente, não há nada”, afirmou o diretor jurídico da Anaf, Giulliano Bozzano.

2010

Não é a primeira vez que Márcia bandeirou uma partida em que Júnior Lopes esteve em campo. No ano passado, a auxiliar fez parte do trio que apitou a goleada do Bragantino sobre o Brasiliense, em Brasília, por 4 a 0, também na Série B. O zagueiro fez um dos gols do seu time.

Com a Folha.com

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